Visões

27 04 2009
se3-medium

Catedral da Sé

Passeando pelo mundinho virtual (muitas vezes pelo mundinho visual azul do orkut) vejo como é complexo tentar ver o que o outro vê. As vezes as brigas surgem e pessoas estão dizendo exatamente a mesma coisa, mas como não existe um rosto, não existe a chance de se entender as expressões.

Nesse mundo virtual, um local onde muitas vezes encontro esse tipo de postura é no Mundo Fotográfico (fórum de fotografia que eu recomendo nos links ai do lado). Muitas vezes leio coisas que parecem atravessadas, mas ai me lembro de como são essas pessoas ao vivo (muitos são meus amigos pessoais) e nem me estresso. Aliás na maioria das vezes tento evita que alguém se estresse por um comentário mal escrito, ou aparentemente atravessado.

O aparentemente, neste caso, é o mote pro texto de hoje. Relembrando um passeio antigo com amigos desse fórum, fomos todos ao centro de São Paulo, fizemos um percurso relativamente longo, começando no metrô São Bento, indo até a Praça da Sé e partindo em direção ao mercado da Cantareira. Cada um foi fazendo suas fotos, eu fiz as minhas.

Voltei pra minha casa e fiquei pensando no que era esse centro, o que ele me passava, era bonito? Feio? Perigoso? Acolhedor? Fiquei um tempo bem neurótico com isso e acabei traçando umas linhas a respeito, o texto é velho, mas está logo abaixo e continua totalmente atual pra mim, ainda vejo tudo do mesmo jeito lá.

Estação da Luz

Estação da Luz

Bom o Centro!!! A cidade que nasceu ali no Pátio do Colégio, hoje transformado em museu e que se expandiu para todos os lados tem alguns marcos na região central. A catedral da Sé, imponente marca o Centro Histórico da Cidade, belíssima construção. Ali pelas redondezas, vemos o Tribunal João Mendes, Mosteiro de São Bento, Estação da Luz , Teatro Municipal, etc.

Então a cidade é bela, certo? Depende de quem vê. Nesse mesmo centro vemos os prédios todos decaídos, precisando de reformas, Na praça da Sé, ao lado da imponente igreja, vários meninos de rua e mendigos vivem da caridade de pessoas que passam por lá. As vezes pequenos crimes são cometidos, mesmo com o forte policiamento na área.

Existe um submundo entre as construções históricas importantes, se vê droga, descaso, prostituição, violência. É essa vista que pode afastar as pessoas de uma região, e aliás afasta, conheço várias pessoas que temem o centro da cidade, outras adoram.

Essa diferença de gostos se dá por modos diferentes de se ver o que aparece ao redor, uma pessoa próxima tem me dito ultimamente que podemos optar entre curtir todos os momentos ou focar todas as esperanças num único ponto. Não sei ao certo se é tudo 8 ou 80, talvez existam pontos intermediários, mas não os julgarei aqui.

A questão é que se você quiser realmente poderá encarar algo como lindo e maravilhoso, fechar os olhos para todos os problemas que ele apresenta, como a degradação e sujeira do centro, o perigo e a violência. Por outro lado pode fazer também o contrário, passar correndo temendo os perigos e não perceber detalhes ricos como a beleza do Municipal, nunca entrar na Catedral da Sé ou no mosteiro de São Bento, que são duas belas construções.

mosteirodesaobento

Mosteiro de São Bento

Eu sinceramente vejo que teríamos que encarar tudo como uma terceira via, não só observar o belo, nem apenas enxergar o triste, mas isso é difícil e complexo, as vezes nosso olhar se vicia e procura apenas aquilo em que acrditamos, as verdades que nos são passadas dia após dia por amigos, meios de comunicação, por tudo o que nos cerca.

A leitura de mundo assim acaba viciada e intolerante, talvez seja esse um dos motivos para tanta violência sem razão, não aprendemos a utilizar os olhos dos outros, apenas os nossos captam a verdade. Mas eu deixo uma pergunta, Existe Verdade????

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Esconderijos

25 04 2009
lagar

Quase não se vê

Como segundo post, resolvi falar um pouco da forma como o mundo se apresenta pra mim.

As vezes eu me sinto como esse lagarto ai da foto. Procurando se esconder de tudo o que está ao redor e em busca de algo interessante que passe diante dos meus olhos, algo que me faça dar um passo adiante

Se nada me fizer andar, fico ali parado mesmo. Só observando o mundo, sem querer fazer parte dele. Na verdade eu me sinto externo ao mundo. Alheio ao que acontece, como um observador perdido numa rua movimentada de uma cidade em que não se conhece nada.

Vejo as coisas como se nunca fossem comigo, isso de certa forma incomoda, é verdade. Mas também é verdade que me permite fazer certos apontamentos e mesmo dizer algumas coisas com muito mais calma. Ser crítico sem envolvimento é sempre mais fácil.

Por isso eu fotografo da forma que fotografo, fazendo recortes de cenas que passam diante dos meus olhos, eu adoro as teleobjetivas, elas me permitem selecionar apenas a parte da cena que quero comentar ou destacar. Ao contrário das grande-angulares que te inserem dentro da cena, eu nunca me sinto parte.

Essas reações distantes também me permitem uma leitura diferente, é possível entender porque uma pessoa sente dor se você não a sente, ou não se influência por ela. Dessa forma você consegue dissecar a cena toda e entender exatamente qual foi o pisão no calo que causou a dor.

Dor aliás que me persegue, porque se eu consigo ler a dor do outro, a minha fica mais difícil, ela está guardada em mim e não consigo ver de fora. Eu gostaria de conseguir, confesso. Talvez isso me fizesse ser alguém melhor e mais alegre.

Alguns amigos me dizem que eu me escondo dos meus medos e a dor é resultante dessa fuga. Talvez isso seja realmente verdade. Afinal quem não se esconde em algo? Existe alguém 100% autêntico e com tanta coragem? Eu até assumo que tenho medo das pessoas, medo daquilo que não consigo entender

Aliás, se você ler esse post, que tal se abrir um pouco? Fale do seu esconderijo, fale daquilo que você foge. Fale do que você gostaria de mudar.





Prisioneiros

22 04 2009
Alguém já viu uma cela com grades assim?

Alguém já viu uma cela com grades assim?

     Pois é, virei blogueiro, ou pelo menos tentarei virar. A idéia é sempre que me surgir algum assunto interessante vir aqui. Falar aquilo que penso e da forma como penso.

Começar algo nunca é simples, mas é sempre necessário. Escolher o tema do primeiro texto também não foi tão fácil. A primeira opção e justamente a que venceu foi falar daquilo que mais me incomoda. A vida urbana, a forma como as cidades nos dominam.

Com um grupo de amigos fotógrafos, estou tentando dissecar a urbe e mostrar o que vejo e sinto dela. Acho que nesse espaço posso brincar um pouco com isso. Sem me aprofundar muito, quero ao menos lançar as idéias que estou desenvolvendo nesse ensaio fotográfico.

Eu sempre fui (e ainda sou) uma pessoa que teme multidões, pessoas me assustam e nunca escondi isso de ninguém. O que talvez tenha escondido nesse tempo todo é que sinto uma certa inveja da forma leve como todo mundo encara a multidão. E justamente pra tentar ler essa multidão que eu procuro entender as cidades. Se repararmos, num ambiente urbano vivemos presos em regras.

Ninguém se pergunta o motivo, mas todos se vestem de forma parecida, possuem sonhos parecidos, comem coisas parecidas, se divertem de forma parecida e até se irritam pelos mesmos motivos. Você já se perguntou pelo real motivo de ter que trabalhar todos os dias? Por que as mulheres usam saias e os homens calças compridas (calma não quero andar por ai de saias)? Por que é divertido ficar dançando a noite toda? Por que fico com raiva toda vez que um folgado não cede lugar no metrô pra um idoso?

Até respondemos essas perguntas, mas concorda que todas as respostas são superficiais? No fundo, a resposta mais coerente pra essas e diversas outras questões seria por que todo mundo age assim também. E nessa brincadeira, confesso que me sinto como as formigas no filme FormiguinhaZ, onde a diversão delas é dançar macarena todo mundo junto.

Essa padronização acaba surgindo também em quem deveria transgredir as regras. Os artistas adoram se dizer diferentes, mas será que fogem desse lugar comum? Os conceitos de belo e feio são padrões, e preferencialmente padrões simples de serem decodificados por qualquer pessoa que veja o que se apresenta.

Existe espaço para o realmente diferente na nossa sociedade? Infelizmente acredito que não e ai me sinto preso também dentro desse contexto. Atrás de grades dispostas sempre da mesma forma, por que é assim que sempre foi e assim sempre será.