O certo e o errado

19 05 2009
minha avó até hoje não entende que eu não curta entrar numa igreja

minha avó até hoje não entende que eu não curta entrar numa igreja

Modelos de certo e errado fazem parte da nossa formação desde o primeiro choro. Essa definição é bastante sutil e em alguns casos difícil de definir. Até porque a verdade de cada um é variável. Cada pessoa acredita agir da maneira mais correta segundo seus preceitos e crê piamente na sua linha como a mais correta para toda a humanidade. Provavelmente essas diferenças de pensamento são o principal motivo pra maioria das brigas que encontramos por ai. Certamente os dois lados de uma guerra acreditam que a sua luta é justa.

Essa diferença de valores, entretanto, é sutil demais pra ser definida claramente. E ai as leis se fazem necessárias. Em alguns casos leis mais simples, em outras leis complexas com interpretação mais difícil ainda. E isso não vale só para as nações, também se enxergam problemas no relacionamento diário que temos com as pessoas. Algumas pessoas podem achar normal cumprimentar todo mundo com beijos e abraços de manhã, outras pessoas simplesmente sentem ojeriza do toque alheio. Basta isso para que as famas de pegajoso e anti-social sejam imediatamente criadas no ambiente de convívio.

Até porque temos uma dificuldade imensa de aceitar o diferente e principalmente de aceitar a diferença naquilo que temos como básico no nosso comportamento. Minha avó até hoje estranha o fato de que eu me recuso a assistir uma missa ou mesmo que eu coma carne normalmente numa sexta-feira santa. Eu tenho dificuldade em aceitar também algumas coisas, mesmo racionalmente sabendo que é escolha da pessoa e que cada um tem seus motivos pra agir como age, sempre existem coisas que me incomodam.

E muitas vezes é difícil conviver com esse diferente, não é possível simplesmente se afastar da pessoa, as vezes ela acaba se tornando mais próxima do que você gostaria. É o chefe que você acha imbecil, é o amigo que não sabe guardar segredos ou a namorada que demora duas horas pra definir a roupa que vai usar e depois decide passar a noite em casa.

Enquanto isso, o seu chefe aguenta os erros no seu relatório, seu amigo suporta seu mau humor quando o seu time perde e a sua namorada suporta o seu gosto duvidoso para os restaurantes (é sempre o mesmo e sempre o mesmo prato). E no fundo achamos isso normal, buscamos os erros dos outros e não observamos os nossos.

eu acho a moda fútil, mas tenho amigos que adoram

eu acho a moda fútil, mas tenho amigos que adoram

Pode até parecer mea culpa em relação aos últimos dois posts, mas não é. É apenas um assunto que eu gostaria de tratar aqui e que trará nova discussão. Quando, no próximo post, eu discorrer sobre a falta de heróis no nosso povo. Só quis abrir a linha de pensamento falando um pouco sobre como é duro perceber que aquilo que me agrada incomoda terrivelmente o outro.

Inspiração para escrever isto? Ser síndico no condomínio onde moro. Acho que esse tipo de convivência mostra claramente como não sabemos respeitar as diferenças e acreditamos que a única verdade realmente válida é a nossa. Infelizmente muita gente pensa assim. E como professor, percebo que infelizmente muitos jovens hoje são criados a pensar assim, o que vale é a sua verdade e não a do outro.

Vamos brincar um pouco, que tal me contar algo que te irrita profundamente no comportamento das pessoas. Eu começo dizendo que a falta de clareza, a preguiça e o descaso de algumas pessoas me irrita muito, e você?

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2 responses

21 05 2009
Érika Salgado

Não há nada que me irrite tão profundamente e mexa tanto com o meu senso de justiça, do que o descaso alheio, a falta de respeito aos meus sentimentos e ao meu espaço. Eu considero uma profunda injustiça quando as pessoas agem, esquecendo-se que outras pessoas estão ao seu redor.
Concordo com o que você disse sobre cada um ter as suas próprias certezas e também com o fato de não termos mais a preocupação em não compreender (nem digo aceitar) as diferenças e nem em invadi-las. Compreender que a nossa “verdade” tem limite, assim como o nosso espaço: o outro.
Você ainda não me conhece e fiquei em dúvida em postar esse comentário ou não… De qualquer modo, é um assunto que me interessa muito, por isso resolvi arriscar. Desculpe a invasão!
Beijos,

24 05 2009
camilamariussodecarlos

Tanta coisa me irrita, mas quanto ao texto, sim é muito difícil conviver com outros seres humanos, nem vou falar diferenças, pois todos nós temos alguma particularidade boa para uns, enervante para os outros, só fingir que está tudo bem não dá certo, as coisas se acumulam até explodir em atitudes intolerantes ao extremo.




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