We Don’t Need Another Hero – Tina Turner

9 02 2010

Quando aprenderemos a somente louvar alguém pelo que ela é boa e não execrar todos por suas falhas?

E teve a esperada zebra na final do SuperBowl. Mais um herói do sonho americano foi criado. Assisti ao jogo e confesso que com todo o clima criado era impossível torcer pelos Colts, a torcida toda era pelos Saints, na verdade pela cidade de New Orleans. A vitória serviu como marco do renascimento após os problemas com o Katrina anos atrás. A cidade se reconstruiu, o time se construi, nas últimas temporadas pós Katrina, pulou de saco de pancadas para campeão.

O herói foi Drew Brees, atleta que por si só já teria uma história de vida que daria um filme, aliás não duvido que em alguns anos essa história seja transformada em filme. Como disse no último texto, os norte-americanos adoram criar heróis, nós brasileiros adorar ridicularizar os nossos.

O cinema acaba sendo uma referência, quantos filmes existem sobre heróis brasileiros? O futebol, provavelmente o tema que mais nos dá orgulho no mundo nos trouxe que filmes? Boleiros 1 e 2 são ótimos filmes, mas estão mais para comédia, assim como o divertidíssimo como O Casamento de Romeu e Julieta. Temos uma biografia do Garrincha e documentários sobre alguns craques. Mas cinema comercial mesmo, nada. Talvez os documentários sobre a conquista corinthiana em 77 e o filme sobre o martírio da série B (eu acho que tem um filme sobre a Batalha dos Aflitos do Grêmio, mas não tenho certeza).

Nós renegamos nossos heróis. Algo como Tina Turner cantando We don’t need another hero (clique aqui para ouvir) em Mad Max além da Cúpula do Trovão. Criamos um mundo apocalíptico onde todos só tem defeitos, as qualidades são empurradas pra baixo do tapete. Tiramos sarro de tudo e de todos e principalmente daqueles que possuem algo que se destaque. É o complexo de vira-latas que domina o ideário do nosso povo.

Aceitamos de bom grado tudo o que vem de alguma nação mais poderosa economicamente, destruímos pouco a pouco a nossa cultura acreditando que o que vem desses povos é melhor do que o que nós produzimos. Eu discordo disso. Assim como também discordo da outra face desse mesmo embate. Não somos melhores do que nações mais pobres, somos iguais, apenas temos que aprender a ver o que cada um tem de bom, reverenciar e aprender com isso e ver o que cada um tem de ruim sem transformar isso numa brincadeira jocosa. O que vale não é de onde você veio, mas sim o que você é.

Acho estranho não termos documentos populares (músicas, esculturas, filmes, etc.) sobre pessoas como Guilherme Paraense, João do Pulo, ou Ademar Ferreira da Silva. Guga um herói recente já foi esquecido. Rui Barbosa não é visto nem nas escolas. A nossa produção cultural é relegada ao segundo plano, aliás, eu nesse post não uso uma canção brasileira. Meio estranho, mas verdadeiro. Eu tenho que assumir minhas falhas também.

Converso as vezes com alunos sobre alguns grandes nomes brasileiros, é chato descobrir que estes nomes nunca são sequer reconhecidos. Mais chato ainda é perceber que pra ser reconhecido, a validação da qualidade deve ser externa. Não vale apenas ser importante para o nosso país aqui dentro. É  preciso ser reconhecido por alguma grande nação, aliás por alguma nação que seja vista como grande aos nossos olhos.

Parabéns Drew Brees, parabéns New Orleans, parabéns Saints. Mas também parabéns a imensa quantidade de heróis que vivem aqui em nosso pais e nunca são reconhecidos, talvez por descrença, talvez por inveja. Parabéns aos nossos bons heróis.

O próximo post volta a falar do Forrest Gump, e retomo um assunto que até citei, só que visto do outro lado da moeda. Quero falar da necessidade de se ter heróis, mesmo sabendo que no fundo os heróis são apenas o retrato do homem comum, eu admito a importância dos mesmos para a construção dos homens das nossas sociedades.

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One response

11 02 2010
Dona Flor

Não acompanhei o Super Bowl e fiquei longe de toda essa loucura, mas também acho que lavou a alma do povo sofrido de New Orleans.
Quanto a esquecermos nosso heróis, eu acho que brasileiros em geral gostam de heróis “globalizados”. Falta um senso de comunidade, falta auto-estima e falta valorização do que é nosso. Não sei como isso poderia mudar, de verdade. =(




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