Aquarela do Brasil – Disney

21 03 2010

tem coisas belas que só enxergamos em nossa terra, seja ela qual for...

Meu caminho mudou um pouco, pretendia seguir a linha do último post e partir para a ideia do gigante gentil (explico isso melhor no próximo post). Porém, ontem li um texto no blog da minha amiga Dona Flor (clique para ler) e resolvi trazer a brincadeira pra cá também. Quero falar um pouco do sentir-se pertencente a um país, a forma como cada um traduz o nacionalismo, a sua relação com seu povo.

Resumindo, a Flor (que se casou e hoje mora numa cidadezinha alemã) diz como se sente quando ouve alguém falar mal do Brasil. Na história dela o sentimento veio a partir de comentários depreciativos em relação a Venezuela, mas vale o raciocínio, aliás reitero, vale a pena ler a linha de raciocínio que ela seguiu.

Para embalar o post escolhi um desenho animado da Disney onde aparecem Aquarela do Brasil (que dá nome ao post) e Tico-Tico no fubá (clique para ver), com Zé Carioca e Pato Donald. Eu gosto muito desse desenho. Gosto das músicas que aparecem e confesso que apesar de todo um papo de visão imperialista, doutrinação e milhares de outros senãos que aparecem toda vez que se cita filmes como Saludos Amigos e Você já foi a Bahia, eu prefiro ficar com a imagem positiva.

Se tem uma coisa que eu gosto no meu povo é o seu jeito jocoso, a forma leve com que costumamos encarar todos os problemas é algo contagiante. É claro que isso as vezes é prejudicial e muitas vezes torna qualquer análise dos nossos problemas superficial demais, mas é a forma como o nosso povo lida. O jogo de cintura do brasileiro não é algo que aparece somente na música, aparece em todas as nossas ações. A busca por alegrias diversas e constantes faz parte da nossa cultura, mesmo que nunca as encontremos, vivemos para elas e em busca delas.

Outros povos possuem outras características e assim acabam vendo o mundo com seus olhos. Os julgamentos que todos fazemos de um povo variam de acordo com a forma como acreditamos ser a forma correta de levar a vida. Alguns povos são mais sérios, seguem organização restrita, outros acentuam sua fé, para outros sua cultura é motivo de orgulho. Alguns vendem sua história como o mais importante.

Assim julgamentos todos carregados de preconceitos são feitos a todo instante. Europeus acham o Brasil desorganizado, brasileiros dizem que os europeus são muito frios, norte-americanos são vistos como ignorantes em muitos aspectos e alguns grupos orientais como xenófobos. Esse tipo de comentário claramente irrita quem ouve e com toda razão. Afinal, o julgamento é feito (como disse anteriormente) com o olhar viciado pelo que a gente acredita ser o certo.

Temos que somar a isso o fato de que obviamente machuca quando alguém coloca o dedo em nossas feridas. Nós sabemos onde o nosso país tem que melhorar, quais são os grandes defeitos. Mas odiamos quando alguém chega e fala isso sem fazer parte do nosso povo. Afinal quem é esse gringo pra falar que o nosso país é sujo? Os caras nem tomam banho todo dia! Como alguém que mal diz bom dia pode reclamar da alegria do nosso povo? E coisas assim vale pra eles também. Como um brasileiro vai reclamar da dificuldade de comunicação de um alemão com a qualidade de ensino que oferecemos?

No fundo todos gostaríamos que os outros só vissem o nosso lado bom. Varrer a sujeira pra baixo do tapete quando as visitas chegam é infelizmente um costume mundial. Todos sonham em ver seus povos como perfeitos, mas no fundo todos sabem que perfeição não existe. Tem ainda outro lado nessa moeda. A glorificação do estrangeiro, aquele que notadamente acredita que a grama do vizinho é sempre mais verde, tudo do seu povo não presta.

Esse tipo de atitude me incomoda muito. Ouvir de brasileiros que meu país é um lixo, que meu povo não presta de gente que não mexe um dedo pra mudar a situação. Gente que só afirma que a solução seria o aeroporto, esquecendo que faz parte desse povo que diz ser ruim. Veja, eu falo de nacionalismo, não de ufanismo. Não quero apagar os defeitos da nação, quero que o nosso povo corrija esses defeitos. Não sou daqueles que prega apenas filmes nacionais, livros nacionais, música nacional. Acredito sim que a cultura do mundo está ai pra todo mundo conhecer, curtir e apreciar, mas não desvalorizo o que o nosso povo faz. Muito pelo contrário. Tenho orgulho de ser brasileiro e alguns brasileiros (como quem tenho citado nos últimos posts) me fazem ter orgulho de pertencer a esse povo.

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5 responses

21 03 2010
Dona Flor

OI Alex!

Excelente post! Eu posso dizer que quanto mais viajo, mas gosto do nosso país e mais sinto falta. Quando a gente mora aí, e não tem como comparar com outras situações, pode até pensar que o “exterior” é o Eldorado ou o paraíso, onde as pessoas são educadas, todos têm emprego, não existe pobreza nem corrupção. A gente só vê a realidade mesmo quando começa a sair mais, vivenciar outros lugares, outras situações, conversar com pessoas diferentes… e posso dizer que esse meu “outro olhar” nem começou quando estudei em Londres ou mochilei na Nova Zelândia, muito menos quando mudei pra Alemanha. Começou quando mudei de São Paulo para Maringá/PR e eu ouvia pessoas que nunca tinham saído de lá e pensavam que em SP teriam uma vida ótima ou o contrário: que SP era uma selva de pedras, cheia de violência e bandidos a cada esquina. Aí eu sempre pensava, não é assim, nem assado, é um misto de tudo e muito mais. E agora é meu sentimento em relação ao Brasil ou América Latina: é o sentimento de que alguém que passou apenas 10 dias de sua vida em algum país, não pode julgar a população como um todo, nem para o bem, nem para o mal.
E isso estou tentando mudar em mim tbm, diminuir o tom das minhas críticas ao meu novo país é uma tarefa à qual eu me imponho de agora em diante. =)

21 03 2010
olharesdispersos

Meu post é filho do seu…rs
nem me incomodei com o fato de ter que mudar minha sequência prevista.

Eu acho realmente que tudo é uma questão de como a gente enxerga as coisas, o nosso olhar acaba sendo mais fortge naqueles pontos que se tornam mais importantes na nossa cultura.

21 03 2010
celma araújo

Infelizmente o Brasil ( ainda ) sofre mto preconceito. Mas mtas vezes o Brasil é taxado como um celeiro de violência, mulheres , prostituição e favelas.
Mas o que mais me incomoda é o fato de que o próprio brasileiro é que pinta esse quadro lá fora, ou seja, é bonito dizer que brasil é o país do samba e carnaval, e o que enfatiza mais o carnaval?….MULHERES E A NUDEZ.
Os filmes que são importados lá pra fora, mostra um Brasil violento, como Cidade de Deus e Tropa de Elite que enfatiza a violência e a pobreza!
e por aí vai! Acredito que 70% do preconceito é realmente construido por brasileiros.
Mas aos poucos esse quadro parece que esta começando a mudar…e assim espero…Pois amo meu País!
abraço!

21 03 2010
neowellblog

Rapaz, me emocionei com sua postagem! Ainda mais com o vídeo da Disney! X) Lindo né? Fora o alcool e o fumo! hehehe Concordo com o que você escreveu! Adoro o Brasil por muitas razões! O nosso país é um lugar muito bom para se viver e conhecer.
Seu post é muito claro, e eu não costumo ler postagem sem muitas imagens ou vídeos para acompanhar, mas seu texto apresentou um tema muito atraente e eu colei nele até o final! =)

Parabéns pelo seu blog! Vou colocar você na lista TOP TEN! =) Depois passe lá no link SUPER BLOGS na barra no alto do blog e pegue seu selo!

Grande abraço!

http://neowellblog.wordpress.com/

22 03 2010
Alexandre Schaefer

Com certeza é muito mais fácil ser um crítico do que ser um “auto-crítico”. É muito mais fácil analisar os problemas dos outros do que o seu próprio umbigo. Sim, concordo que o povo brasileiro é um povo diferenciado, que lida com seus problemas com jogo de cintura. Só penso que poderíamos ser menos relapsos e tomarmos um pouco mais de iniciativa em determinadas questões ao invés de simplesmente varrer a sujeira para debaixo do tapete….
Por exemplo: o que dizer sobre a campanha “Fora Sarney”???

Muito bom o blog! Abs!

Quando puder visite:
O vôo da águia
http://aguia81.blogspot.com




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