Esconderijos

25 04 2009
lagar

Quase não se vê

Como segundo post, resolvi falar um pouco da forma como o mundo se apresenta pra mim.

As vezes eu me sinto como esse lagarto ai da foto. Procurando se esconder de tudo o que está ao redor e em busca de algo interessante que passe diante dos meus olhos, algo que me faça dar um passo adiante

Se nada me fizer andar, fico ali parado mesmo. Só observando o mundo, sem querer fazer parte dele. Na verdade eu me sinto externo ao mundo. Alheio ao que acontece, como um observador perdido numa rua movimentada de uma cidade em que não se conhece nada.

Vejo as coisas como se nunca fossem comigo, isso de certa forma incomoda, é verdade. Mas também é verdade que me permite fazer certos apontamentos e mesmo dizer algumas coisas com muito mais calma. Ser crítico sem envolvimento é sempre mais fácil.

Por isso eu fotografo da forma que fotografo, fazendo recortes de cenas que passam diante dos meus olhos, eu adoro as teleobjetivas, elas me permitem selecionar apenas a parte da cena que quero comentar ou destacar. Ao contrário das grande-angulares que te inserem dentro da cena, eu nunca me sinto parte.

Essas reações distantes também me permitem uma leitura diferente, é possível entender porque uma pessoa sente dor se você não a sente, ou não se influência por ela. Dessa forma você consegue dissecar a cena toda e entender exatamente qual foi o pisão no calo que causou a dor.

Dor aliás que me persegue, porque se eu consigo ler a dor do outro, a minha fica mais difícil, ela está guardada em mim e não consigo ver de fora. Eu gostaria de conseguir, confesso. Talvez isso me fizesse ser alguém melhor e mais alegre.

Alguns amigos me dizem que eu me escondo dos meus medos e a dor é resultante dessa fuga. Talvez isso seja realmente verdade. Afinal quem não se esconde em algo? Existe alguém 100% autêntico e com tanta coragem? Eu até assumo que tenho medo das pessoas, medo daquilo que não consigo entender

Aliás, se você ler esse post, que tal se abrir um pouco? Fale do seu esconderijo, fale daquilo que você foge. Fale do que você gostaria de mudar.

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11 responses

26 04 2009
Bel Chuva

Alex, agora blogueiro! Enfrente seus medos e eles passarão! Eu fujo de mim, tento não me enfrentar! Mas é dificil, todo dia eu tô ali refletida naquele espelho!

29 04 2009
Fabio Yamauti

Muito bom teu blog, Alex. Em relação a medos, todos temos. Eu tenho medo de estar perdendo meu tempo, de não estar fazendo coisas importantes, de estar sub-utilizando minha capacidade. Tenho medo de mudar. Acho que estou acomodado com a mesmice. É confortável e ao mesmo tempo entediante. E muitas vezes sinto-me em um beco sem saída. Mas, a vida continua e ainda bem que existe a Fotografia como válvula de escape para nós.

29 04 2009
olharesdispersos

Fabio, muito interessante o seu relato, eu tb me sinto preso no mesmo algumas vezes, não chego a ter medo de mudar, mas alguns medos são bastante fortes pra mim.

Penso nesse espaço como mais uma forma de exorcizar meus medos, junto com a poesia e a fotografia.

29 04 2009
Valéria

Agora sim!
Gostei de ver!
Esse deveria ser o enredo total do seu Blog.
Acho que todos nós queremos que você comece a se espressar e colocar seus sentimentos para fora, afinal, não é esse o objetivo maior.

Aliás, lhe cai muito bem falar de si e seus sentimentos…
te adoro!
amiga

29 04 2009
Valéria

EXPRESSAR!

29 04 2009
olharesdispersos

Oi Valéria, tudo legal?

Mas e vc? Não vai falar dos seus medos?

Te adoro tb.

29 04 2009
camilamariussodecarlos

Alex
Perfeito o teu post sobre esconderijos e fugas,sem mais.
Bjão

30 04 2009
Eliana

Olá,
muito legal seu blog
vi o anúncio dele
em minha comunidade e vim dar uma olhada.
Pra mim, ser autêntico é admitir
que se sente medo.
Mente quem diz que não sente.
Na velocidade que esse mundo globalizado
gerou, é muito difícil ver o mundo sobre essa
ótima particular, sair de cena e olhar..
Que bom que ainda tem pessoas que conseguem
isso,mesmo que seja pra admitir que sentem medo.

30 04 2009
olharesdispersos

Olá Eliana, seja bem vinda ao blog.

Primeiro obrigado pelo comentário, concordo com o que vc disse sobre ser autêntico.

É difícil admitir algumas vezes, esse tema do temor que sentimos deve voltar em breve num dos próximos posts, aliás, se quiser, divulgue a sua comunidade por aqui….rs

1 05 2009
Lu Ursinha

Alex, te ler falando de medos é muito bom!
Li, li ,reli ..e gostei!
Sabe, tbm eu tenho meus medinhos q vez por outra teimam em aflorar.Mas não me permito, nem os permito , aterrorizar.Falar/escrever faz um bem danado.
Você sabe que é querido.
Um abs(de longinho) pra você!rs

3 05 2009
Regina Pires

Medo…dor… sempre a maior dor e o maior medo q o ser humano pode sentir é a ” minha” dor e o “meu” medo. Embora a dos outros parece grande… mas a nossa é dilacerante… porq nos é q a sentimos…
E o seu olhar… o da camêra… é restrito, só quer ver aquilo q não possa de causar dor… mas com o tempo esse raio de visão, vai ser estender….
É, o mundo tá aí…as vezes o primeiro impacto pode até nos chocar, mais com o passar do tempo, vamos nos desensibilizando…

SUCESSO!!! BJOS!!!




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