“… toda vez que falta luz o invisível nos salta aos olhos …”

17 05 2009
As vezes a luz está tão distante que só nos restam as trevas

As vezes a luz está tão distante que só nos restam as trevas

Neste post quero dar continuidade a idéia da mudança de comportamento que as vezes nos atinge. Ontem estava lendo uma revista do Batman (poxa pessoa não levem a mal, eu adoro quadrinhos, leio bastante, chego quase a colecionar). Numa das histórias, a que abre a revista, a trama gira em torno de uma armadura que quando vestida faz com que quem a vestiu passe a ter ações mais violentas. No caso do homem-morcego, o que aflorava era uma vontade imensa de matar os bandidos e não prendê-los.

E o que isso tem a ver com o último post? Tudo. No último post, eu discuti o que o sentimento de traição causava em mim e a forma como eu me sinto incomodado com uma situação que de certa forma estou vivendo. Tudo bem que o traidor sou eu mesmo, mas a traição me incomoda e me faz agir de forma diferente.

Existem sempre os gatilhos que nos tiram do eixo e que parecem liberar o nosso lado mais sombrio. As pessoas mais ponderadas que eu conheço, em determinados momentos de sua vida, acabam cometendo atos que parecem ser realização de outras pessoas. Seja um ato intempestivo, uma discussão fora de hora, cenas de choro e desespero ou até mesmo violência.

Em alguns momentos os fantasmas conseguem se libertar de sua prisão em nossa mente

Em alguns momentos os fantasmas conseguem se libertar de sua prisão em nossa mente

Ai fiquei pensando em meus fantasmas. Tudo aquilo que escondo no meu lado mais sombrio. No geral, quando saio do eixo, a violência que uso é mais verbal, por sorte tive juízo pra evitar nomes e acusações diretas no último post. Uma atitude constante nos meus momentos de falta de controle é me isolar. No geral eu costumo fugir de qualquer pessoa que se aproxime, e quando essas pessoas se aproximam, torno-me altamente mal educado e ácido. Conseguir evitar besteiras no trabalho (afinal trabalho com pessoas) confesso que é algo complexo demais.

Nesses momentos costumo ser frio com as palavras, escrevo de forma mais ácida e crítica, confesso que precisei de muita calma pra não citar nomes no último post. Confesso ainda que mais engraçado foi ter recebido pedidos de desculpas de pessoas que nada tinham a ver com o post. Admito que depois disso também fiquei com vontade de pedir desculpas para algumas pessoas, gente com a qual certamente pisei na bola da mesma maneira como pisaram no meu calo mais sensível a ponto de me fazer escrever o que escrevi.

Teve gente que me perguntou se a pessoa que me causou tamanha raiva se desculpou, bom eu nem sei se a pessoa lê esse blog, provavelmente não. Mas isso não importa, até porque o que eu queria levantar mesmo era a traição universal, não o sentimento que EU sinto, mas o que TODOS sentem.

E agora assumo o medo real que sinto de vestir a tal armadura do batman, de liberar meus fantasmas e agir de formas que eu imagino não serem corretas. Como o homem-morcego, também tenho medo de num apagar de luzes eu perceba que na verdade esses fantasmas que eu prendo são a minha verdadeira essência e que a prisão que eu criei para estes fantasmas seja apenas uma máscara.

Provavelmente eu seja um pouco dos dois lados, algo na linha nada é 100% bom nem 100% ruim. Provavelmente o que sirva de prisão pra uma parte desse lado sombrio seja apenas convenção social. Afinal muito do comportamento vem da relação com o outro, como um espelho (e ai que eu sinto raiva e a idéia de traição ganha forma, todo mundo joga esse jogo, mas alguns seguem apenas as regras que lhes convém).

A vida em sociedade é o que prende os comportamentos que nos envergonham

A vida em sociedade é o que prende os comportamentos que nos envergonham

É nessas horas que ao fechar os olhos para dormir, todos os fantasmas abrem suas celas na prisão da mente e surgem diante dos meus olhos, como descrito de forma indireta nos versos da música Pianobar do grupo Engenheiros do Hawaii que dá nome ao post.

Você também tem seus fantasmas? Quer falar sobre eles? Quer que algum tema seja discutido nesse espaço? Deixe um comentário.

Aliás, ainda não esqueci os dois temas que estou devendo, apenas estou coletando informações para falar deles com mais segurança.

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3 responses

18 05 2009
Lak

Ora, Alex, todo mundo tem seus fantasmas sim. Mas algumas pessoas sabem extravazá-los no momento certo, com a pessoa certa, na altura de voz adqueada pra se fazer ouvir, sem precisar gritar. Isso se chama inteligência emocional.
Mas não somos criados pra ser assim. Somos criados pra reprimir nossos sentimentos o máximo possivel, criando esses fantasmas ao longo da vida e, infelizmente, junto com eles, nascem as válvulas de escape que nos pegam de surpresa, às vezes…
Será que existe cura?
Beijinhos

19 05 2009
olharesdispersos

Lak, mais doloridos que os fantasmas (no caso eu chamo de fantasmas os comportamentos que escondemos), são os motivos que nos fazem liberá-los.

Não vejo motivo para curar esses fantasmas, mas sim gostaria de entender porque temos que escondë-los e se realmente devemos agir assim.

30 05 2011
paloma

vooc tem seus sentidos mais nos também temos os nossos ! gosteii muito da sua historia , todos nois podemos viver igual vooc mais de um sentido totalmente diferente .




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