Black or White – Michael Jackson

5 08 2009
Por que chamar alguém de macaco?

Por que chamar alguém de macaco?

Hoje, com um dia de atraso, falo sobre mais um preconceito comum. Um que se eu me levasse a sério talvez até pudesse ter sofrido com ele. O preconceito racial. Aqui no Brasil, basicamente o preconceito contra negros e índios. Nunca entendi muito bem porque isso ocorre no mundo. O que leva uma raça a ser menos do que outra na cabeça de alguém é algo que não entendo. Aliás, sou do tipo que procura abstrair raças sempre. Somos humanos e pronto.

Até a escolha da música (óbvia, eu admito) leva um pouco do que eu penso. Black or White (clique aqui para ver o clipe, vale a pena), pareceu ser uma resposta a quem criticava Michael Jackson, pela sua “mudança de cor”. Provavelmente ele tenha sido o artista mais cobrado por sua raça. Provavelmente de maneira injusta, afinal cada um sabe onde seu calo aperta e é livre para fazer o que quiser desde que não prejudique outras pessoas.

Os negros sempre foram relegados a um segundo plano na sociedade brasileira. Primeiro chegaram como escravos. Depois, formaram a classe menos remunerada (uma mulher, negra e deficiente dificilmente consegue emprego) da sociedade, sem acesso a educação inicialmente, sem acesso a chances de elevação social. A universalização do ensino é recente, antes só mesmo uma pequena parcela da população conseguia estudar além do quarto ano primário.

E justamente os negros foram os que mais ficaram afastados da escola nesse período. Sem especialização acabaram com os piores empregos, seus filhos tiveram dificuldades de vencer as barreiras erguidas pela falta de opção. Agora com o acesso as disputas pelos empregos ainda são desiguais, mas a tendência é cada vez mais essa diferença sumir.

Existem pessoas partidárias do sistema de cotas. Eu não sou um deles. Acho que deve ser melhorada a base, que a forma como as cotas foram impostas acaba gerando raiva e não soluciona muita coisa. Se as cotas fossem para pessoas de baixa renda trariam bem menos ira das pessoas e continuariam ajudando em sua maioria negros ou pardos. E mesmo assim, sem reformas graves na base, teremos apenas uma pequena parcela de negros favorecidos em meio a um mar de outros ainda sem acesso a nada no meio de toda a população.

A situação tem melhorado muito racialmente no Brasil, os movimentos negros são reconhecidos (alguns exageram, mas isso nem é tema pra discussão agora), a cultura negra é cada vez mais fortalecida. Falta mesmo é o brasileiro assumir sua raça. É engraçado como o definir-se como negro parece ser um fator financeiro (falarei disso com mais ênfase no domingo).  Negro é visto como pobre e não como um grupo racial. Muito maluco esse comportamento do brasileiro.

Até porque nosso povo é miscigenado, a mistura sempre rolou solta e faz parte da nossa cultura. Porque não aceitar isso é algo complexo demais pra mim. Aliás, complexo é aceitar que dá pra separar alguém pela cor, como se isso definisse o caráter de alguém.

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6 08 2009
Dona

Eu também acho que o preconceito racial no Brasil está mais ligado à classe das pessoas. Eu estudei em uma escola caríssima e sempre fui a mais escura da classe. Meu irmão é branco (essas misturas brasileiras são o máximo, né?) e as pessoas achavam que eu era adotada ou, quando não conheciam meu irmão, achavam que eu estudava com bolsa de estudos. Quando descobriam que eu não era bolsista, me tratavam bem quase que imediatamente. Se fosse só um preconceito racial, isso não aconteceria. Uma vez fui seguida por um segurança no Shopping Iguatemi. Percebi e dei uma CANSEIRA no tal fulano, entrando em TODAS as lojas possíveis. No final das minhas duas horas de caminhada, dei tchauzinho pra ele. Naquele dia eu estava com “cara de pobre”: cabelos sem escova, roupa cheia de linha de costura pq eu estava voltando de uma aula de costura do curso de moda e uma bolsa toda ferrada, onde eu carregava o material de desenho. O cara já me tirou de ladra só por isso.




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