Prisioneiros

22 04 2009
Alguém já viu uma cela com grades assim?

Alguém já viu uma cela com grades assim?

     Pois é, virei blogueiro, ou pelo menos tentarei virar. A idéia é sempre que me surgir algum assunto interessante vir aqui. Falar aquilo que penso e da forma como penso.

Começar algo nunca é simples, mas é sempre necessário. Escolher o tema do primeiro texto também não foi tão fácil. A primeira opção e justamente a que venceu foi falar daquilo que mais me incomoda. A vida urbana, a forma como as cidades nos dominam.

Com um grupo de amigos fotógrafos, estou tentando dissecar a urbe e mostrar o que vejo e sinto dela. Acho que nesse espaço posso brincar um pouco com isso. Sem me aprofundar muito, quero ao menos lançar as idéias que estou desenvolvendo nesse ensaio fotográfico.

Eu sempre fui (e ainda sou) uma pessoa que teme multidões, pessoas me assustam e nunca escondi isso de ninguém. O que talvez tenha escondido nesse tempo todo é que sinto uma certa inveja da forma leve como todo mundo encara a multidão. E justamente pra tentar ler essa multidão que eu procuro entender as cidades. Se repararmos, num ambiente urbano vivemos presos em regras.

Ninguém se pergunta o motivo, mas todos se vestem de forma parecida, possuem sonhos parecidos, comem coisas parecidas, se divertem de forma parecida e até se irritam pelos mesmos motivos. Você já se perguntou pelo real motivo de ter que trabalhar todos os dias? Por que as mulheres usam saias e os homens calças compridas (calma não quero andar por ai de saias)? Por que é divertido ficar dançando a noite toda? Por que fico com raiva toda vez que um folgado não cede lugar no metrô pra um idoso?

Até respondemos essas perguntas, mas concorda que todas as respostas são superficiais? No fundo, a resposta mais coerente pra essas e diversas outras questões seria por que todo mundo age assim também. E nessa brincadeira, confesso que me sinto como as formigas no filme FormiguinhaZ, onde a diversão delas é dançar macarena todo mundo junto.

Essa padronização acaba surgindo também em quem deveria transgredir as regras. Os artistas adoram se dizer diferentes, mas será que fogem desse lugar comum? Os conceitos de belo e feio são padrões, e preferencialmente padrões simples de serem decodificados por qualquer pessoa que veja o que se apresenta.

Existe espaço para o realmente diferente na nossa sociedade? Infelizmente acredito que não e ai me sinto preso também dentro desse contexto. Atrás de grades dispostas sempre da mesma forma, por que é assim que sempre foi e assim sempre será.

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22 04 2009
Lak

Meu, como te falei, concordo muito com essa visão. Tem coisas que sempre me pergunto os porquês de se fazer assim ou assado, como se fosse uma coisa lógica e não mera reprodução comportamental…
As pessoas se esquecem de questionar e buscar uma individualidade particular, não coletiva.
Quer um exemplo-bobagem? Quando eu fazia faculdade (leia-se 10 anos atrás) ia de chapéu pra facul. Simplesmente porque eu gostava e tinha um monte, ainda que fosse difícil de achar, porque não era algo comum. Muita gente RIA da minha cara, tirava sarro mesmo. Mas eu curtia, porque me sentia bem com eles, justamente porque ninguém usava.
De repente, voltou a moda e todo mundo começou a usar, inclusive quem ria de mim.
Vai entender esse povo….
A necessidade de copiar alguém prevalesce o livre-pensar, quase sempre.
Adorei seu blog. Vamos que vamos nessa, heim?
Beijo




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