Macho Man – Village People

2 08 2009
Homossexuais não querem um mundo cor de rosa, só um mundo onde possam ser eles mesmos

Homossexuais não querem um mundo cor de rosa, só um mundo onde possam ser eles mesmos

Dentre os preconceitos visíveis, o contra homossexuais talvez seja um dos mais visíveis e socialmente aceitos. Fazer piadas sobre homossexuais é comum. Programas de humor vivem disso e a tiração de sarro parece algo comum no imaginário popular. O gay é visto muitas vezes como alguém espalhafatoso e exagerado e que quer forçar ao mundo sua orientação sexual.

Eu particularmente não acredito nessa visão de alguns que gays querem um mundo cor de rosa. Vejo como um grupo de pessoas que apenas quer seu espaço, como qualquer outro grupo. Até por motivos óbvios tenho bem mais contato com outro grupo estigmatizado, os negros, assunto de outro post mais adiante. Porém, convivo com homossexuais e entendo parte de sua luta.

É claro que já melhorou muito, hoje muita coisa é vista de forma bem mais natural e eventos como a Parada Gay acabam por se transformar também em fonte de geração de divisas para as cidades, tamanho o número de pessoas que se desloca para esse tipo de evento. Já existe até um mercado que gira em torno desse perfil consumidor. Não é mais tão vergonhoso para uma pessoa homossexual admitir sua orientação em público em alguns casos.

Nessa onde de sair do armário, aliás, é que foi feita a escolha da música de hoje. Macho Man do Village People (clique aqui para ver o clipe) é divertida e escrachada e leva essa questão da afirmação sexual ao limite. O clipe vai de encontro a um dos estereótipos, o típico machão de academia.

Aliás, o preconceito em geral faz uso de diversos estereótipos até para se manter. É sempre a “bicha afetada”, a “mulher macho” com jeito de homem e sempre se esquece da pessoa em si. Existe gente boa e gente ruim de qualquer orientação sexual, aliás, de qualquer grupo que a gente possa imaginar.

Só é preciso tomar cuidado com o preconceito reverso. Coisa que também se alimenta muito. O excesso do politicamente correto. Uma visão deturpada que acredita que tudo o que se fala ou faz é preconceituoso. Homofóbico virou termo da moda e isso é triste, precisamos entender o limite. Qual moleque nunca chamou os amigos de “viado” num jogo de futebol sem ligar pra sexualidade da pessoa, apenas no calor do jogo? Quem nunca riu de uma imitação de um gay afetado? O que não se pode é marginalizar o grupo.

Se toda vez que alguém me chamasse de preto ou negão eu me irritasse achando que isso é preconceituoso eu ficaria maluco. O preconceito está também nos olhos de quem sofre. Aliás, a forma como a pessoa recebe a mensagem talvez seja mais importante do que o que é dito.

Eu defendo o direito de união civil entre homossexuais e o direito as pessoas manifestarem sua orientação sem serem ofendidas por isso. Defendo que as regras valham para qualquer sexo e orientação da mesma forma. Sou contra a união religiosa porque se a religião não aceita a homossexualidade o que um homossexual vai fazer naquela crença que diz que ele está errado?

Aliás, ainda não entendo que argumentos os que são contra a união civil gay defendem. Eu sou hétero e em nada me afeta gays se unirem. Aliás não me importa a sexualidade de outra pessoa que não eu. Esse é um ponto. Sendo o nosso país um país laico, não podemos deixar que religiões sirvam de base para a formação das leis, que é o que acontece nesse caso.

Acho que deveríamos nos prender mais ao caráter do que a características mais pessoais de cada um. Aceitar o diferente é essencial para a construção de uma sociedade justa e pacífica. Sem abusos de ambos os lados.

Continuarei falando de preconceito na próxima semana, pretendo falar do preconceito racial e contra pessoas com deficência. Se alguém quiser, pode sugerir outros preconceitos para a discussão. Valeu pela leitura.

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2 responses

3 08 2009
Dona

Eu acho que as pessoas fazem um dramalhão tão grande quanto a questão da união civil entre homossexuais… igreja entra na briga, conservadores de plantão… uma vez eu vi o Leno falando pro Bush que a união seria opcional, não obrigatória, por isso, nada de escândalos.
Também já li um absurdo total: um conservador de carteirinha dizendo em um artigo que “liberar o casamento gay é incentivar a baixaria”. O QUÊ??? Que baixaria? Que gente louca!
De todos os preconceitos, esse é um dos que eu entendo menos (junto com o contra negros). Não entendo porque alguém se sente tão irritado, atacado, ofendido, com a inclinação sexual de outra pessoa. Algo, aliás, totalmente privado. Mas o que eu sinto é que as pessoas quando ouvem que alguém é homossexual, já começam a imaginar essa pessoa entre quatro paredes… quem nunca ouviu a expressão “ai que nojo?”. Eu já, de um amigo que sabia que eu tinha inúmeros amigos gays. Nojo por quê? Que questão complicada, né? Pra mim, é como se fosse a nova caça às bruxas.

7 10 2009
maria cristina

valeu meu primeiro blog visitado hahaha. bjs.




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