A Sort of Homecoming – U2

2 11 2009
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as vezes é preciso que alguém lhe traga um pouco de luz para que a gente volte a acreditar que existe algo de belo naquela escuridão toda

Fazia um bom tempo que eu não passava por aqui. A cabeça anda pesando, sem nada de bom pra falar. Acabei me recolhendo a própria insignificância de meus medos e dores e esperei o tempo passar.

Muita gente diz que o tempo cura tudo. Bom, não acredito nisso como uma verdade, ou, o tempo que dei a mim mesmo não foi suficiente para tanto. Dia desses (na verdade terminei ontem ou anteontem) lia um livro do Hemingway que eu tinha a tempos parado na minha casa. Sabe aquele livro que sempre que sobra um tempo você fala que vai ler e nunca lê? Pois é, esse era o caso de O Sol também se levanta. Já tinha lido críticas, já tinha ouvido comentários, todos favoráveis. Porém, faltava um estímulo extra pra começar e terminar de passear pelas páginas do livro.

Dessa vez o li rapidamente em poucos dias. Identifiquei-me com o personagem principal em diversos aspectos. De certa forma pareço o tal Jake. Alguém que faz uma série de coisas sem sentido porque acha que deve fazer, mesmo que isso lhe cause algum sofrimento. Aliás, para mim Jake apresenta algo que abomino na minha pessoa, assim como eu ele não sabe onde está seu próprio prazer, talvez por isso, faça como eu tento fazer as vezes (e agora de maneira consciente e até positiva), Jake tenta fazer os que estão ao seu lado felizes, principalmente Brett.

Não vou contar a história toda. Até porque acho que este livro realmente merece ser lido, o texto ágil do autor encanta, os diálogos diretos e a forma como ele conta uma história chamam a atenção, aliás, preciso ler O velho e o Mar. A leitura e também conversas com amigos é que me fizeram querer voltar a falar nesse espaço.

Primeiro falo da música, talvez seja uma forma de dizer que estou de volta, sim, eu voltei. Porém, voltei de forma diferente. Ao menos na primeira série de textos que virá, quero expor a minha dor, de forma parecida como A Sort of Homecoming prega, eu vou fazer o que tem que ser feito porque sei que precisa ser feito e sei que sou eu que tenho que fazer. Entretanto, não farei sem reclamar. Porque como uma amiga minha sempre diz, cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é, frase que já me disseram ser do Caetano Veloso, não sei ao certo a autoria. Apenas sei que ela me lembra a Lak.

Agora posso falar de outras coisas. Das conversas com gente que me fez voltar. Primeiro digo que não citarei nomes, se as pessoas citadas aqui quiserem, poderão dizer quem são, mas acho mais justo com elas preservá-las. Não que seja algo grave, no fundo são apenas histórias corriqueiras, mas são histórias dessas pessoas e não acho que valha a pena trair a confiança de alguém.

Começo falando de 3 pessoas. Provavelmente nesse caso as 3 não saberão que aqui falo delas, nem sei se vão ler. Confesso que gostaria que lessem e até comentassem, mesmo que não soubessem que falo delas. São 3 pessoas que isoladamente (afinal as conversas foram isoladas e nada a ver uma com a outra), de certa forma me fizeram voltar a pensar em mim e a querer de novo buscar alguma chama de felicidade em algum lugar.

Os motivos para tanto são diversos, superficialmente tento falar de alguns. Essas pessoas me fizeram perceber que eu posso sim sentir saudades e que nem toda saudade é dolorosa. Que a saudade pode se fazer doce quando se revê alguém e se percebe que esse alguém está melhor do que o esperado e transbordando luz.

Também me mostraram que a saudade pode ser reconfortante, quando você percebe que aquela pessoa realmente faz diferença para você. Por mais que você crie motivos variados para justificar tal sensação em sua mente. No fundo você sabe que não existe motivo racional, você quer apenas estar perto dessa pessoa, mesmo sem saber o que falar ou como agir. Você quer proximidade, um sorriso, um toque. Você quer de alguma forma ajudar e ser ajudado por essa pessoa, mesmo que não saiba como.

E para fechar a trinca (se bem que as 3 conversas valem exatamente para as explicações). Vi que a saudade pode também ser sinal de respeito. Quando você percebe que mesmo de forma inconsciente, você faz diferença para alguém. É a pessoa que percebe que você está no espaço, que procura a sua palavra, uma dica, um auxílio, ou somente um olhar.

Assim, é a saudade boa que criou o meu retorno ao blog, é a saudade boa que me mantém de alguma forma vivo e me faz acreditar que ainda alguma coisa positiva possa acontecer e me fazer mudar de opinião sobre o que eu vivo e sinto atualmente. Nos próximos textos pretendo continuar falando dessas pessoas, dessas conversas e da dor que sinto. Aguardo comentários desse e de outros textos.

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3 responses

3 11 2009
Dona Flor

Que bom que você voltou a blogar… eu posso dizer que ajuda a colocar as idéias em ordem. Reconforta escrever sobre nossos medos, inseguranças, planos e problemas. Pode não resolver, mas pelo menos a gente desabafa e acaba descobrindo que outras pessoas sentem o mesmo, em vários momentos de suas vidas e, que no fim, tudo passa.

Beijos.

4 11 2009
Estela

Como sempre gostei de mais um post, mas o melhor de tudo foi vc ter voltado a escrever. Vc faz muito bem em expor a sua dor escrevendo, acho que é uma das melhores maneiras de ameniza-la ou pelo menos em lidar com ela. E o melhor, vc não estará escrevendo só pra vc e sim pra muita gente que tb sente muita dor e precisa das suas belas palavras.

Beijos

10 11 2009
Claudia

Meu grande amigo!
Queria saber lidar com as palavras tão bem quanto você para expressar o que sinto, mas você é único. Se eu soubesse escrever poesia, compor uma música, dançar um tango… talvez não chorasse tanto.
Beijos de saudade.




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