My Generation – The Who

7 02 2010

Quando o nosso futebol vai ser tão grande quanto o americano?

Volto hoje pra mais um post pensado em cima do Forrest Gump. Hoje é dia so Superbowl, provavelmente o maior evento esportivo mundial no que tange a marketing. Talvez maior do que a Copa do Mundo. Até hoje eu não consigo entender como um esporte que só é praticado num lugar do mundo consegue movimentar tanta grana e tantas pessoas em locais tão diversos do globo.

Se você perguntar pras pessoas próximas a você quantas já jogaram futebol americano, provavelmente a resposta será zero ou perto disso. Mesmo assim, os jornais todo ano trazem notícias o evento, a televisão paga mostra o jogo e o show do intervalo (esse ano é do The Who) é super comentado. Amanhã provavelmente vou ouvir e fazer comentários da partida na escola. Talvez mais comentários do que sobre o retorno do Robinho ao Santos com gol de calcanhar em cima do São Paulo.

Mas o que isso tudo tem a ver com o Forrest Gump? Pra quem viu o filme, Forrest tem um emprego como aparador da grama do time de futebol americano de sua escola. É um cargo honorário por ser um herói local. E é justamente nesse ponto que quero centrar minha análise. A capacidade norte-americana de gerar ídolos e a capacidade brasileira de destruir ídolos nacionais. Forrest tornou-se um herói de guerra, foi tratado como herói o tempo todo mesmo tendo graves limitações. Duvido que aqui ocorresse o mesmo.

Não sou um defensor da cultura norte-americana, mas acho interessante essa coisa de tentar sempre ser o melhor em algo e lutar por isso. Mais interessante é valorizar isso. Penso agora no The Who e na música My Generation (clique para ouvir), (aqui uma versão engraçada da música, cantada por idosos) espero que toquem no intervalo do Super Bowl hoje. A música fala de uma rebeldia jovem, de uma luta constante na geração e contra a geração. Fala da ideia de se morrer jovem, e ai eu penso na juventude mental e não na juventude etária.

Vejo essa gana da música como principal motivo pra se criarem heróis e estes serem idolatrados. Alguém que se destaque no meio da massa por algum motivo merece ser idolatrado e não invejado. Infelizmente é a inveja que impera aqui em nosso país nesse aspecto. Já falei que exigimos de atletas mais do que eles podem oferecer, que um músico não pode só tocar seu instrumento e um ator além de atuar deve mudar o mundo. Coisa que o cidadão médio nem liga, apenas cobra.

Forrest de certa forma mudou parte de seu mundo e tomou parte de acontecimentos importantes. Por isso, mesmo mentalmente debilitado, sempre foi visto como herói. Assim como hoje deve acontecer no Super Bowl. Esse evento merece mais linhas de discussão.

O principal enfoque desse evento é criar heróis. Mais do que definir quem é a melhor equipe de futebol americano, serve para definir novos heróis nesse esporte. As entrevistas prévias, a maneira como tudo é levado faz-nos enxergar o evento como uma fábrica de ídolos. Nesse ano, por exemplo, vende-se a disputa entre o candidato a melhor jogador da história e o time da cidade que mais sofreu com o Katrina (aliás cidade de onde saiu Payton Manning o tal candidato a melhor da história que era torcedor do time de New Orleans).

A disputa toda parece resumida a essa disputa e a questões familiares, com a amizade entre o quarter-back dos Saints e o irmão do Manning que joga nos Colts. O drama é elevado ao máximo. No ano passado exploraram a idade dos quarter-backs, em anos anteriores histórias de vida de atletas ou mesmo histórias das cidades dos times.

Aqui no Brasil a gente mal consegue divulgar um Corinthians x Palmeiras e olha que existe muito mais história nesse confronto do que nas partidas do futebol americano. Isso acontece a meu ver, em grande parte, pelo fato de que não respeitamos o tamanho do adversário. Nós procuramos defeitos em tudo que não nos pertence e nunca idolatramos alguém só por aquilo que esse alguém tem de bom. Quem sabe mudamos isso um dia? Garanto que teríamos muito menos confusão e muito mais alegrias como brasileiro do que temos hoje, sem falso populismo, até porque infelizmente só os políticos são impunes nesse país. Eles nunca são cobrados e são sempre premiados.

Eu torço para o dia em que uma final de campeonato brasileiro de futebol ou de qualquer outro esporte tenha o mesmo peso que tem a final da NFL e seu SuperBowl

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