London, London – Caetano Veloso

31 07 2009
Poderíamos ser como as aves que não reconhecem fronteiras

Poderíamos ser como as aves que não reconhecem fronteiras

Hoje as fronteiras diminuíram, é muito mais fácil chegar ao outro lado do mundo, seja através de um computador, seja fisicamente. Ficou muito mais barato, rápido e acessível se aventurar por cidades, estados, países distantes. Muita gente nasce numa região do globo e por motivos diversos acaba em outro lugar.

Essa facilidade deveria diminuir as diferenças entre os povos. As pessoas deveriam respeitar-se mais, aceitar mais o modo de ser e pensar dos outros, os costumes de cada um deveriam ser aceitos. Infelizmente não é o que ocorre. Poderia hoje falar do que ocorre no Oriente Médio, mas deixarei essa discussão para a próxima semana. Quero me prender ao preconceito religioso mais adiante.

Hoje eu quero falar das pessoas que passam por situações embaraçosas fora de sua terra natal. Tenho vários amigos que saíram ou do país ou mesmo de suas cidades aqui dentro do Brasil e em maior ou menor grau se envolveram com algum tipo de preconceito (ou para com ele ou por parte deles). Para isso, uso a música London, London (clique aqui para ver um clipe) do Caetano Veloso. A música fala de como ele se sentiu exilado em Londres durante a ditadura no Brasil.

Justamente essa música serve de ponte para falar de uma amiga minha (e leitora desse blog) que mora na Alemanha (clique aqui para ler as histórias dela sobre a vida na Alemanha). Resumindo sua história, ela casou-se com um alemão e mudou-se para uma pequena cidade alemã, vale a pena ler o que ela fala sobre seu período de adaptação. Retirando de seu blog, cito um fato curto pra explicar o modo como as diferenças são grandes. Aqui enviar os idosos para um asilo causam uma briga familiar fortíssima, os idosos ficam com a família, lá mandar para asilo é o mais comum. Aqui a gente se cumprimenta com beijo e abraço, anda agarrado mesmo, lá, até marido e mulher não são tão grudados assim.

Imaginem as complicações, você é visto como um diferente e vê os outros como diferentes. Você é visto como dado e fácil por querer beijar todo mundo no rosto num país mais reservado e vê os outros como frios. Essa é uma impressão geral, claro que com o tempo isso muda. Aliás, segundo a flor (dona do blog, acredite vale mesmo a pena ler), só quando ela resolveu parar de reclamar e cair de cabeça na cultura diferente a coisa facilitou.

Ela fala de viver como turista, aquele que se diverte com tudo. Infelizmente não é bem assim. Amigos meus foram para países da Europa a passeio. Falam da forma como alguns foram mal unanimidade. Apesar de falarmos a mesma língua, a comunicação não é fácil. A forma de tratamento parece trazer ainda resquícios coloniais e o comportamento dos povos é extremamente diferente. As pessoas que conheço e para lá foram de mala e cuia relatam que a demora para serem aceitos é muito grande. Por outro lado, quando você vai de uma nação mais economicamente poderosa, o tratamento é outro.

Isso ocorre aqui também. Veja como tratamos os bolivianos do Bom Retiro e a forma como tratamos os turistas europeus em Copacabana. Tratamos de forma diferente, infelizmente. Idéias de dominação e dominado ainda persistem nessa convivência. Estende-se o tapete vermelho a quem traz os bolsos cheios e trata-se como lixo quem vem de regiões periféricas.

Algo que ainda bem não é tão comum aqui é o massacre cultural. Aqui se permite que os bolivianos falem em castelhado, os coreanos em seu idioma nativo e os turistas em geral não são recriminados por sua língua. Os costumes também são liberados, aliás, acho que deveríamos até dar um pouco mais de valor ao que nós produzimos, nessa confusão perdemos um pouco da nossa própria história cultural.

Em alguns países, até mesmo manifestações culturais são perseguidas. Vistas como coisa de terceiro mundo. Como se só a cultura do dominante valesse a pena. Algo que gosto é ver aqui diversos bairros étnicos, mas mais interessante que isso, ver nesses bairros tudo misturado. Sushi man nordestino. Tocador de sanfona árabe, esfiharia dejaponeses. Essa miscelânea deveria ser o mundo moderno. Infelizmente não é.

Aliás, já que falei de nordestinos, alguém consegue me explicar o porquê das idéias separatistas do sul? Porque falam tanto mal dos nordestinos? Afinal somos todos brasileiros e iguais. Talvez falte coragem para admitir isso, mas é a mais pura verdade

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2 responses

31 07 2009
Lak

No dia que o mundo perder as fronteiras mentais e perceber que a única coisa que afastar os outros seres humanos não é de nenhuma valia, 90% dos problemas de discriminação da humanidade somem….
Beijinhos

31 07 2009
Dona

Nossa, que honra ser citada no seu blog! 😉
Olha, brasileiro tem uma coisa que é estranha: adora um gringo, mas desde que seja um gringo “de riba”: americano ou europeu. Brasileiro não atura muito argentinos, bolivianos, paraguaios… eu acho engraçado como no geral brasileiro se acha especial, não só na América Latina, como aqui também. Brasileiros aqui falam mal de turcos e russos (ah…eles são mal-educados, eles são encrenqueiros, eles vêm pro país dos outros e não respeitam os costumes, etc, etc…) e esquecem que na visão dos europeus, nós também somos imigrantes e também estamos aqui pra atrapalhar!
Quanto ao viver como turista, não acho que isso faz os outros me verem com melhores olhos, apenas ME faz ver as coisas com olhos melhores. É uma auto-proteção pra não cair em deprê por aqui. Tentar me divertir com tudo, sem me desesperar que é aqui que vou criar meus filhos e viver até o fim dos meus dias… (isso é duro de pensar, viu). Sabe aquela coisa de achar todo mundo estranho, ver lugares diferentes, mas voltar pra casa e contar? Assim que eu tento me sentir (e conto no blog). Ajuda a levar a vida de forma mais leve, acredite.
Beijos e bom final de semana!




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