O Mundo Anda Tão Complicado – Legião Urbana

26 01 2010

ser comum não nos faz menos importantes no mundo que nos cerca

Hoje voltando pra casa da Escola lembrei-me de um filme. Confesso que um filme comum, bem blockbuster mesmo. Acho que quase todo mundo já viu Forrest Gump. O personagem é levado pela vida, toma parte dos maiores fatos da história americana sem realmente querer isso. Um tipo de herói diferente, que nem percebe o que faz, apenas mantém a sua essência a todo mundo. Fazendo de tudo para ser uma pessoa comum.

Isso me lembra uma música da Legião Urbana. O mundo anda tão complicado (clique para ver e ouvir) fala de um casal em mudança pra uma casa nova. Gente comum que passa por problemas comuns e situações comuns. Quase como Forrest, que age de forma comum, mas em sua simplicidade se sobressai.

Esse é o ponto do texto de hoje. Raramente percebemos que somos únicos na nossa simplicidade. Como Forrest, a nossa simples existência altera o mundo que nos cerca, tanto de forma positiva quanto de forma negativa. Eu mesmo gostaria de ser apenas um mero observador, mas sei que tudo aquilo que faço altera a vida de todos que me cercam. Eu sei que já falei sobre esse tipo de coisa antes, mas agora quero explorar outro lado.

Viver com essa responsabilidade toda deveria ser algo complicado. Não sei quanto a vocês, mas pra mim, tudo isso me parece um peso enorme para apenas uma pessoa carregar. É claro que eu não estou dizendo que tudo o que acontece de bom ou de ruim é culpa minha. Nem me acho tão importante assim. Mas o que me preocupa é saber que minhas ações criam outras ações sobre as quais eu nem saberei o efeito. Sem perceber posso agir muito bem para uma pessoa e muito mal para outra.

Como se viver por si só já não fosse um peso muito maior do que eu me sinto apto a carregar. O bom senso me faz lembrar de mais um peso em nossas costas. Confesso que ao pensar nisso me pergunto como a maioria das pessoas consegue seguir adiante com suas vidas sem ligar pra isso. Como conseguimos ser tão mesquinhos a ponto de não pensarmos nas conseqüências de nossos atos mais comuns? Aliás, o que mais percebo é que raramente pensamos até nos nossos atos que nitidamente influenciam na vida dos outros, como votos, regras sociais e outros.

Nossa espécie é mesquinha, como provavelmente muitas outras também o são. Acreditar que só os humanos fazem o mal é dar-se uma importância maior do que realmente merecemos. Esse excesso de prepotência, o achar que somos realmente importantes talvez seja a chave do problema. Olhamos demais para o nosso próprio umbigo sem notar que isso afeta tudo o que está ao nosso redor.

O peso de viver com essa informação é muito grande, ao menos para mim. Confesso que não tenho coragem nem força pra suportar esse peso e muitos outros que temos que carregar só por estarmos vivos. Acho difícil e penoso fazer qualquer coisa levando isso em conta, pois é maravilhoso descobrir que alguém se alegra por algo que fizemos, mas como agir quando percebemos que nossa ação faz alguém chorar?

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