(I Can’t Get No) Satisfaction

28 06 2009
Ver essa cena não se compara a sensação de voar, existem coisas que não podem ser reproduzidas virtualmente

Ver essa cena não se compara a sensação de voar, existem coisas que não podem ser reproduzidas virtualmente

A internet hoje é vista como fonte de saber, entretenimento, lazer e até socialização. Já tenho falado disso a semana toda. Pretendo seguir com o tema pela próxima semana também. Hoje eu quero falar do uso que alguns de nós fazemos do mundo virtual. De fonte de prazer e realização. De um meio onde podemos encontrar toda a felicidade que não encontramos no cotidiano real.

Essa busca por um prazer quase viciante e irreal me fez buscar uma música super famosa dos Stones. Todo mundo conhece a banda e provavelmente todo mundo conhece a música que separei. (I Can’t Get No) Satisfaction é talvez uma das músicas mais conhecidas do mundo. Coloquei um link para a versão tocada pela banda no Rio de Janeiro alguns anos atrás, vale a pena clicar na música e ver e ouvir o som.

A letra da música parece levar a uma busca louca por algum prazer que motive a pessoa. Dirigir não é suficiente, ver TV não é suficiente, sexo parece ser a busca, mas as garotas fogem do cantor. E sua busca continua por prazer, ele quer prazer  porque nunca consegue se satisfazer. Talvez seja isso que leve uma grande parcela da população a ficar tanto tempo na frente de um computador buscando prazeres estranhos.

E aqui eu falo de prazeres estranhos não menosprezando as sensações, mas sim porque são prazeres do mundo real, levados de alguma forma para o mundo virtual. Não digo aqui se tratar de um complexo de Júlio Verne, onde alguém que mal pode sair de seu quarto consegue obter informações de todo o mundo dando a impressão de que tem total controle sobre essas informações. Isso é até factível e lógico. Usar conhecimento para gerar conhecimento é sempre algo interessante.

É claro que eu não quero que as pessoas parem de visitar o Museu do Louvre para fazerem visitas virtuais, a sensação seria totalmente diferente em cada um dos casos, mas uma visita virtual ao museu pode sim acrescentar algum tipo de informação útil. O que complica na verdade é quando não nos pegamos ao ato e sim a sensação gerada pelo ato.

Voltemos aos Stones, Mick Jagger quando fica pulando no palco e cantando: “Não consigo ficar satisfeito”, fica por acaso diferente das pessoas que criam toda a sua rede de relacionamentos e sensações no mundo virtual? Jogar todas as sensações no mundo virtual tem o mesmo peso de dizer o mundo real não presta. Tem o mesmo peso de dizer eu sou incapaz de viver sensações ao vivo, então as invento.

E dentro desse processo de invenção temos as pessoas que se reinventam totalmente. São as pessoas que acabam mudando nomes e imagens. Vendem-se com outro perfil, centímetros a mais, quilos a menos, músculos a mais, defeitos visíveis a menos. Pessoas altamente tímidas e inseguras que mudam completamente de comportamento protegidas por uma rede de cabos de fibra óptica.

Enquanto isso funciona como uma fantasia leve não existe problema algum. O problema é quando a pessoa simplesmente apaga seu mundo real e vive apenas em função desse personagem virtual que criou. Ao invés de tentar cada vez mais se aproximar no mundo real desse ideal criado, a opção acaba sendo destruir o real e viver cada vez mais o virtual. Como se só ele fosse possível de trazer algum tipo de felicidade e conforto para a pessoa.

Esses personagens passam a ganhar vida própria e tomam tudo o que deveria ser da pessoa, seu tempo, seu lazer, suas idéias e suas ações. O vício virtual chega ao nível de pessoas não conseguirem mais fazer nada que não seja ligado a rede. Todos os namoros são apenas virtuais, todos os amigos estão numa rede social na internet. A preocupação diária passa a ser chegar em casa o mais rápido possível para encontrar os amigos, sendo que na verdade esses amigos nunca foram vistos, possuem rostos, vozes e imagens criados virtualmente também.

Busque seu prazer, faça uso da rede, mas faça uso racional, faça com que o mundo virtual auxilie o real e não o oposto. É no mundo real que a gente ri, chora, tem medo e fica alegre. É no mundo real que a gente consegue ouvir os Stones berrando que não conseguem se satisfazer. Semana que vem eu continuo com isso. Quero falar de relacionamentos que começaram pela net e dão certo, os que falham e até sexo virtual, algo que confesso acho absurdo….rs

Pessoal, seu comentário me ajuda muito a escrever, mande sua opinião, fale o que achou dos textos e mesmo dê novas idéias para este espaço. Escrevemos porque outra pessoa vai ler e a resposta do leitor é sempre importante.

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