Return To Innocence – Enigma

23 07 2009
Não temos o controle sobre a dor que sentimos

Não temos o controle sobre a dor que sentimos

Continuo a semana falando de perdas. Ainda com a dor da morte na cabeça procuro seguir adiante no tema. A morte provavelmente é a perda mais traumática e a mais difícil de ser aceita, pois é a única que não tem volta. Todas as outras de uma maneira ou de outra podem ser revertidas até certo ponto. Conviver com a dor das perdas também é algo inevitável em nossa existência. Duro é encontrar a maneira correta de sobreviver a dor. Cada um cria sua forma e cada um sofre de um jeito.

Uma forma de atenuar o sofrimento por uma perda pode ser buscar dentro de si mesmo a força necessária. Eximir-se de culpa, aceitar o medo sem fazer dele um opressor. Aceitar-se como um ser humano normal que sofre como todos os outros. A música  Return To Innocence do projeto Enigma (clique aqui para ver o clipe), fala bastante nessa linha. “Não chore por ser fraco, não se orgulhe por ser forte”. Frases como essas me fazem pensar ser este o caminho mais calmo e real para agüentar toda a dor que paira sobre a gente.

O motivo que causa a dor pode ser diverso. Confesso que para o texto de hoje isso não importa. Importa é a forma como lidamos com isso. Não digo no momento inicial ou mesmo no instante máximo de dor. Mas sim depois que a crise inicial passa. No momento em que mesmo com a dor já temos que retomar as nossas idéias racionais.

Eu confesso que tenho dificuldade de lidar com algumas das dores que sinto. Provavelmente não tenha elaborado ainda o final do meu último namoro e nem sei quando isso vai acontecer ou se vai, mas isso não me impede de produzir, não chegou a me impedir de produzir nem mesmo no dia seguinte ao término. Conheço gente enterrou alguém especial de manhã e a tarde está trabalhando a toda no escritório como se nada tivesse acontecido. E também conheço gente que por queimar a resistência do chuveiro e ter que terminar um banho com água fria ficou uma semana toda fora do eixo.

Justamente nesse ponto penso na música que escolhi e no clipe da mesma. Tem horas em que é preciso fazer o caminho de voltar e realmente retornar a inocência, buscar o lado mais puro e honesto que possuímos para que tudo volte aos eixos o mais rápido possível. Admitir os pontos em que falhamos e entender que muita coisa está além do nosso controle. Aceitar essa imperfeição humana talvez seja o ponto mais duro. Mas sem aceitar isso se torna impossível aceitar qualquer perda, não somos imortais, não somos perfeitos e muito menos tão inteligentes como imaginamos. Somos apenas humanos que carregam em si milhares de qualidades e defeitos.

Como diz a música é preciso retornar a si mesmo para entender o que causa cada dor. Com isso em mãos, melhorar e buscar uma cura torna-se mais fácil. Eu sei que tenho ainda minhas curas, que algumas perdas ainda me incomodam. Diariamente eu me pergunto em que posso melhorar. Muitas vezes sublimo sim os medos que aparecem. Procuro crescer nesse ponto a cada dia. Procuro sempre voltar pra dentro de mim mesmo e ai ter forças para superar cada nova dor que surge.

Eu vi o sofrimento no rosto de algumas pessoas essa semana e confesso que isso me machucou muito. Espero que eles tenham força para seguir adiante. Foi uma perda forte, daquelas difíceis de se apagar. A única coisa que posso fazer hoje é oferecer meu ombro e meu apoio.Confesso que essa incapacidade também me incomoda. É duro aceitar que não podemos resolver os problemas que surgem diante dos nossos olhos e também dói saber que não podemos viver a dor do outro. Que essa dor seja breve.

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