Epitáfio – Titãs

21 07 2009
Que as pétalas aplaquem a dor da saudade

Que as pétalas aplaquem a dor da saudade

Hoje foi um dia triste, aliás, não foi, está sendo. Acabei de vir de uma cerimônia de cremação.  A morte de uma pessoa conhecida. Esse tipo de evento sempre choca e tira o ânimo. A dor da perda é sempre forte, principalmente para as pessoas mais próximas. Ver o sofrimento do outro hoje doeu muito em mim.

Desde que nascemos sabemos que a única certeza é a da morte. Desde que abrimos os olhos sabemos que um dia não mais perceberemos que o tempo passa. Eu particularmente encaro a minha morte como algo totalmente normal. Tenho uma relação dúbia com a vida. Porém, confesso que a dor do outro me incomoda muito. Ver alguém chorando por uma pessoa que partiu machuca.

Depois de deixar as pessoas que me acompanharam em parte do trajeto, vim para casa pensando. Eu iria falar nessa semana de preconceitos, tinha até bolado a sequência, mas confesso que o que vi hoje me fez mudar de idéia. A primeira música também foi até que óbvia. Confesso que fiquei com ela na cabeça. Sempre gostei dos Titãs e das mais recentes, Epitáfio (clique aqui para ver o clipe) é uma das que mais gosto.

Essa idéia de aproveitar melhor a vida, viver ao máximo é instigante. Confesso que pensei nisso durante todo o dia. Sempre me parece que a dor da separação está mais ligada a sensação de que não se viveu tudo o que se poderia ao lado da pessoa. Esse sentimento de perda não está só na morte, mas em tudo aquilo que nos é caro, seja um relacionamento, seja um emprego, seja uma idéia.

A dor é maior quando percebemos que nada mais pode ser feito. Tudo aquilo que foi pensado e planejado simplesmente é tirado da gente. E sem chance de retomar. Tem quem consiga levar isso de forma tão leve que não se abala com nada. Tem que se desmonte a cada derrota.

As pessoas que conseguem levar a vida as últimas conseqüências, procurando aproveitar todos os segundos e tirando o máximo de proveito de cada ação talvez sejam as mais corretas. Estas nunca poderão dizer que não aproveitaram ao máximo tudo o que viveram. Estes estão sempre prontos para a morte, porque buscam a intensidade na forma de viver.

Estas pessoas vistas por muitos como irresponsáveis, talvez estejam elevando ao máximo a sua responsabilidade. A responsabilidade que cada um carrega para com a própria existência. Justamente por isso assumem riscos, tudo em nome do prazer e de marcar a sua vida como algo positivo, independente do tempo em que ela dure.

Hoje, com a dor que eu estou sentindo, a única coisa que posso recomendar ao meus leitores é que procurem viver bem o tempo que possuem, procurem encontrar o prazer existente em tudo o que fazem. Deixe boas lembranças em quem convive com você e não deixe nada incompleto. É claro que quando você partir as pessoas vão chorar por você, mas se você fizer isso, o choro será um choro de saudade como o que vi hoje e não de desespero, medo ou ódio como vi em outras situações.

Rest in Peace.

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One response

22 07 2009
Dona

Adoro essa música, a letra é inspirada e resume bem que a gente não deve deixar pra depois o que quer fazer. Ótima escolha! 😉




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