Eu tô voando – Karnak

7 07 2009
Vemos muita coisa diante dos nossos olhos e temos medo de agir

Vemos muita coisa diante dos nossos olhos e temos medo de agir

Depois de ficar duas semanas falando de internet, é momento de falar desse mundão real. Nessa semana pretendo falar da relação causa e efeito que temos nesse mundo. As escolhas que fazemos podem alterar o destino de outras pessoas? Até que ponto é viagem o tal efeito borboleta (eu sei que não é ciência, mas é engraçado como tem gente que vende isso como artigo científico)?

O tema nasceu de uma conversa breve com a amiga Lak do blog Desculpe, não ouvi. Ela contou de um filme que assistiu a um tempo e que mexeu com ela. Fala de um jovem que se mata e a sua morte influencia a vida de seus amigos durante um longo tempo. Enfim, uma idéia interessante para se discutir.

Mas por onde começar? Essa foi a questão inicial. Confesso que fiquei matutando sobre isso enquanto tentava dirigir no pesado trânsito paulistano num mês de férias. Acabei fazendo a opção mais lógica. Começar pelo medo de assumir qualquer responsabilidade que paira sobre muitos de nós em algum momento da vida. A vontade que às vezes paira sobre nós de ser apenas meros observadores do mundo que nos cerca. Eu tinha até a música perfeita para isso. Ano passado, fui ao teatro depois de um longo e tenebroso inverno (vergonha, preciso voltar a ver peças), fui assistir uma peça do Karnak e da Companhia Fractais chamada Universo Umbigo, muito boa por sinal. Numa das cenas, o André Abujamra é levantado por cabos e começa a cantar que do céu dá pra ver tudo, gente triste, gente feliz, passarinho voando, vendaval, cachorro, cabrito, etc.

Na letra ele é apenas espectador, fui atrás da música, se chama Eu to voando, para ver uma filmagem de parte da cena, clique aqui, se quiser ver um clipe completo da música, clique aqui pra ver uma apresentação do Karnak no Sesc Pompéia. Mas voltando, na cena o ator/cantor é apenas espectador e se sente maravilhado por aquilo. Tudo passa diante de seus olhos,  mas ele não tem vontade, coragem ou desejo de interferir nos atos.

Até que ponto nós somos assim? Assistimos a tudo o que passa diante dos nossos olhos sem ter a coragem de interferir. Seja um assalto na rua, uma pessoa que leva um tombo ou alguém que precisa de ajuda? E os mendigos invisíveis? Parece que temos medo de tomar parte, de assumir a nossa parcela de culpa e responsabilidade pelos atos da nossa sociedade.

Não é raro dizermos que isso não é culpa nossa, que não nos atinge ou que honestamente não vimos mesmo o que estava se passando diante dos nossos olhos. E assim a vida segue, elegemos pessoas e delegamos a elas todo o poder e responsabilidade por algo que também deveria ser de nossa responsabilidade. Damos o nosso apoio no momento positivo, em caso de derrota a culpa é sempre do outro (vide os atletas que só são valorizados em caso de sucesso, mas ninguém vê o quanto ralam pra competir em alto nível).

Cobramos de pessoas com um poder aquisitivo maior que ajudem a sociedade, sejam socialmente ativas, distribuam parte de sua fortuna, principalmente celebridades esportivas e artísticas, mas muitas vezes não fazemos nada. Julgamos o mundo que passa diante dos nossos olhos da janela que abrimos para ele e se algo ameaça respingar em nosso rosto, simplesmente fechamos a janela e continuamos julgando através da vidraça.

Por que temos esse medo? Eu imagino que esse medo surja por duas diferentes situações, a primeira é a falta de confiança em nós mesmos, o peso da decisão pode parecer forte demais para alguns. A segunda situação aparentemente parece ligada a primeira, mas não é. Não é o peso da responsabilidade, mas sim a sequência de ações que virão decorrentes de cada escolha feita.

Isso decorre do fato de em muitas de nossas escolhas sempre alguém sai machucado. Quando se faz a coisa certa pesa-se a dor causada ao outro e principalmente a força interior que temos para agüentar a responsabilidade de causar essa dor. Porque milhares de ações sempre acabam interligadas e julgar tudo o que está envolvido em cada ação é complexo e cansativo demais. Talvez por isso, em vários casos preferimos atuar como espectadores e repetir um bordão clássico de quem sempre espera: A VIDA SEGUE…

Anúncios

Ações

Information

One response

11 07 2009
Estela

Realmente, às vezes por medo, deixamos de tomar decisões, mas, por experiência própria, é muito bom quando assumimos o medo e tomamos decisões necessárias, pois fica uma sensação de força. Força porque o efeito de nossas atitudes mudam a vida dos outros e precisamos ser fortes para encararmos isso. Eu recomendo!
Adorei a escolha da música!!!
Bjs,

Estela




%d blogueiros gostam disto: