Computer Love Computerliebe

25 06 2009
Buscando companhia e fugindo do contato

Buscando companhia e fugindo do contato

Pensando no tema dessa semana fui buscar músicas para ilustrar o que eu quero escrever. Confesso que já tinha alguma coisa em mente. Talvez uma das escolhas mais óbvias tenha sido a música que separei para hoje (mais óbvia que a do Gil de terça-feira passada). Provavelmente eles sejam os pais da música eletrônica, com seu som baseado em teclados e sintetizadores.

O Kraftwerk nasceu nos anos 70 e até hoje é considerada uma das bandas mais influentes da história. Escolhi uma de suas músicas pela letra. Computer Love (ou computerliebe). Ela fala da busca de um encontro no mundo virtual e isso em 1981, o clipe criado pela Dadaistique (clique no nome da música) retrata bem uma idéia que ainda existe nos tempos atuais.

Hoje vou falar da busca por relacionamentos virtuais. Nas grandes cidades a solidão tem funcionado quase como uma prisão para uma parte das pessoas. O ritmo acelerado, as diversas obrigações diárias, o medo de se expor e a fragilidade existente nas pessoas acaba tornando elevadíssimo o número de pessoas que sofrem com a solidão, mesmo cercados por milhares e milhares quase diariamente.

Estamos nos tornando cada vez menos sociais. O contato entre as pessoas diminui, apesar de ser fácil ver bares lotados, festas lotadas, cinemas lotados, estádios lotados. As pessoas não se conhecem. Basta uma conversa com pessoas de gerações anteriores. Antigamente era comum as pessoas se conhecerem numa festa de bairro, num ônibus, até num mercado. Hoje, eu vou ao mercado quase todo dia, vejo sempre as mesmas pessoas por lá e confesso que mesmo depois de 2 anos, não sei o nome de ninguém.

Shopping centers lotados pessoas andando de um lado para o outro, quase sempre apresadas. Quantas se falam durante esse passeio? E nos parques? Praias? Metrô? Vivemos um período de medo, temos medo do outro, aquele que está ao nosso é hoje fonte de medo.

E ai chegasse a casa, liga-se o computador e a internet. Faz-se o que? Busca-se gente. Busca-se contato, o mesmo contato do qual se fugiu o dia todo. Chats, sites de relacionamento virtual, agências de namoro e tudo mais viram opções para uma turma que perdeu a coragem de se expor no dia a dia.

Ama-se pelo computador, conheço gente que só vive de relacionamentos virtuais, conversa horas com pessoas que estão distantes, do outro lado do mundo. Mas não sabem sequer o nome dos seus vizinhos, aqueles que numa emergência teoricamente seriam as primeiras pessoas a serem procuradas.

Não estou aqui fazendo coro contra o mundo virtual. Apenas quero dizer que a gente não pode exagerar. Se buscamos pessoas reais no mundo virtual, por que não buscar pessoas reais no mundo real? São as mesmas pessoas. Imagino a cena, um cara indo a padaria de manhã cedo, compra pão e leite, compra o jornal e umas revistas na banca ao lado da padaria. Uma mulher muito bonita passa por ele, ambos se olham e viram o olhar pro solo. Ela compra seus pães, compra também algo da banca, ficam minutos por ali lado a lado, até observam a mesma revista. Sem dizer uma palavra um ao outro. Nem um bom dia.

Saem dali e cada um se dirige a sua casa, talvez até com a lembrança da pessoa que estava ao seu lado em sua mente. Porém, sem a coragem de falar algo. Eis que, coisas do destino. Entram num chat e acabam por conversar. O mundo virtual os aproxima. Conversa vai, conversa vem e se descobrem vizinhos. Marcam pra um tempo depois um encontro, quem sabe um café naquela mesma padaria? Qual seria a surpresa de ambos ao se reconhecerem?

Pois é, isso é possível e até provável no mundo atual. Fica-me a pergunta, por que temos tanto medo daquilo que buscamos? E nem falo de um relacionamento amoroso, falo de um relacionamento com o humano. Por que buscamos numa tela de computador aquilo que está a centímetros da gente? Por que fazemos a mesma coisa que foi dita nos primórdios da internet pelo Kraftwerk? E principalmente, como mudar isso?

Eu continuarei no tema, no domingo devo postar algo sobre relacionamentos virtuais, brincar com algumas histórias que conheço, algumas deram certo, outras nem tanto.

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5 responses

25 06 2009
kelly Cris

Eu também gostei muito do seu blog, muito obrigada pela visita
e que Dionisio te ilumine para novas ideias no domingo…

bjitos

26 06 2009
Avassaladoras Rio

Querido amigo avassalador….
Muito interessante a escolha do tema. Há uns 2 anos, não sei se USP ou Unicamp .. de fato esqueci, mas vou procurar a reportagem que arquivei em algum pen drive… Começou uma seria pesquisa sobre relacionamentos virtuais e usou a internet como instrumento. Todos os questionarios da pesquisa foram respondidos via internet… e nenhum dos participantes da pesquisas jamais foi “visto”… acataram no maximo dois IP’s para respostas… Os resultados forma muito significativos sobre o distanciamento das relações reais …

26 06 2009
Fabiola

Sem comentarios.

risos

adorei o tema, e o texto, so queria comentar que a violencia anda tao absurda que as pessoas passaram a nao se introsar com o outro, porem a internet nao anda tao confiavel para se conhecer pessoas, porque como os bandidos percebera que as pessoas ficam muito tempo dentro de casa usando a internet e despejando informacoes pessoais na internet ficou mais facil para achar vitimas perfeitas, e dai acontecem os crimes que por parte inicialmente sao virtuais. Ah e eu sofro dessa solidao, e passo muito tempo na frente do computador, mas ja estou para mudar isso.

beijos Alex.

26 06 2009
Dona

Interessante esse tema, mas eu não posso falar de relacionamento virtual com uma opinião imparcial. Trabalho na net, fiz e mantive amigos virtuais que são ótimos amigos (vc é um deles) e até meu pedido de casamento foi feito via Internet. Então, eu, mais do que ninguém, não vejo isso como fuga, vejo como relacionamentos reais. Se vc é uma pessoa normal, os relacionamentos sempre vão pra esfera real, em algum momento ou em outro. Beijos, Jackie

26 06 2009
Lak

Acho que talvez as pessoas prefiram os relacionamentos virtuais por 2 motivos:
1. porque pessoalmente, nem sempre as outras pessoas se mostrem receptivas ao contato inesperado. Já na Internet, as pessoas estão buscando justamente esse contato e sempre (ou quase sempre) se mostrem abertas e receptivas.
2. Porque é mais fácil descartar da sua vida alguém com quem você nunca mais precisa esbarrar pela frente, se não quiser.
Se isso é bom ou ruim, não sei… Mas, certamente, é um meio.
Beijos




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