High – The Cure

11 11 2009
ams (58)

Quem nunca se encantou pela beleza de uma flor só depois de vê-la bem de perto?

Ainda está difícil levar a vida. Eu queria realmente ter a cabeça leve o suficiente pra produzir textos mais divertidos e bem escritos. Enquanto eles não aparecem, falo de coisas mais leves. Hoje vou falar da segunda boa saudade. Da sensação boa de sentir-se percebido em maior ou menor grau. Na verdade, vou falar de algo diferente, vou falar do perceber, já que é o que posso afirmar nessa historinha que pretendo contar hoje.

A música de hoje é mais uma volta a minha adolescência. Sempre gostei de ouvir The Cure, ainda tenho alguns discos de vinil da banda escondidos na casa dos meus pais. High é uma música de um disco com certa história pra mim. Wish foi o último disco de vinil que comprei antes de começar a compras CDs (tudo bem eu assumo que estou velho…rs). E nesses acasos da vida. O que me levou a comprar esse disco nessa época em parte se assemelha com o tema do texto de hoje.

Naquela época os lançamentos não eram simultâneos no mundo todo como hoje, demorava um bom tempo para livros, filmes e CDs chegarem ao mercado brasileiro. Eu aluno do Brasílio Machado, tinha minha turma. Conhecia bastante gente na escola. Não todo mundo. Algumas pessoas eu via todo dia, na verdade vi por 3 anos e nunca me chamaram a atenção. Passavam totalmente despercebidas, como eu devo ter passado despercebido pra grande maioria daquela massa estudantil.

Todo dia pegava o metrô, nesse tempo eu trabalhava na estação Santa Cecília. Os alunos do Bandeirantes subiam na estação Paraíso. Alguns eu até já reconhecia de ver todos os dias, pelas piadas no caminho, até conheci algumas pessoas. Muitos não sabia sequer que estavam ali. Até que uma pessoa num dia vem puxar papo comigo. Tudo por causa de um fichário com charges que eu usava na época. Num lado estavam 10 motivos para ir a escola e no outro 10 motivos para não ir a escola.

Papo rápido, nada demais, mas a pessoa me deixou curioso. Com o tempo, passei a notar a sua presença. Até procurar e esperar. Numa das vezes em que nos vimos. Ouvia cantando essa música que eu não conhecia. Ela trazia a música gravada numa fita cassete (coisa antiga, eu sei, os diskman eram ainda novidade e hoje estamos nos ipods da vida). Acabei comprando o disco para saber mais daquela pessoa que de uma hora pra outra passou a me chamar tanto a atenção. O que se deu desse ponto em diante, melhor deixar pra lá. Não é algo que eu goste de lembrar.

Vale a pena, entretanto, dar um salto no tempo, sair de 1992 e voltar a 2009. Vivo situação parecida. Quero conhecer melhor uma pessoa. E essa é a saudade boa, a de se fazer notar e ser notado. Alguém que me parece interessante e legal. Gera curiosidade. Meu lado mais otimista me faz crer que também não passo despercebido. Não falo de romance, falo realmente de conhecer, saber quem é e o que pensa. É esse o tipo de sensação que tenho e em certo ponto às vezes me parece ser recíproco.

Falo no em certo ponto porque a minha famosa e absurda timidez não me permite ir além da forma como deveria. Não quero ser invasivo nem exagerado. Quero apenas sanar uma forte curiosidade pelo que me atrai e só a partir daí entender o que realmente acontece. Sou curioso por natureza, mas não um amante da natureza humana. Poucas pessoas realmente me chamam a atenção e quando isso acontece, gosto de saber o que me leva a isso. Sem contar que essa curiosidade e mesmo a saudade boa (ou as dúvidas que isso  gera) me ajudam a tentar seguir adiante em momentos pesados como esse em que estou vivendo, onde a falta de foco parece ser constante.

O próximo texto falará da terceira saudade boa, encerrando essa série talvez pessoal demais pro perfil do blog, mas necessária nesse meu processo de reencontro comigo mesmo. Pra depois ainda não tenho tema, aceito sugestões de vocês que passam por aqui. Desculpem o texto meloso, mas ele é realmente bastante sincero.

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13 03 2010
Pose – Engenheiros do Hawaii « Olhares Dispersos

[…] antigos meus servem de base para o que eu quero dizer, eu quero retomar as ideias discutidas em High (clique para ler) e principalmente em Too old to rock’nroll too Young to die (clique para ler). Além do óbvio […]




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