Aprendendo a falar e a viver

1 05 2009
Capa do meu primeiro livro

Capa do meu primeiro livro

Voltando a falar dos medos que sinto, acho que vale a dizer como nasceu o meu livro. Que são fotos e poesias que fiz a um certo tempo acho que todos os que leram o livro (e espero que mais gente leia) já sabem. Mas esse teve uma gênese bastante forte pra mim.

Nasceu de uma confusão de sentimentos. sentimentos fortes que eu acho que nunca trabalharei de forma correta ao certo. Nasceu de um amor verdadeiro, tanto que dediquei o livro pra quem me ensinou a sorrir. Não vale a pena dar nome aos bois, mas confesso que me enche de orgulho saber que ela soube (tá, eu disse pra ela) que o livro foi escrito em sua homenagem.

É até hoje um sentimento que me balança, mexe com meu humor. Não me sinto mais preso e dependente como estive a alguns anos atrás, mas também não posso falar que apaguei tudo de bom que vivi ao lado dela. Aliás é justamente esse o ponto. Por que temos que apagar os bons momentos quando o tempo passa? Não seria mais justo consigo e com a outra parte lembrar do que foi bom, e deixar tudo seguir seu caminho sem receios?

uma das fotos do livro
uma das fotos do livro

Alguns talvez digam que eu perdi anos da minha vida devotando uma paixão sem retorno, que deveria ter encurtado o período de luto (essa frase é da minha psicóloga, luto pra mim é forte demais). Mas eu discordo. Até posso ter sofrido, e sofri muito. Mas também ganhei, o livro foi algo importante pra mim. As poesias que estão ali, por mais vagas que possam parecer trazem um imenso prazer a mim. Eu me lembro de bons momentos, mesmo quando falo de dor. Me lembro, aliás, de como ter uma paixão (mesmo platônica) me ajudou a superar momentos extremamente amargos da minha vida que vivi depois de todo o ocorrido.

É justamente ai que entra o medo. Fiquei pensando em coisas que tenho ouvido e lido, algumas a meu respeito, outras sobre meu texto (principalmente o livro). Dizem que o texto não é tão melancólico quanto imaginavam, ou ainda dizem que o sofrimento ali incomoda por ser palpável e humano demais pra uma pessoa como eu. E ai eu começo a achar graça. Afinal existem dois grupos de pessoas que me conhecem, as que me acham duro e frio, funcional; e as que me acham dócil, carinhoso e prestativo.

Como se esse quadro de Jeckill e Hyde nunca pudesse ser oferecido ao mesmo indivíduo, sendo eu para alguns o monstro e para outros o médico. Essa dualidade é que me amedronta, porque eu realmente me percebo assim as vezes, o medo me afasta de alguns e o mesmo medo me aproxima de forma bastante intensa de outros.

Uma das fotos do livro
Uma das fotos do livro

O medo pelo medo no fundo é o que me move. A dificuldade de ler as pessoas sempre me afasta delas. Consigo ficar horas viajando em teorias, preso a trabalhos diversos que exijam apenas a minha atenção e alguma destreza que eu apresente. Nem o cansaço é tão forte assim. Mas relacionar-me por 5 minutos que seja, me trava. Me destrói as entranhas. Alguns dizem que isso acontece simplesmente porque eu não tenho controle da situação e ai me perco. Talvez seja verdade.

Porém, não é exatamente falar desse tipo de dor o objetivo deste post. Mas sim pra falar de como por medo bobo a gente complica coisas simples. Deixa os desejos se perderem por tabus que a gente nunca entende.

Meu livro inteiro fala de pequenos tabus, de escolhas que são ou foram difíceis. E que quando colocadas apenas no lado mais racional da vida se tornariam muito fáceis de tomar. As poesias falam dos traumas ou coisas que eu apenas comecei a levar a sério quando estive realmente apaixonado. Da forma como essa paixão me transformou para melhor, não só olhando pra mim, mas principalmente me tornar uma pessoal socialmente melhor. Posso ainda não ter aprendido a trocar com o outro, mas já aprendi que isso é importante e segundo uma velha frase feita, ninguém é uma ilha.

Como brinco com amigos, conhecidos e outros, já me sinto livre pra outro amor(ou o mesmo novamente, vai saber o que o futuro nos reserva), já estou forte o suficiente pra não comenter os mesmos erros e principalmente não errar tanto e nem temer errar como temi no passado, simplesmente por não saber como agir. Hoje tenho consciência de que vou sentir medo de qualquer forma, então que eu sinta medo sentindo algum prazer. E o meu primeiro livro é justamente um marco sobre isso. Ele é a prova de que já senti vários tipos de prazeres e que eu devo sentir essas sensações novamente.

Ficou curioso pelo livro? Entre em contato comigo….rs

Ai vão um poema e uma fotografia do livro, da forma como aparecem

Avessas
Avessas

O mundo pode ser visto de várias formas

E ainda assim nos prendemos a certo e errado
Como se existissem dois lados
Duas verdades que infelizmente são frouxas
Pois nada representam do que realmente somos
Nem nada fala do que somos
Apenas nos prendem como cordas
Por isso eu vejo um mundo que não me agrada
Onde bem e mal são só opções numa busca por prazer
Dentre os mil caminhos que ainda quero conhecer
Até que a morte me avise que chegou a hora
Enquanto isso eu reviro tudo pelo avesso
Numa busca desenfreada e infantil pelo desejo
Um prazer supremo que quem sabe acalme a alma
Alex Martins
Aguardo ansioso os comentários de você que leu este post até aqui, obrigado pela visita
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Ações

Information

8 responses

1 05 2009
Paula

Simplesmente sensivel e humano…
é assim que te vejo
é assim que o livro é: fantástico
Paula

1 05 2009
Pedro Harrison

Alex, não te conheço pessoalmente. Aliás, agora te conheço um pouco mais… Cheguei no seu blog através do mundo fotografico e li todas as suas postagens. Em todas me identifiquei. Espero um dia poder expressar em minha fotografia um pouco do meu modo de ser no mundo. Estou também procurando me relacionar melhor com os outros e me libertar um pouco das muitas travas as que me submeto. Aliás expressão e relacionamento são duas áreas que preciso mudar e me geram medo…

Ah, fiquei curioso e interessado pelo seu livro. Se puder entrar em contato em meu email com informações de como adquirir, eu agradeço!

Abraços!

2 05 2009
Lak

É quando a gente transforma um sentimento pezaroso numa coisa bonita, seja uma poesia, uma foto, um desenho, um livro; que a gente percebe porque coisas assim acontecem, da gente se apaixonar pela pessoa com quem não conseguimos permanecer muito tempo.
Nada é em vão, a gente é que teima de insistir que só as coisas boas tem sentido pra acontecer….
E não é bem assim. Esse post é a prova de que tudo tem um por quê.
Achei lindo, especialmente o final do poema. Você sabe por que… hehehe
Beijos

2 05 2009
Fernando Paes

Alex, é ótimo ver sua motivação em desenvolver sua expressão através de um livro! Espero poder ver muito mais livros seus frutos de seus sentimentos e sensações! E estarei lá pra registrar o próximo lançamento!

Abração,
Fernando

3 05 2009
Regina Pires

É … vc fez uma confissão … confissão em forma de declaração de amor…

Vc falou de uma coisa interessante…por q temos q esquecer os bons momentos ….os bons e maus momentos fazem parte do passado.
Assim como as coisas ruins não esquecemos… não temos q ter amnésia… simplesmente aprendemos a conviver com elas, sem q nos prejudiquem o andamento de nossa vida.
Gostei muito do seu texto… acho q me identifiquei…rsrsrs
Vc fala de vc e ao mesmo tempo é um observador analista, mas deu pra sentir … é puro sentimento.
Te desejo SUCESSO!!!!!!!!

23 06 2010
Victória

Muito bom Alex!
Como eu já disse,nem parece que é você….ou então,simplesmente é VOCÊ!
Quero meu exemplar do seu livro em agosto!
Até lá!

24 06 2010
olharesdispersos

Valeu!!!
Como eu disse, este sou eu…rs
O livro levo em agosto e autografo se você quiser.
Vindas Boas-vindas férias!!!

4 07 2010
Juliana

Olá, tive acesso ao seu BLOG através do DNO da Lak, eu li alguns post, achei muitíssimo interessante e até fiquei curiosa com o livro, como posso adquirir???
Obrigada e parabéns!!




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