Cartão Postal

18 06 2009
Só vou saber o que tem no alto da escadaria se eu tiver coragem de subir até lá.

Só vou saber o que tem no alto da escadaria se eu tiver coragem de subir até lá.

Prometi continuar falando da busca por simplicidade. Aliás prometi falar disso nos relacionamentos. Ainda que eu não seja o melhor exemplo pra falar de relacionamentos (estou no grupo dos encalhados), confesso que gosto de viajar sobre o assunto.  Conversando com amigos sobre o tema, sempre surgem algumas frases comuns da parte da turma que ainda está solteira: “Eu nunca entendo o que ela(e)s querem?”, “Por que nunca falam o que estão sentindo?” ou ainda “Ela(e) parecia que estava me dando um mole tremendo e dei com os burros n’água.

Estamos sempre reclamando não entender o sexo oposto, não entender o que o outro deseja, quando na maioria das vezes, o que falta mesmo é coragem pra tomar as decisões mais óbvias. Quer um bom exemplo disso? Qualquer um já deve ter vivenciado ou visto, quando adolescente uma cena comum. O rapaz todo envergonhado olha para a garota de longe. Ele, doido pra se aproximar, não sabe o que fazer. A garota, vendo de longe, torcendo pro garoto se aproximar. Provavelmente os dois estudam na mesma sala de aula ainda. Não seria muito mais fácil um chegar perto do outro e dizer que está interessado na outra pessoa?

Esse seria o óbvio, mas e o medo do não? O medo da derrota e de ouvir isso na frente dos outros, ou pior, ter que falar para os amigos que não deu certo. Afinal ambos contaram para todos os amigos que existia um interesse e esses “grandes amigos”, fizeram o favor de espalhar pra todo mundo num raio de 100 km que existe um interesse de y em x e talvez vice-versa. Não, somos derrotados pela vergonha.

Isso não acontece só com adolescentes, qualquer pessoa terá sempre uma reação parecida, não importa a idade ou o relacionamento. É o medo de falar que o casamento não está legal e perder o(a) companheiro(a), é o medo de dizer um desejo mais íntimo ao parceiro e ser visto (a) como vulgar, até o mesmo e ter que recomeçar a própria vida.

Nessa linha de pensamento, uma música gravada pelo Cazuza e composta pela Rita Lee e pelo Paulo Coelho serve como um bom tapa na cara para a gente acordar. Recomendo que prestem atenção na letra de Cartão Postal. A praticidade exposta na letra é de cortante. Pra que sofrer na despedida? Eu sei que ter tanta maturidade assim é complicado e sei também que dói perceber as nossas derrotas e falhas, por mais anunciadas que sejam. Por mais que um relacionamento vá mal, terminar é assumir a nossa falha em fazê-lo dar certo. Por mais que a pessoa que você está paquerando não tenha nada a ver com você e todo mundo perceba isso. Levar um fora é doloroso, nos dá uma sensação de impotência e incapacidade.

O que barra muitas vezes a vida de uma pessoa é o medo de sofrer pequenos contratempos em sua busca. Uma das primeiras coisas que aprendi no meu tempo de praticamente de judô foi a cair. Se você não cai, não tem motivo pra levantar. Se você tem medo de cair, como pode querer jogar alguém? Esse é um dos princípios do esporte (calma gente tem muito mais coisa, só peguei o trecho que me interessava nesse assunto). Perder o medo para poder melhorar e fazer direito. Ser direto e preciso no que quer, só assim testando, você saberá realmente se a sua resposta será positiva ou não.

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One response

20 06 2009
Caio

Outro exemplo é o de admitir que a pessoa não está afim de nós, simplesmente. Ficamos presos a uma visão ilusória e sofrendo com angustias, tentando encontrar mil interpretações subjetivas de palavras, atitudes, etc da pessoa desejada para validar (à força) nossa crença. Gostei do trecho da música que diz: Baby só vai quem chegou! Simplesmente, na mosca. 🙂




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