We Are The Champions – Queen

11 02 2010

A beleza depende de quem a vê e de quem a apresenta para você

A beleza depende de quem a vê e de quem a apresenta para você

As últimas visitas ao meu blog me fizeram mudar o enfoque do post de hoje. Analisando as informações das visitas, confesso que achei engraçado ver que o termo de busca que mais trouxe leitores para cá nestes dias foi “história da vida de Drew Brees”. Para ser mais exato, 22 visitas a partir de buscas com termos parecidos com o citado.

Pelo visto a NFL fez mesmo um herói. Fico imaginando Drew Brees nesse Mardi Gras cantando We are the Champions (clique para ouvir) com a mesma habilidade vocal do Paulo Antunes da ESPN Brasil.  As diversas vitórias do Saints são realmente um tema gigante e provavelmente em poucos anos vão estar nas telas de cinema, porque realmente isso rende um filme.

Mas nem é esse o assunto principal desse post. Quero falar de outra coisa. A NFL é um campeonato diferente e absurdo. Diferente por ser um torneio de um esporte em que só um país participa. Sei que é piada velha, mas um esporte que se joga com as mão não pode se chamar pé na bola, até porque os chutes valem pouquíssimos pontos no jogo. E absurdo pelo fato de mesmo sendo um esporte que ninguém conhece consegue ser comentado no mundo todo.

Aqui no Brasil, alguns anos atrás os jogos chegaram a passar na TV aberta, mas sem muita empolgação. Os amigos mais próximos sabem que eu sou doido por esportes, sou daqueles que estuda regra de pentatlo moderno pra entender o que se passa. Mas confesso que o futebol americano nunca tinha chamado a minha atenção. Isso até eu ver um jogo na ESPN a alguns anos atrás. Ai tudo mudou, mas o que levou a isso? O jogo mudou? Não! Eu mudei? Não o suficiente. Mudou a forma como o jogo me foi apresentado.

Basicamente dois malucos apresentaram o jogo de uma forma leve, de forma a que tudo se resumisse ao que realmente é, um espetáculo. Assisti a alguns jogos em outras emissoras e sinceramente, por melhor que o jogo estivesse, nada me fazia prestar atenção naquilo e isso porque eu realmente gosto de ver esportes, até jogo de golfe me chama a atenção.

As transmissões da ESPN com o Everaldo Marques e o Paulo Antunes realmente me conquistaram. Provavelmente mais que o jogo que gosto, mas continuo achando violento (isso para alguém que tem no judô o esporte preferido). Esse tipo de relação acaba me fazendo pensar também no meu trabalho. Alguns daqui devem saber ou perceber que sou professor. Não sou daqueles que acredita em pedagogia do amor ou coisas do gênero. Me vejo como um profissional preocupado, apenas isso. Acontece que esse encantamento também é necessário naquilo que eu faço.

Vejo situações onde encontro e converso com antigos alunos meus. Pessoas que ainda se lembram de falas, piadas e manias que eu apresentei em sala de aula. Penso no peso que acabei tendo em parte da formação deles. Penso em como meus atos prenderam (ou destruíram) a atenção deles para o que eu tinha que lhes falar. Compara as duas transmissões com as duas reações mais comuns dos jovens com seus professores. Ou você os ganha e eles te seguem (caso meu com o Everaldo Marques e o Paulo Antunes na NFL e até no baseball – que ainda não enguli totalmente – da NBA sou fã desde os tempos do Magic Johnson). Ou você os perde, como o Bandsports me perdeu, simplesmente por não falar uma linguagem que me agrade.

O que isso tem a ver com o fato de Drew Brees ter se tornado um herói?  Tudo. Ele só teve a chance de se tornar um herói porque alguém teve a paciência de me mostrar porque ele deveria ser um herói. É no fundo o que qualquer professor faz. Apresenta ideias estas podem ou não ter ressonância em quem as ouve. O importante nesse momento é ser ouvido para que quem ouve possa ter a opção de fazer ou não uso daquela informação (como para mim, gostei do jogo, mas não transformei os jogadores da NFL em ídolos).

Esse processo de encantamento e apresentação é constante. Talvez por isso seja tão bom pro ego perceber que a aula funcionou e tão chato sentir que ninguém ali está realmente a fim de te ouvir. O papel (do professor, do comunicador e de alguns outros profissionais) não é brilhar, mas sim ressaltar os pontos de brilho daquilo que você se propõe a falar. Talvez por isso eu execre comentaristas que querem ser maiores que o jogo que comentam. A função deles é somente fazer o espetáculo brilhar. Sem o espetáculo eles não existiriam, como minhas aulas não existiriam sem alunos.

Esse post acabou parecendo meio idolatria pro Everaldo Marques e pro Paulo Antunes. Na verdade não é pra ser visto dessa forma, mas sim pra ser visto como um alerta ao fato de que para o surgimento de algo brilhante, algumas pessoas devem trabalhar em prol dela, deixando de lado o brilho pessoal e focando apenas no brilho daquilo que devem representar. O seu brilho pessoal vai ser o brilho daquilo que você apresenta. Seja um jogo, seja um conteúdo, seja um aluno. A vitória dele vai ser a sua.

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