Erotica

30 06 2009
Criar uma imagem falsa sobre ser belo e atraente às vezes funciona como fuga para algumas pessoas

Criar uma imagem falsa sobre ser belo e atraente às vezes funciona como fuga para algumas pessoas

Continuo falando de Internet nessa semana. O tema é bastante vasto e a forma como nos relacionamos com ela sempre traz a luz diversas boas idéias para se discutir. Hoje voltando para casa do trabalho (viva, férias!!!) Rádio ligado numa emissora que não falava do trânsito (viva, férias!!!) e as músicas rolando. Eu estava meio sem idéias pra música de hoje. Quero falar de um tema meio pesado. E até controverso. Sexo Virtual. Pensei em colocar eu sei do Legião Urbana, pensei em alguma outra canção eletrônica como a Computer Love, mas nada me agradava.

Ai o rádio me deu a solução. Fazia um tempão que eu não ouvia Madonna. Nessa onda de comoção pela morte do Michael Jackson, a rainha do Pop seria a melhor solução. Enquanto Michael sempre fez de tudo pra infantilizar-se, Madonna explora a sua sexualidade ao máximo, canção como Material Girl, ou Like a Virgin exploram bem o assunto sexualidade.  Logo para o que eu pretendo discutir hoje, ela é a artista ideal. Dentro do seu repertório, a música que mais me cativou para o tema foi a mais escancarada. Erotica,música que dá título ao álbum lançado em 1992 praticamente descreve uma transa. E é justamente disso que quero falar. Talvez use Justify my love no próximo post.

Calma pessoal, não vou aqui ficar contar preferências ou narrar contos eróticos, nem tenho cacife pra isso. Mas vale a pena falar de algo que até hoje nunca entendi. O sexo virtual. Conheço gente que só paquera, namora e transa pelo computador. Gostaria de saber como isso é possível. Fantasiar até faz parte do jogo, mas apenas fantasiar me parece até certo ponto medo demais.

Outro dado interessante é o alto número de sites eróticos que existem na internet principalmente a quantidade de gente que dá vida a esses sites, muitos deles com acesso restrito. As salas de chat erótico também fazem um sucesso tremendo e ver o que as pessoas buscam nelas em parte é o tema deste post.

Conhece-se gente em tudo quanto é lugar, até na internet. Isso é um fato normal e corriqueiro. Ao se conhecer as pessoas, a tendência é que relacionamentos surjam, amizade, ódio, namoro, casamento, seja lá o que for, as pessoas se relacionam de uma forma ou de outra. Com o advento da internet e a facilidade de comunicação surgiu uma parcela da população que se comunica e até jura amizade e fidelidade mesmo sabendo que nunca vai se ver ao vivo. E dentro desse grupo, vale a pena falar de outro grupo. Um pequeno grupo que cria todas as suas relações, inclusive as sexuais totalmente pela internet.

Para escrever esse texto, por uma semana visitei chats eróticos de grandes portais como Terra e Uol, queria entender o que era aquilo que as pessoas me falavam e principalmente ver se valia a pena gastar teclas com o assunto. E confesso que rendeu muita risada e principalmente medo.

Eu ri de muitas das histórias que li nos chats, dos comportamentos que observei e tive medo de algumas ações. Tem horas em que você percebe que as pessoas envolvidas naquele espaço virtual enxergam aquilo como realidade e fazem de tudo para viver aquilo como real. Procurei conversar com algumas pessoas sobre o que exatamente ocorre ali, porque fazem uso do espaço e coisas do gênero. Poucos estiveram abertos a esse tipo de contato.

Mas no geral, o que encontrei foram pessoas tímidas que disseram não conseguir nada fora dali, nem mesmo conhecer pessoas ao vivo. Então criam um personagem e expressam toda a sua sexualidade reprimida ali. Vivem aquilo de forma intensa e sentem aquilo como se realmente fosse o sexo mais real, divertido e saudável da face da Terra.

Tem o grupo dos que se dizem frustrados com seus relacionamentos reais e buscam apimentar as relações, partindo inclusive para encontros reais e algumas vezes com seus parceiros do mundo real, mas isso é tema pra outro post. E o terceiro grupo, menor, é o de gente que entra ali simplesmente pela farra, tirando sarro da situação e dos envolvidos, inclusive eles mesmos, por passarem horas de seu dia imaginando coisas e escrevendo para que possam se masturbar. As pessoas que buscam realidade mesmo, conhecer as pessoas ao vivo e tudo mais formam um grupo extremamente pequeno.

Nesse jogo virtual, me intrigou o primeiro grupo. Gente normal que se acha menos, gente que fantasia para poder ter uma sensação real que não consegue. Gente que tem medo e nem sabe ao certo do que. Um número extremamente alto de gente que foge de sua própria realidade.

Vejam, eu não critico a fantasia, acho saudável até. A indústria erótica movimenta muita grana e de forma honesta emprega muita gente. Estimula e brinca com o desejo de muitas pessoas e de muitas formas. Em alguns casos, realiza esses desejos ou os torna viáveis. O que eu critico aqui é o apenas fantasiar, viver num mundo de fantasia sem ter consciência disso. A música da Madonna fala de muitos desejos, brincadeiras e formas de se satisfazer sexualmente, se a pessoa se sente atraído por elas, por que não fazer ao vivo? Por que apenas fantasiar na frente de um computador?

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(I Can’t Get No) Satisfaction

28 06 2009
Ver essa cena não se compara a sensação de voar, existem coisas que não podem ser reproduzidas virtualmente

Ver essa cena não se compara a sensação de voar, existem coisas que não podem ser reproduzidas virtualmente

A internet hoje é vista como fonte de saber, entretenimento, lazer e até socialização. Já tenho falado disso a semana toda. Pretendo seguir com o tema pela próxima semana também. Hoje eu quero falar do uso que alguns de nós fazemos do mundo virtual. De fonte de prazer e realização. De um meio onde podemos encontrar toda a felicidade que não encontramos no cotidiano real.

Essa busca por um prazer quase viciante e irreal me fez buscar uma música super famosa dos Stones. Todo mundo conhece a banda e provavelmente todo mundo conhece a música que separei. (I Can’t Get No) Satisfaction é talvez uma das músicas mais conhecidas do mundo. Coloquei um link para a versão tocada pela banda no Rio de Janeiro alguns anos atrás, vale a pena clicar na música e ver e ouvir o som.

A letra da música parece levar a uma busca louca por algum prazer que motive a pessoa. Dirigir não é suficiente, ver TV não é suficiente, sexo parece ser a busca, mas as garotas fogem do cantor. E sua busca continua por prazer, ele quer prazer  porque nunca consegue se satisfazer. Talvez seja isso que leve uma grande parcela da população a ficar tanto tempo na frente de um computador buscando prazeres estranhos.

E aqui eu falo de prazeres estranhos não menosprezando as sensações, mas sim porque são prazeres do mundo real, levados de alguma forma para o mundo virtual. Não digo aqui se tratar de um complexo de Júlio Verne, onde alguém que mal pode sair de seu quarto consegue obter informações de todo o mundo dando a impressão de que tem total controle sobre essas informações. Isso é até factível e lógico. Usar conhecimento para gerar conhecimento é sempre algo interessante.

É claro que eu não quero que as pessoas parem de visitar o Museu do Louvre para fazerem visitas virtuais, a sensação seria totalmente diferente em cada um dos casos, mas uma visita virtual ao museu pode sim acrescentar algum tipo de informação útil. O que complica na verdade é quando não nos pegamos ao ato e sim a sensação gerada pelo ato.

Voltemos aos Stones, Mick Jagger quando fica pulando no palco e cantando: “Não consigo ficar satisfeito”, fica por acaso diferente das pessoas que criam toda a sua rede de relacionamentos e sensações no mundo virtual? Jogar todas as sensações no mundo virtual tem o mesmo peso de dizer o mundo real não presta. Tem o mesmo peso de dizer eu sou incapaz de viver sensações ao vivo, então as invento.

E dentro desse processo de invenção temos as pessoas que se reinventam totalmente. São as pessoas que acabam mudando nomes e imagens. Vendem-se com outro perfil, centímetros a mais, quilos a menos, músculos a mais, defeitos visíveis a menos. Pessoas altamente tímidas e inseguras que mudam completamente de comportamento protegidas por uma rede de cabos de fibra óptica.

Enquanto isso funciona como uma fantasia leve não existe problema algum. O problema é quando a pessoa simplesmente apaga seu mundo real e vive apenas em função desse personagem virtual que criou. Ao invés de tentar cada vez mais se aproximar no mundo real desse ideal criado, a opção acaba sendo destruir o real e viver cada vez mais o virtual. Como se só ele fosse possível de trazer algum tipo de felicidade e conforto para a pessoa.

Esses personagens passam a ganhar vida própria e tomam tudo o que deveria ser da pessoa, seu tempo, seu lazer, suas idéias e suas ações. O vício virtual chega ao nível de pessoas não conseguirem mais fazer nada que não seja ligado a rede. Todos os namoros são apenas virtuais, todos os amigos estão numa rede social na internet. A preocupação diária passa a ser chegar em casa o mais rápido possível para encontrar os amigos, sendo que na verdade esses amigos nunca foram vistos, possuem rostos, vozes e imagens criados virtualmente também.

Busque seu prazer, faça uso da rede, mas faça uso racional, faça com que o mundo virtual auxilie o real e não o oposto. É no mundo real que a gente ri, chora, tem medo e fica alegre. É no mundo real que a gente consegue ouvir os Stones berrando que não conseguem se satisfazer. Semana que vem eu continuo com isso. Quero falar de relacionamentos que começaram pela net e dão certo, os que falham e até sexo virtual, algo que confesso acho absurdo….rs

Pessoal, seu comentário me ajuda muito a escrever, mande sua opinião, fale o que achou dos textos e mesmo dê novas idéias para este espaço. Escrevemos porque outra pessoa vai ler e a resposta do leitor é sempre importante.





Computer Love Computerliebe

25 06 2009
Buscando companhia e fugindo do contato

Buscando companhia e fugindo do contato

Pensando no tema dessa semana fui buscar músicas para ilustrar o que eu quero escrever. Confesso que já tinha alguma coisa em mente. Talvez uma das escolhas mais óbvias tenha sido a música que separei para hoje (mais óbvia que a do Gil de terça-feira passada). Provavelmente eles sejam os pais da música eletrônica, com seu som baseado em teclados e sintetizadores.

O Kraftwerk nasceu nos anos 70 e até hoje é considerada uma das bandas mais influentes da história. Escolhi uma de suas músicas pela letra. Computer Love (ou computerliebe). Ela fala da busca de um encontro no mundo virtual e isso em 1981, o clipe criado pela Dadaistique (clique no nome da música) retrata bem uma idéia que ainda existe nos tempos atuais.

Hoje vou falar da busca por relacionamentos virtuais. Nas grandes cidades a solidão tem funcionado quase como uma prisão para uma parte das pessoas. O ritmo acelerado, as diversas obrigações diárias, o medo de se expor e a fragilidade existente nas pessoas acaba tornando elevadíssimo o número de pessoas que sofrem com a solidão, mesmo cercados por milhares e milhares quase diariamente.

Estamos nos tornando cada vez menos sociais. O contato entre as pessoas diminui, apesar de ser fácil ver bares lotados, festas lotadas, cinemas lotados, estádios lotados. As pessoas não se conhecem. Basta uma conversa com pessoas de gerações anteriores. Antigamente era comum as pessoas se conhecerem numa festa de bairro, num ônibus, até num mercado. Hoje, eu vou ao mercado quase todo dia, vejo sempre as mesmas pessoas por lá e confesso que mesmo depois de 2 anos, não sei o nome de ninguém.

Shopping centers lotados pessoas andando de um lado para o outro, quase sempre apresadas. Quantas se falam durante esse passeio? E nos parques? Praias? Metrô? Vivemos um período de medo, temos medo do outro, aquele que está ao nosso é hoje fonte de medo.

E ai chegasse a casa, liga-se o computador e a internet. Faz-se o que? Busca-se gente. Busca-se contato, o mesmo contato do qual se fugiu o dia todo. Chats, sites de relacionamento virtual, agências de namoro e tudo mais viram opções para uma turma que perdeu a coragem de se expor no dia a dia.

Ama-se pelo computador, conheço gente que só vive de relacionamentos virtuais, conversa horas com pessoas que estão distantes, do outro lado do mundo. Mas não sabem sequer o nome dos seus vizinhos, aqueles que numa emergência teoricamente seriam as primeiras pessoas a serem procuradas.

Não estou aqui fazendo coro contra o mundo virtual. Apenas quero dizer que a gente não pode exagerar. Se buscamos pessoas reais no mundo virtual, por que não buscar pessoas reais no mundo real? São as mesmas pessoas. Imagino a cena, um cara indo a padaria de manhã cedo, compra pão e leite, compra o jornal e umas revistas na banca ao lado da padaria. Uma mulher muito bonita passa por ele, ambos se olham e viram o olhar pro solo. Ela compra seus pães, compra também algo da banca, ficam minutos por ali lado a lado, até observam a mesma revista. Sem dizer uma palavra um ao outro. Nem um bom dia.

Saem dali e cada um se dirige a sua casa, talvez até com a lembrança da pessoa que estava ao seu lado em sua mente. Porém, sem a coragem de falar algo. Eis que, coisas do destino. Entram num chat e acabam por conversar. O mundo virtual os aproxima. Conversa vai, conversa vem e se descobrem vizinhos. Marcam pra um tempo depois um encontro, quem sabe um café naquela mesma padaria? Qual seria a surpresa de ambos ao se reconhecerem?

Pois é, isso é possível e até provável no mundo atual. Fica-me a pergunta, por que temos tanto medo daquilo que buscamos? E nem falo de um relacionamento amoroso, falo de um relacionamento com o humano. Por que buscamos numa tela de computador aquilo que está a centímetros da gente? Por que fazemos a mesma coisa que foi dita nos primórdios da internet pelo Kraftwerk? E principalmente, como mudar isso?

Eu continuarei no tema, no domingo devo postar algo sobre relacionamentos virtuais, brincar com algumas histórias que conheço, algumas deram certo, outras nem tanto.





Pela Internet

23 06 2009
A internet permite que você se sinta como no lugar da foto sem sair de casa.

A internet permite que você se sinta como no lugar da foto sem sair de casa.

Chegou o momento de falar do meio que uso para me comunicar com vocês. A internet, maravilhoso mundo virtual que faz com que gente do Japão possa saber o que eu penso e comentar as besteiras que eu escrevo. Já faz um tempo que eu queria usar o tema, escolher a música foi fácil, Gilberto Gil colaborou porque Pela Internet é perfeita para o que eu penso em falar hoje. Só demorei porque alguns temas acabaram ficando mais urgentes na cabeça de quem me lê.

Mas chegou o momento, confesso que tenho mesmo que criar meu website, fazer minha homepage com aquilo que faço e quero divulgar. Me falta habilidade pra aprender e encontrar a pessoa certa para isso. Mas é questão de tempo, até meu pai tem site , em fase de finalização, onde divulga o trabalho que faz com na área de recursos humanos.

Para mim, a internet é isso. Exatamente o que meu pai faz e o que eu faço aqui no meu blog. Um espaço onde você mostra ao mundo o que sabe fazer e recebe críticas ou elogios. É um centro de troca de informações. Um lugar para se conhecer gente (tema do próximo post) e para se aprender muito com gente. O uso correto da rede é simplesmente maravilhoso.

Como educador sempre vejo críticas fortes contra o uso da internet feito pelos jovens. Eu sou daqueles que acredita que mais importante do que proibir é ensinar a usar. Quase toda informação produzida nos dias de hoje pode ser encontrada na rede, por que não fazer uso dela? O que é importante é saber como fazer isso. Como selecionar a informação correta e principalmente como julgar aquilo que você lê. Porque mais importante do que a informação é o que se faz com ela e justamente é esse o grande ponto da educação atual, todos têm acesso a informação, mas quantos conseguem fazer algo de proveitoso com o que sabem?

Talvez seja esse o problema da internet, não o que ela traz, mas sim quem tem acesso ao que ela traz. É incrível a quantidade de absurdos que se lê por aqui. Mas também é incrível a quantidade de absurdos que encontramos em livros, nas ruas, na televisão, em qualquer local que se conviva com gente vamos viver cercados de absurdos. Mas também cercados de coisas úteis. O jogo correto é saber no que você quer se prender, ao útil, ao fútil ou ao perigoso?

Sim, é claro que sei que nem sempre tudo o que lemos deve ter alguma utilidade prática. O prazer faz parte do jogo, pode-se jogar, bater papo informal, conhecer coisas e nem por isso se perde tempo (se não for feito de modo excessivo). O problema é a informação perigosa, coisas do tipo como fazer uma bomba caseira, marcar brigas em sites de relacionamento e coisas afins. Esse é o erro de comportamento a ser caçado.

Aliás não consigo entender como tem gente que consegue gastar seu tempo com isso. Cada um faz suas escolhas, mas tem escolhas que nem deveriam ser cogitadas. Existem formas muito mais saudáveis de chamar a atenção e de maneira muito mais positiva para a própria imagem.

Eu disse o que penso, mas e você, que uso faz da internet? O que acha dela? No texto de quinta-feira falarei dos relacionamentos virtuais. Até lá.





What a Wonderful World

21 06 2009
Por que algumas vezes não percebemos o prazer de ver cenas como essa?

Por que algumas vezes não percebemos o prazer de ver cenas como essa?

Fiquei pensando em como terminar o tema dessa semana. Sobre a busca pela simplicidade. O primeiro passo foi escolher a música do post. Queria algo que dissesse exatamente aquilo que eu tinha em mente. A idéia de que apesar de ser difícil, ser simples é sempre a maneira mais fácil de conseguir o que se deseja. Fuçando nos arquivos, passeando pela internet, acabei achando a música certa. Ouvir Louis Armstrong cantando What a wonderful world é um presente. Adoro a música e adoro o que ela me traz.

A busca do prazer nas coisas simples como o perfume de uma flor, um sol nascendo, a chuva no rosto num dia de verão. Coisas que qualquer um pode aproveitar, mas que pouca gente consegue curtir. Aos que moram nos grandes centros, geralmente culpamos a vida corrida, o stress e a bagunça diária por não conseguirmos reparar nessas belezas diárias.

Justamente por não nos atermos ao mais comum e corriqueiro, acabamos buscando coisas impossíveis, colocamos objetivos muito além da nossa realidade. Uma viagem ao litoral perto de sua cidade não vale. Tem que ser naquele paraíso perdido e distante. Comer uma feijoada num boteco com os amigos depois do jogo de futebol não vale, tem que ser o restaurante francês mais caro da cidade. O emprego tem que ser sempre o mais cobiçado e não o que versa sobre aquilo que você mais gosta.

Aliás, já nem sabemos mais o que gostamos ou não em alguns casos. Ficamos numa busca hedonista, prazeres complexos e falsos tentando esconder aquilo que deveria ser óbvio. Não atingimos os nossos verdadeiros prazeres porque muitas vezes os tornamos difíceis demais, devido ao medo de assumir nossos desejos.

Não quero aqui dizer que tudo se resume a ver o sol brilhar no horizonte, cantar numa roda de violão ao lado de uma fogueira ou tomar banho de rio. É claro que temos outros desejos sim. É claro que queremos e buscamos muito mais coisas. Eu tenho meus sonhos malucos, gostaria de viver das fotos que faço e dos textos que escrevo. Gostaria de ter um amor legal, gostaria de uma casa no campo (ops eu moro no campo…rs). Na verdade como qualquer um eu busco também sensações, todos buscamos.

O que eu questiono, na verdade, é essa busca pelo falso prazer. A busca incessante pelo algo novo, por preencher um vazio que nunca se preenche (eu tenho vazios assim, assumo, sou humano). Buscar no irreal algo que preencha um vazio real é a estupidez. Justamente porque é dentro da gente que se encontra a resposta.

Se você não consegue ser feliz consigo mesmo, como vai encontrar felicidade em algo? Não é a bebida, não é o sexo fácil, não é o status, o dinheiro ou qualquer outra coisa que vai te dar aquilo que você já deveria ter e não encontra dentro de si mesmo. Procure dentro de você e descubra o que realmente falta para que você consiga achar o mundo maravilhoso em suas nuances mais simples.

Eu busco isso, e até imagino que um dia vá encontrar o que procuro, até lá fazendo de tudo pra fugir dos falsos prazeres (aqueles que no fundo não me trazem prazer algum) e tento me focar nas pequenas coisas e nos desejos reais, satisfazê-los é o que procuro.





Cartão Postal

18 06 2009
Só vou saber o que tem no alto da escadaria se eu tiver coragem de subir até lá.

Só vou saber o que tem no alto da escadaria se eu tiver coragem de subir até lá.

Prometi continuar falando da busca por simplicidade. Aliás prometi falar disso nos relacionamentos. Ainda que eu não seja o melhor exemplo pra falar de relacionamentos (estou no grupo dos encalhados), confesso que gosto de viajar sobre o assunto.  Conversando com amigos sobre o tema, sempre surgem algumas frases comuns da parte da turma que ainda está solteira: “Eu nunca entendo o que ela(e)s querem?”, “Por que nunca falam o que estão sentindo?” ou ainda “Ela(e) parecia que estava me dando um mole tremendo e dei com os burros n’água.

Estamos sempre reclamando não entender o sexo oposto, não entender o que o outro deseja, quando na maioria das vezes, o que falta mesmo é coragem pra tomar as decisões mais óbvias. Quer um bom exemplo disso? Qualquer um já deve ter vivenciado ou visto, quando adolescente uma cena comum. O rapaz todo envergonhado olha para a garota de longe. Ele, doido pra se aproximar, não sabe o que fazer. A garota, vendo de longe, torcendo pro garoto se aproximar. Provavelmente os dois estudam na mesma sala de aula ainda. Não seria muito mais fácil um chegar perto do outro e dizer que está interessado na outra pessoa?

Esse seria o óbvio, mas e o medo do não? O medo da derrota e de ouvir isso na frente dos outros, ou pior, ter que falar para os amigos que não deu certo. Afinal ambos contaram para todos os amigos que existia um interesse e esses “grandes amigos”, fizeram o favor de espalhar pra todo mundo num raio de 100 km que existe um interesse de y em x e talvez vice-versa. Não, somos derrotados pela vergonha.

Isso não acontece só com adolescentes, qualquer pessoa terá sempre uma reação parecida, não importa a idade ou o relacionamento. É o medo de falar que o casamento não está legal e perder o(a) companheiro(a), é o medo de dizer um desejo mais íntimo ao parceiro e ser visto (a) como vulgar, até o mesmo e ter que recomeçar a própria vida.

Nessa linha de pensamento, uma música gravada pelo Cazuza e composta pela Rita Lee e pelo Paulo Coelho serve como um bom tapa na cara para a gente acordar. Recomendo que prestem atenção na letra de Cartão Postal. A praticidade exposta na letra é de cortante. Pra que sofrer na despedida? Eu sei que ter tanta maturidade assim é complicado e sei também que dói perceber as nossas derrotas e falhas, por mais anunciadas que sejam. Por mais que um relacionamento vá mal, terminar é assumir a nossa falha em fazê-lo dar certo. Por mais que a pessoa que você está paquerando não tenha nada a ver com você e todo mundo perceba isso. Levar um fora é doloroso, nos dá uma sensação de impotência e incapacidade.

O que barra muitas vezes a vida de uma pessoa é o medo de sofrer pequenos contratempos em sua busca. Uma das primeiras coisas que aprendi no meu tempo de praticamente de judô foi a cair. Se você não cai, não tem motivo pra levantar. Se você tem medo de cair, como pode querer jogar alguém? Esse é um dos princípios do esporte (calma gente tem muito mais coisa, só peguei o trecho que me interessava nesse assunto). Perder o medo para poder melhorar e fazer direito. Ser direto e preciso no que quer, só assim testando, você saberá realmente se a sua resposta será positiva ou não.





Para o que vc gosta… Diariamente

16 06 2009
Poderíamos ser objetivos como esse sanhaço, você tem fome? vá atrás de comida e pronto.

Poderíamos ser objetivos como esse sanhaço, você tem fome? vá atrás de comida e pronto.

Final da semana dos encalhados, ops namorados. Momento de um novo tema. Talvez não tão novo, visto que parte dele vem justamente do que escrevi semana passada. Quem leu os textos da semana passada, principalmente o texto Eu me Amo, não posso mais viver sem mim…, tem a sensação que eu sou um cara cheio de amor próprio, cheio de coragem e totalmente decidido. Na verdade não é bem assim, aliás tenho medo de um monte de coisas, mais do que se pode imaginar. Apenas tento ser um cara prático.

A praticidade é talvez o maior dos meus mantras e mote principal das minhas ações. Busco sempre ser prático, o caminho mais óbvio dentre as opções que surgem. Até para conseguir entender o que leva algumas coisas a não funcionarem a contento. Dentro dessa linha de pensamento, a música Diariamente composta por Nando Reis e cantada por Marisa Monte de forma belíssima se torna quase um hino ao prático.

A forma como as idéias são apresentadas uma a uma mostram que sempre a busca pela resposta tem que ser objetiva, se você tem o problema A, a resposta nunca vai ser algo de B, mas sim algo parecido com A. Talvez por ser biólogo, a idéia de que tudo na natureza é simples me seja bastante familiar. E como professor vejo meus alunos muitas vezes buscando soluções mirabolantes para problemas simples. Gente, o simples é realmente simples. Física Quântica vai ser algo simples se você estiver inserido dentro do contexto.

E isso serve para tudo na nossa vida. Muitas vezes enrolamos com desculpas mil para erros que nós cometemos. A falta de coragem muitas vezes é o que nos leva a tomar decisões longas e que dão muito mais trabalho depois do que o caminho óbvio. Eu curto a simplicidade, decisões como “… Para diíceis contas: calculdora…”. ou “… Para viagens longas: jato…”, funcionam perfeitamente.

Afinal pra que se preocupar com o tempo da viagem se ela tem que ser feita? se você tem que fazer as contas, aprenda como elas funcionam, se não sabe, ao menos saiba usar uma calculadora e pronto, mas resolva, é esse o caminho. Um amigo meu fotografa casamentos, já fui com ele algumas vezes e as lembranças das noivas por mais diferentes que sejam, acabam girando mesmo em torno do tal marzipã, falta de criatividade? Não, apenas a coisa funciona, se você tem milhares de coisas para se preocupar, para que ficar procurando pêlo em ovo?

Justamente porque procurar pêlo em ovo é uma das coisas que mais fazemos durante a nossa existência. Nessa semana quero brincar com essa idéia, na quinta vou dar exemplos de como fazemos isso nos relacionamentos, como conseguimos complicar coisas que são absurdamente simples. Você tem algum exemplo de ação que deveria ter sido mais simples? que tal mandar um exemplo? Estou aguardando (assim como o filme do david Byrne, pra quem não sabe ele é foi o vocalista dos Talking Heads, banda de muito sucesso nos anos 80, hoje é divulgador de world music e ainda lança alguma coisa interessante.