Fanfare For The Common Man – Emerson, Lake & Palmer

28 03 2010

é preciso se ver livre dos falsos amigos

Todos temos nossos dias melancólicos. Algumas fases em que a gente fica pensativo demais e para de ver as cores do mundo. Tudo fica em branco e preto, com alguma sorte fica cinza acontecem com todo mundo. Em alguns com mais ênfase do que outros.

Eu estou numa fase pensativa. Relacionar com datas como o meu aniversário na sexta passada é reduzir demais aquilo que eu estou pensando e sentindo. Estou mesmo saturado das limitações. Cansado dos extremos. Quero sim uma vida mais equilibrada. Uma vida comum, se é que isso existe. Afinal, todo mundo tem um ponto onde seu calo realmente aperta e trocar o sapato apertado nem sempre é a coisa mais simples a se fazer.

Li a pouco um texto sobre os problemas de Blaise Pascal, a forma como ele foi tratado de seus problemas de estômago. Li num blog de uma amiga querida, não sei se posso citar aqui a fonte, se ela ler esse post e permitir eu faço a edição. Hoje também foi um dia em que eu resolve escutar algumas músicas velhas, entre elas uma do Emerson, Lake & Palmer que eu adoro, chamada Fanfare for the Common Man (clique para ouvir uma versão), rock progressivo da mais alta qualidade. Além disso, ainda fazendo uns textos para um trabalho fui dar uma fuçada na minha estante de DVDs pra tirar algumas ideias. Meus olhos pararam num filme, Rain Man, e comecei a chorar.

Quem me conhece sabe que eu tenho uma ligação forte com esse filme, por alguns motivos bastante pessoais. É engraçado que eu adoro a história, adoro muito. É um dos filmes que mais gosto, mas nunca tive a coragem de citar. Talvez por ser um filme que tem um quê extremamente pessoal. Eu em vários momentos me vejo no personagem vivido por Dustin Hofman.

Pra quem não viu o filme, Tom Cruise, por diversos motivos, acaba sendo obrigado a tomar conta do irmão autista (Dustin Hofman). No caso o autismo é bastante claro e intenso. Percebem-se todos os sintomas clássicos do comportamento. Manias, fobia social, fechamento num mundo particular e por ai vai. Para quem desconhece o tema, existem diversos graus de comportamento autista, do mais leve, onde a pessoa é basicamente apenas alguém meio estranha, até o mais pesado, onde existe uma quase impossibilidade de socialização.

Mas voltando ao tema. Tom Cruise passa a fazer uso do irmão, das habilidades que ele demonstra (apesar da dificuldade de se relacionar com o mundo). Se aproximando dele basicamente por necessidade. Com o tempo é que as coisas mudam e ele passa a demonstrar preocupação e carinho pelo personagem de Dustin Hofman. Nessa linha surgem dois temas para serem ditos, duas coisas que de certa forma me incomodam muito.

O fato de algumas pessoas se aproximarem só quando precisam. Perceber que isso é apenas por necessidade do outro e não sua. Não existe nada em troca, tudo é falso. Você sabe fazer algumas coisas bem e alguém que sabe disso e precisa dessas suas habilidades solicita seu auxílio. Nada de mal nisso, porém, o ideal seria a troca. Seria estar disponível para o outro lado. Seria entender que aquela pessoa que está te ajudando também precisa de ajuda muitas vezes.

Falo isso porque tenho me sentido bastante usado nesses últimos tempos. Solicitado pra coisas diversas, problemas leves ou nem tanto, em geral coisas que até consigo resolver. Em é o problema ajudar, mas poxa, será que não existe mais espaço pra um muito obrigado? Pra qualquer demonstração de que a pessoa que faz o favor também importa e não só a ação?

Ampliando bem o olhar, fica claro de que isso não ocorre só comigo, mas também ocorre com muita gente. O número de pessoas que encontro por ai e só tem olhos pro próprio espelho é imenso. Gente que acredita que o mundo gira ao redor do próprio umbigo e que todos os demais estão no mundo para servir seus caprichos, servir com um enorme sorriso pois deve ser uma honra servir pessoa tão importante.

Cansei desse tipo de convivência. Até entendo ser subserviente mas é engraçado ser visto como alguém que só serve para resolver problemas. Cortei muita gente da minha lista de contatos ultimamente por agirem comigo dessa forma. Pretendo continuar excluindo quem assim agir comigo. Aliás, acho que todo mundo deveria fazer isso. E aqueles que acham que são mais importantes do que os outros, bom, esses que cresçam e encarem o descaso como uma lição.

Post meio nada a ver, eu sei, mas é como eu estou me sentindo, o próximo falará do outro aspecto que me toca no filme Rain Man. Tem algum filme que te toca a ponto de você nunca esquecê-lo?

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Envelheço na Cidade – Ira!

26 03 2010

foto antiga, mas eu comemorei quando consegui tirar essa foto

Hoje é meu aniversário. Tem um monte de gente querida me ligando, cumprimentando, mandando e-mail e coisas do gênero. É legal, de certa forma a gente se sente querido, é uma forma de carinho. Entretanto, fica sempre aquela pergunta, afinal o que eu estou comemorando mesmo?

É uma pergunta meio estranha. A maioria responde, cara, comemora que você está vivo. Poxa, mais um ano que você está aqui enchendo o saco na terra. Olha só tudo o que você conquistou nesse período. E milhares de outras frases feitas e lógicas com teor semelhante. Talvez eu seja um cara negativo por natureza, mas confesso que não consigo ver o mundo dessa forma. Talvez por isso muitas vezes bata uma certa tristeza nessas datas.

Eu inicialmente até tinha escolhido uma música mais alegre pro tema. A Marilyn Monroe canto pro presidente Kennedy. Pena que não achei nenhum vídeo bom disso no youtube, digamos que a história contada é melhor que o vídeo. Ai me sobrou outra opção. Envelheço na Cidade (clique para ouvir), música da minha adolescência, do IRA, uma banda que eu adoro.

A música ressalta que o tempo passa e de certa forma questiona a comemoração do aniversário. É justamente o que eu estou fazendo. Vou comemorar o que? O fato do planeta ter dado mais uma volta ao redor do Sol desde que eu chorei pela primeira vez? Ok, nem precisa ser tão trágico. A questão é que não vejo motivo real pra comemorar.

Tem a ideia padrão de se dizer que estou com saúde, num emprego legal, produzindo, escrevendo, etc. etc. etc. Tudo isso vale até a página 2. A saúde está longe de ser 100%, está legal, apenas isso. O produzir, sei lá, me parece estranho você comemorar por conseguir fazer algo que você sabe que consegue fazer. É diferente de um atleta bater um recorde mundial no qual ele acreditava. É como um chef de cozinha comemorar conseguir fritar um ovo. Não é nada demais, infelizmente é apenas aquilo que você faz sempre, nenhum mérito em conseguir.

Pequenos avanços em áreas onde realmente temos dificuldades sim merecem comemoração. E nessas áreas infelizmente eu ando devagar pra caramba. Não tive nenhuma conquista (nem pequena) nesses pontos. Chego a dizer que retrocedi em muitos pontos. Não consegui ser mais sociável e menos servil nas relações interpessoais. Ainda costumo ter medo das pessoas. Não consegui entender direito as minhas próprias sensações, imagine as dos outros. Continuo extremamente lógico e pouco sentimental. Toda vez que as sensações surgem no cerne de qualquer assunto, eu continuo perdido.  Meus últimos posts até falam um pouco dessa minha falta total de jogo de cintura nessa aspecto da minha vida.

É claro que, como dito no início do post, tem o lance do carinho das pessoas. Essa acaba sendo a única real vitória. Mas admito que me cobro bastante. Nesse sentido, percebo que não tenho vitórias minhas a comemorar. Tenho muita coisa pra fazer antes de realmente merecer os parabéns.





Al Otro Lado Del Rio – Jorge Drexler

24 03 2010

Brasileiros comemorando o Ano Novo Chinês

Meu último post falou de um certo nacionalismo que no fundo vários de nós carregamos, da forma como a nossa formação cultural. Agora eu quero brincar com outra parte dessa mesma linha de pensamento. A inspiração cultural. A idéia me surgiu depois da visita de outro blogueiro no meu post anterior. O autor do NeoWellBlog (clique para ler), faz um panorama do Japão em suas postagens, numa rápida visita encontrei posts falando do turismo no Japão, Ikebana, o modo atual de vida no Japão e outros assuntos de cultura geral japonesa.

Essa admiração por outros povos e culturas me parece similar ao pensamento nacionalista que eu citei no post anterior. Justamente por determinadas culturas possuírem algo em comum com a nossa forma de pensar, acabamos elegendo essas culturas como referência comportamental e em alguns casos acontece até uma certa idolatria.

Nessa linha de pensamento, escolhi uma música que vai servir pra falar de um pequeno contraponto nesse cenário de amor ao estrangeiro. A música al outro lado del rio, composta por Jorge Drexler e ganhadora do Oscar em 2004 pelo filme Diários de Motocicleta. O filme fala da viagem de Che Guevara e Alberto Granado pela América do Sul. O filme é muito bom. Mas, para o que eu quero citar nesse post, serve também para marcar outra linha de pensamento. Não encontramos muitos casos de, digamos assim, idolatria ao estrangeiro quando se pensa em países pobres.

Nós brasileiros não temos olhos para a América Latina como temos para a Europa e América do Norte. Se alguém conhecer algum blog falando da cultura latino americana, escrito por brasileiros, eu gostaria de ler. Não que a cultura seja menor, não é, mas é estranho como nesses casos a gente só olha pra quem tem mais grana (ou pros nossos ancestrais, é bem comum ver descendentes de uma nação louvarem a cultura do país de origem de seus antepassados).

A música produzida na América Latina é bastante interessante, porém, ela raramente chega aqui, enquanto a nossa produção musical é mais do que consumida por nossos vizinhos. Assistir ao Grammy Latino é até cômico, observa-se um monte de artistas levando prêmios, artistas dos quais nunca se ouviu falar em nossas terras, e, em muitos casos, uma busca rápida no youtube nos faz ver que infelizmente não tínhamos conhecimento desses artistas. E isso se estende pra literatura, pintura, cinema e por ai vai.

Eu não estou pregando uma espécie de latinismo, longe disso. Apenas percebo o fenômeno. Até hoje me lembro com pesar e uma dose de riso da cara que um amigo meu fez ao descobrir que Mafalda é um personagem argentino e não espanhol. Assim como achei absurdo alunos olhares tortos pra uma amiga que casou-se com um chileno. Ainda não me acostumei com essa ideia de valorar pessoas pelo seu local de nascimento, até porque, em teoria num mundo globalizado todos são de todos lugares.

Eu tenho meus gostos estrangeiros também. Adoro jazz norte-americano, rock progressivo inglês, quadrinhos franceses, norte-americanos e ingleses. E isso não me faz um sub-produto do capital, ou alguém que vanglorie apenas nações ricas. Gosto também do batuque africano, da poesia árabe (aliás do mundo todo), das músicas latinas, eu gosto do mundo. Volto a falar do blog (clique e leia) que me fez escrever esse post. O autor fala sim com um baita carinho do Japão, mas seu comentário em meu post mostra claramente que ele não desdenhou o Brasil e se rendeu a outra nação. Apenas abriu os horizontes pra outra cultura (talvez até por herança familiar, não sei).

Isso é até um mote pra relembrar algo que aconteceu a pouco tempo (e eu já escrevi sobre). Quando fui com alguém muito especial pra mim (por menos que possa parecer, essa pessoa não passa despercebida por meus olhos, eu só não sei como agir…rs). No evento chamado Restaurante Week, fui com essa pessoa a um restaurante. Tantas culinárias diferentes a escolher, poderíamos ficar no padrão francês/espanhol/italiano. A opção foi a culinária tailandesa. Um comida muito saborosa, num restaurante agradável e belo na companhia de uma pessoa mais bela e agradável ainda. Preciso convencer essa pessoa a repetir o programa…rs. Isso pra mim foi só mais uma mostra de que temos que ter os olhos abertos para o mundo. Conhecer e aceitar formas diferentes de pensar sem esquecer de onde viemos e quem somos. Apenas pegando aquilo que acreditamos ser o melhor de cada povo.

Você é vidrado em alguma cultura? Fale o que te encanta. No próximo post farei uma reflexão sobre aniversários (poxa to ficando velho…snif)





Aquarela do Brasil – Disney

21 03 2010

tem coisas belas que só enxergamos em nossa terra, seja ela qual for...

Meu caminho mudou um pouco, pretendia seguir a linha do último post e partir para a ideia do gigante gentil (explico isso melhor no próximo post). Porém, ontem li um texto no blog da minha amiga Dona Flor (clique para ler) e resolvi trazer a brincadeira pra cá também. Quero falar um pouco do sentir-se pertencente a um país, a forma como cada um traduz o nacionalismo, a sua relação com seu povo.

Resumindo, a Flor (que se casou e hoje mora numa cidadezinha alemã) diz como se sente quando ouve alguém falar mal do Brasil. Na história dela o sentimento veio a partir de comentários depreciativos em relação a Venezuela, mas vale o raciocínio, aliás reitero, vale a pena ler a linha de raciocínio que ela seguiu.

Para embalar o post escolhi um desenho animado da Disney onde aparecem Aquarela do Brasil (que dá nome ao post) e Tico-Tico no fubá (clique para ver), com Zé Carioca e Pato Donald. Eu gosto muito desse desenho. Gosto das músicas que aparecem e confesso que apesar de todo um papo de visão imperialista, doutrinação e milhares de outros senãos que aparecem toda vez que se cita filmes como Saludos Amigos e Você já foi a Bahia, eu prefiro ficar com a imagem positiva.

Se tem uma coisa que eu gosto no meu povo é o seu jeito jocoso, a forma leve com que costumamos encarar todos os problemas é algo contagiante. É claro que isso as vezes é prejudicial e muitas vezes torna qualquer análise dos nossos problemas superficial demais, mas é a forma como o nosso povo lida. O jogo de cintura do brasileiro não é algo que aparece somente na música, aparece em todas as nossas ações. A busca por alegrias diversas e constantes faz parte da nossa cultura, mesmo que nunca as encontremos, vivemos para elas e em busca delas.

Outros povos possuem outras características e assim acabam vendo o mundo com seus olhos. Os julgamentos que todos fazemos de um povo variam de acordo com a forma como acreditamos ser a forma correta de levar a vida. Alguns povos são mais sérios, seguem organização restrita, outros acentuam sua fé, para outros sua cultura é motivo de orgulho. Alguns vendem sua história como o mais importante.

Assim julgamentos todos carregados de preconceitos são feitos a todo instante. Europeus acham o Brasil desorganizado, brasileiros dizem que os europeus são muito frios, norte-americanos são vistos como ignorantes em muitos aspectos e alguns grupos orientais como xenófobos. Esse tipo de comentário claramente irrita quem ouve e com toda razão. Afinal, o julgamento é feito (como disse anteriormente) com o olhar viciado pelo que a gente acredita ser o certo.

Temos que somar a isso o fato de que obviamente machuca quando alguém coloca o dedo em nossas feridas. Nós sabemos onde o nosso país tem que melhorar, quais são os grandes defeitos. Mas odiamos quando alguém chega e fala isso sem fazer parte do nosso povo. Afinal quem é esse gringo pra falar que o nosso país é sujo? Os caras nem tomam banho todo dia! Como alguém que mal diz bom dia pode reclamar da alegria do nosso povo? E coisas assim vale pra eles também. Como um brasileiro vai reclamar da dificuldade de comunicação de um alemão com a qualidade de ensino que oferecemos?

No fundo todos gostaríamos que os outros só vissem o nosso lado bom. Varrer a sujeira pra baixo do tapete quando as visitas chegam é infelizmente um costume mundial. Todos sonham em ver seus povos como perfeitos, mas no fundo todos sabem que perfeição não existe. Tem ainda outro lado nessa moeda. A glorificação do estrangeiro, aquele que notadamente acredita que a grama do vizinho é sempre mais verde, tudo do seu povo não presta.

Esse tipo de atitude me incomoda muito. Ouvir de brasileiros que meu país é um lixo, que meu povo não presta de gente que não mexe um dedo pra mudar a situação. Gente que só afirma que a solução seria o aeroporto, esquecendo que faz parte desse povo que diz ser ruim. Veja, eu falo de nacionalismo, não de ufanismo. Não quero apagar os defeitos da nação, quero que o nosso povo corrija esses defeitos. Não sou daqueles que prega apenas filmes nacionais, livros nacionais, música nacional. Acredito sim que a cultura do mundo está ai pra todo mundo conhecer, curtir e apreciar, mas não desvalorizo o que o nosso povo faz. Muito pelo contrário. Tenho orgulho de ser brasileiro e alguns brasileiros (como quem tenho citado nos últimos posts) me fazem ter orgulho de pertencer a esse povo.





Pose – Engenheiros do Hawaii

13 03 2010

existem coisas invisíveis mesmo diante dos nossos olhos

Estou ainda numa fase complexa da minha vida. Pensamentos malucos me fazem escrever sobre coisas malucas. Eu até ia brincar um pouco mais com o tempo e a forma louca como me relaciono com ele, mas eu acabo sempre falando disso e de forma até repetitiva. Mas como minha mente está confusa e eu acho que posso falar algo novo mesmo na eterna repetição, resolvi seguir adiante com o último post e retomar alguns posts antigos.

Para começar, parte da história me lembra muito um pouco um personagem do Quarteto Fantástico. Pra quem não curte quadrinhos de super-herói, existem dois filmes com os personagens, até certo ponto bem interessantes. São 4 pessoas que adquiriram superpoderes após uma problemática viagem ao espaço. Um consegue gerar chamas e calor com seu corpo (o Tocha-Humana), outro transformou-se num monstro de pedra (o Coisa), a mulher do grupo consegue ficar invisível e criar campos de força (a Mulher-Invisível) e o líder do grupo que tem o poder de modificar e esticar seu corpo (Senhor Fantástico).

O líder do grupo é meu foco. O Senhor Fantástico é um dos maiores gênios do seu universo de histórias. Cientista famoso e bastante renomado. Porém, percebe-se que relacionamentos interpessoais não são exatamente o forte dele. Quem leu as histórias do início do namoro com a sua esposa Sue (mulher-invisível) e mesmo as que contam o relacionamento do casal, percebe isso de forma clara e até certo ponto divertida.

A outra parte da equação do texto de hoje é a música que dá título ao post. Pose (clique para ouvir) dos Engenheiros do Hawaii tem uma coisa que serve para justificar o que eu penso. A música é agradável, mas sua letra é quase um nonsense total. Uma sequência de frases aparentemente sem nexo que de certa forma tentam dar um up nas pessoas que estão ouvindo. O importante é ir atrás de tudo o que se possa imaginar.

Dois posts antigos meus servem de base para o que eu quero dizer, eu quero retomar as ideias discutidas em High (clique para ler) e principalmente em Too old to rock’nroll too Young to die (clique para ler). Além do óbvio post anterior a este que escrevo hoje. A ideia é falar um pouco de pessoas que nos encantam. Gente que faz diferença em nossas vidas e nos faz tentar se aproximar e principalmente tentar tomar cuidado com nossas ações.

Hoje tive uma tarde extremamente agradável. Um restaurante exótico ao lado de alguém que obviamente faz a diferença para mim. Uma sensação estranha. Um misto de satisfação, receio, medo e principalmente dúvidas. Por isso a música, minha cabeça viaja tentando juntar as diversas peças desse quebra-cabeça que tenho total consciência de que apenas eu montei. Procuro fazer uma leitura racional dos fatos, mas de que forma?

É justamente nessa busca racional que aparece o Senhor Fantástico na história. Ser racional é sempre a parte mais fácil da vida. Algumas coisas são óbvias e fáceis de ler e compreender. Eu diria que para pessoas como eu, um gráfico resolve muita coisa. Porém, outras são extremamente sutis e tentadoras. Um exemplo disso é essa notícia (clique, vale a pena). A distância entre a arte e a ciência pode muito bem ser tênue, mas infelizmente nem sempre isso é percebido. Ao ouvir sobre essa exposição, parte de mim pensou no belo, mas confesso que parte ficou procurando formas de repetir isso, entender o processo físico da coisa. E isso, é chato, até porque eu sou um cara que realmente adora poesia, poxa, escrever poesia e fazer fotos é o que mais me relaxa.

Essa pequena dificuldade de sentir ou perceber esses pequenos nuances é o que torna minha mente enevoada. Eu sei o que penso e sinto. Sei que essa pessoa não passa indiferente por mim e não consegui ainda descobrir se hoje fui chato, causei medo, afastei ou o que eu posso realmente representar para essa pessoa. Coisa simples e até certo ponto óbvia de fazer, mas pra mim parece física quântica, se bem que nesse ponto eu estou mais para o Senhor Fantástico, conheço mais sobre física quântica do que sobre o que se passa com as pessoas.

Hoje percebi da forma mais dolorida possível que isso é um grande erro, infelizmente não sei ainda como corrigir isso.





Como uma onda – Lulu Santos

10 03 2010

sou a árvore que distante vê a onda que vem e vai e se apaixona por ela

sou a árvore que distante vê a onda que vem e vai e se apaixona por ela

“Poxa, Lulu Santos é fim de carreira!” Certamente é o que um amigo meu vai dizer assim que ver o título desse post. Talvez até se lembre de uma discussão que tivemos (era um grupo relativamente grande) justamente sobre essa letra. Num churrasco, enquanto a carne estava assando a gente discutia se ela letra servia ou não pra falar do tempo, da condição dos sentimentos humanos e até pra iniciar uma discussão sobre Astronomia.

Bom, no meu atual (e péssimo) estado, me sobra claro a condição dos sentimentos humanos (ou meu mesmo, está valendo). Isso é claro numa continuação das ideias que iniciei no último post usando o filme Feitiço do Tempo. Realmente não estou bem, misturando Lulu Santos cantando Como uma onda (clique para ver um clipe) com comédia romântica. Minha cabeça anda confusa mesmo.

Mas chega de embromação, vamos lá. No filme, o personagem do Bill Murray vive sempre o mesmo dia (já falei disso antes). E nesse mesmo dia que ele vive vai se aventurando num interessante e complexo jogo de conquista. Pouco a pouco ele vai conhecendo sua pretensa amada e principalmente vai se conhecendo. Vai melhorando como pessoa, como ser humano. No final da história, como é numa comédia romântica, é claro que ele acaba realmente apaixonado e conquista a mulher que se apaixona pelo homem que ele se tornou.

História bonitinha como se vê, recheada de pitadas de humor ácido e pequenas lições de moral como o gênero exige (o personagem do Bill Murray inicialmente é uma pessoa intragável, faz questão de ser chato e só consegue algum sucesso em sua empreitada quando percebe que deve prestar atenção e assistência ao outro). Mas o que eu tenho a ver com isso?

Confesso que tenho me sentido meio Phill (o personagem do Bill Murray) a algum tempo. Nessa de tentar conquistar (e me conquistar) um pouco a cada dia. Tentando entender pequenos detalhes de alguém (e assim os meus também) e quem sabe conquistar esse alguém (pena que a vida não é como nos filmes, o final nem sempre é aquele que a gente sonha e quer).

Essa é a parte chata da coisa toda. Eu assumo ser muito bom em algumas coisas e, obviamente, péssimo em outras. Ler as pessoas é uma das coisas em que sou eternamente reprovado na primeira série. Eu queria nesse caso ler o básico, até pra definir alguns rumos básicos na minha ação. Nem falo aqui de plano de conquista. Afinal, de certa forma eu não acredito nisso, você nunca vai convencer alguém a gostar de você (a odiar é até fácil), mas sim vai mostrar-se atraente o suficiente pra que a pessoa perceba que se interessa por você também.

Eu quero(ia) muito que essa história toda tenha o mesmo desenho final do filme. Pessoa legal, admirável, bonita, inteligente, bom papo, enfim tudo o que eu gostaria de encontrar numa namorada. O que pega nesse caso é que eu não sei se sou visto exatamente da mesma forma por ela. O que é um claro direito da outra parte. Gostar ou não da ideia vai do desejo de cada um. Nesse ponto, algumas pessoas travam. Travam até num trecho da canção do Lulu Santos “Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia…” O medo de errar de fazer algo que torne tudo impraticável, até mesmo um simples bom dia pode barrar alguns bons vôos.

Eu particularmente nem sofro tanto do medo do erro. Afinal eu assumo que admiro, não tenho medo ou vergonha disso. Poxa, é realmente algo louvável conseguir admirar alguém, perceber que esse alguém tem várias coisas boas que chamam a minha atenção. Eu costumo de tempos em tempos perder a confiança na nossa espécie, confesso. Sorte que algumas pessoas me fazem voltar a acreditar no homem. Pra ser perfeito basta terminar em romance, se não der, paciência, continuo admirando uma pessoa extremamente admirável. Tão bela e forte como uma onda no mar.





People Like Us (David Byrne) – John Goodman

8 03 2010

flores para as mulheres livres

Flores para as mulheres livres!

Hoje é Dia Internacional das Mulheres. Vi muitas hoje. Algumas realmente merecem os parabéns pelo dia, outras nem tanto. Não pretendo discutir o que vem a ser esse merecimento agora. Até quero falar disso, mas quero falar das mulheres de um modo mais sutil e até certo ponto masculino. Um amigo com quem discuti a ideia do texto disse que era uma forma feminista de ver o assunto, eu discordo, acho apenas que é a forma como um homem normal (eu) vê as mulheres.

A começar pelo filme que me serve de referência, a comédia romântica Feitiço do Tempo (acho que é uma das poucas traduções bizarras de nomes de filmes que realmente funciona, Feitiço do Tempo é bem mais interessante do que O Dia da Marmota). A música que dá nome ao título é do David Byrne e faz parte do filme True Stories. Na versão que apresento a vocês. John Goodman canta People Like Us numa cena do filme (clique para ver).

Tudo parece uma salada maluca, mas tem lá sua lógica na minha cabeça louca. O filme fala de um homem extremamente chato e arrogante que é obrigado a viver sempre o mesmo dia. Com o passar do tempo ele passa a perceber sua colega de trabalho e tenta todos os dias conquistá-la. Ele vai aprendendo com ela dia a dia, vai conhecendo a mulher por quem se encanta e nesse processo ocorre o principal, vai se reconhecendo e até se tornando mais feliz com as mudanças que implemente em sua própria vida graças a busca pela atenção e amor da amada.

É ai que minha linha de raciocínio entra. A música People Like Us já foi utilizada em outro post meu (clique para ler). Eu falava do dia dos namorados. Agora o enfoque é outro. O procurar gente como a gente continua, é claro. Eu quero uma namorada como eu (papo de encalhado, tudo bem eu assumo). Quero alguém que seja igual a mim. E é justamente esse o mote. Eu confesso que detesto o padrão de mulher Amélia, a ideia da mulher obedecer cegamente o homem, viver a sua sombra, cuidar do lar e dos filhos, tudo isso muito me incomoda.

Eu quero alguém igual. Alguém que tenha seus sonhos, desejos, que construa e queira construir. Alguém que queira ser igual, não mais ou menos. A tal terceira jornada pra mim também é balela, hoje é algo que se divide facilmente. E na boa, pagar uma diarista não é o fim do mundo…rs.

Essa é a visão que eu tenho da mulher. A mulher que eu parabenizo é aquela que se coloca em igualdade com o homem. Não quer o lugar do homem, apenas o seu lugar. Não quer dominar nem aceita ser dominada. Quer ser companheira e quer seu companheiro (em tempos atuais, pode querer companheira assim como homens podem querer companheiros, orientação sexual de cada um não é o mote aqui agora).

A mulher que eu parabenizo e quero mandar flores é a que é além de mulher, é humana. Hoje conheço várias delas e a todas elas eu mando meu carinho. Mulheres que querem ser gente como eu. As que se fazem de vítimas ou que são vítimas de um mundo machista, só espero que consigam se libertar do que as prendem e que sejam felizes. Uma mulher pode ser livre e feliz em casa cuidando dos filhos, mas esta deve ser a opção dela e não de outros, assim como pode ser prisioneira sendo presidente de uma multinacional. A liberdade é tudo, ter esse direito é importante.

Já em relação ao filme, vale retomar a base da história. A cada dia o personagem de Bill Murray se libertava de seus medos e se encontrava consigo mesmo. Ficando mais próximo da mulher que realmente ama. De certa forma a liberdade da mulher que ele busca é a própria liberdade dele. Eu devo retomar um pouco essa ideia no próximo post. Falando de uma história um pouco mais pessoal. Por enquanto deixo pra vocês o espaço pra falarem um pouco da mulher que acreditam merecer os parabéns por esse dia.