Tribos

26 05 2009
No fundo todos pertencemos a uma ou mais tribos

No fundo todos pertencemos a uma ou mais tribos

Nos últimos posts os ídolos apareceram como tema central. A forma como os vemos e o tratamos. A busca de um modelo perfeito que possa servir de amparo para a busca de mudanças profundas na nossa sociedade.

Bem ou mal, de certa forma todos temos ídolos, o que muda é a forma como lidamos com estes ídolos. Alguns apenas sentem uma empatia leve por este ou aquele modelo apresentado, outros chegam a uma devoção histérica e religiosa pela pessoa, associando tudo o que acontece de bom ou mal em sua vida aos humores do seu ídolo.

O blog O Estranho Mundo de Camila (na lista dos que eu indico) trouxe um texto interessante sobre o tema.  A Camila não discute exatamente a idolatria, mas a liberdade falsa que acaba interessando a grande maioria da população.  Vale a pena dar uma lida e refletir sobre o que ela postou lá.

Hoje eu vou me ater a outro aspecto da idolatria, o da necessidade que temos de ter ídolos. Afinal o que nos faz seguir um corte de cabelo (como os Beatles fizeram com grande parte dos jovens ingleses e americanos nos anos 60), mudar o time de futebol (muita gente está acompanhando jogos do Corinthians por causa do Ronaldo), mudar até a sua visão política (aqui no Brasil pessoas saem da direita e vão pra esquerda e vice-versa, de acordo com o humor do seu candidato).

nas tribos poucos são os que realmente criam as regras

nas tribos poucos são os que realmente criam as regras

Essa necessidade de ter alguém que sirva de exemplo chega a ser estranho, e como citado pela Camila no seu texto, chega a ser uma forma de não liberdade dentro da liberdade. Afinal, em teoria, todos somos livres para fazer as escolhas que quisermos dentro dos limites que permeiam a vida em sociedade, ou seja, se não prejudicar a liberdade do outro, a minha liberdade é valida.

A impressão que fica é que temos a necessidade de diminuir as particularidades individuais e cada vez mais criarmos um único modelo padrão. Parece que buscamos, apesar das diferenças, sermos todos iguais. Seja corte de cabelo, roupa que veste, música que ouve e até preferências gerais.

Mesmo aqueles com gostos mais distantes do padrão, acabam formando pequenos guetos sociais e nesses guetos procuram disseminar suas idéias. Por exemplo, os brasileiros fãs de uma desconhecida banda lituana vão todos se unir e se possível tentar captar mais fãs para a banda que julgam ser a melhor do mundo. Os torcedores de um time de futebol acabam criando certos hábitos comuns nas partidas de sua equipe. Camisetas muitas vezes identificam os eleitores de determinado grupo político.

 Ai cabe uma breve história sobre o tema. Uma amiga querida algumas vezes brinca comigo por eu ser um eleitor tipicamente neoliberal, totalmente em cima do mundo como ela já me disse algumas vezes. Ela, muito mais próxima da esquerda. Sendo uma mulher muito bonita e até certo ponto vaidosa, gosta de estar sempre bem vestida e arrumada (eu pelo menos nunca a vi desajeitada). Certo dia numa conversa sobre política, disse-lhe brincando que era um fetiche meu vê-la de camiseta branca, cabelo preso, óculos, calça jeans e tênis al star surrado. Justamente o estereótipo do eleitor de esquerda, cultivado inclusive por pessoas que querem voto dessa parcela da população, como a ex-senadora Heloísa Helena.

E podemos extrapolar isso para qualquer outro grupo, como se todos fôssemos distribuídos por tribos. Aliás, tribos é o nome de um programa do canal de TV a cabo GNT que procura tratar do assunto de forma até bastante divertida. Tendo como apresentadora a atriz Daniele Suzuki, a cada programa um grupo é dissecado, mostrando o que une cada tribo. Vi alguns programas e confesso que achei a fórmula interessante, no fundo ele mostra como somos todos robotizados, programados para agir conforme o grupo que nos inserimos.

Parece-me óbvio que em muitos casos pertencemos a mais de uma tribo. Um advogado pode ser também motociclista. Durante a semana ele usa terno e jargões do direito, mas aos finais de semana, pega sua moto e desbrava as estradas com sua jaqueta de couro, mostrando as tatuagens escondidas em busca de shows de rock junto com outros motociclistas.

Pouco espaço sobra nessas tribos para sermos quem somo se é que sabemos quem somos

Pouco espaço sobra nessas tribos para sermos quem somo se é que sabemos quem somos

E isso levanta outra questão, a nossa mutabilidade. De acordo com o grupo e o interesse momentâneo, temos ações que se modificam, fazendo com que sejamos selecionados sempre pelo meio. Mas isso é um assunto longo e tema pra outro post dessa série que pretende chegar na idéia de liberdade x independência citada pela Eve num comentário de um post anterior.

Paro por aqui, só deixo uma pergunta a quem me lê. Nesse tempo todo viajando de tribo em tribo, em que momentos conseguimos ser realmente quem somos? Totalmente Livres? As mensagens e comentários são muito bem vindos. Percebo que muita gente passa por aqui, mas poucos emitem sua opinião, acreditem, eu respondo a todo mundo…rs

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2 responses

26 05 2009
Érika

Será que realmente existe isso de “totalmente livres” ou será que existe uma tribo daqueles que querem ser assim? Somos condicionados pela cultura a qual pertencemos, escolhemos outras características (em determinadas tribos) pelas quais nos identificamos e somos produto de tudo o que aprendemos. Talvez fosse o caso de pensarmos no que seria o mais próximo desse “totalmente livres”, uma vez que não vivemos isoladamente… Talvez, se não fosse o julgamento incessante (como você já comentou), poderíamos nos sentir mais livres.

27 05 2009
camila

Assim,como no exemplo do advogado rockeiro ,muitos ingressam em uma segunda tribo por causa da rigidez da primeira,seja família ou ambiente de trabalho, no começo tudo é maravilhoso, o cara se expresssa ou pensa que, mas se não houver cuidado e senso crítico ,tudo pode se tornar tão repressor quanto um fórum.




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