Al Otro Lado Del Rio – Jorge Drexler

24 03 2010

Brasileiros comemorando o Ano Novo Chinês

Meu último post falou de um certo nacionalismo que no fundo vários de nós carregamos, da forma como a nossa formação cultural. Agora eu quero brincar com outra parte dessa mesma linha de pensamento. A inspiração cultural. A idéia me surgiu depois da visita de outro blogueiro no meu post anterior. O autor do NeoWellBlog (clique para ler), faz um panorama do Japão em suas postagens, numa rápida visita encontrei posts falando do turismo no Japão, Ikebana, o modo atual de vida no Japão e outros assuntos de cultura geral japonesa.

Essa admiração por outros povos e culturas me parece similar ao pensamento nacionalista que eu citei no post anterior. Justamente por determinadas culturas possuírem algo em comum com a nossa forma de pensar, acabamos elegendo essas culturas como referência comportamental e em alguns casos acontece até uma certa idolatria.

Nessa linha de pensamento, escolhi uma música que vai servir pra falar de um pequeno contraponto nesse cenário de amor ao estrangeiro. A música al outro lado del rio, composta por Jorge Drexler e ganhadora do Oscar em 2004 pelo filme Diários de Motocicleta. O filme fala da viagem de Che Guevara e Alberto Granado pela América do Sul. O filme é muito bom. Mas, para o que eu quero citar nesse post, serve também para marcar outra linha de pensamento. Não encontramos muitos casos de, digamos assim, idolatria ao estrangeiro quando se pensa em países pobres.

Nós brasileiros não temos olhos para a América Latina como temos para a Europa e América do Norte. Se alguém conhecer algum blog falando da cultura latino americana, escrito por brasileiros, eu gostaria de ler. Não que a cultura seja menor, não é, mas é estranho como nesses casos a gente só olha pra quem tem mais grana (ou pros nossos ancestrais, é bem comum ver descendentes de uma nação louvarem a cultura do país de origem de seus antepassados).

A música produzida na América Latina é bastante interessante, porém, ela raramente chega aqui, enquanto a nossa produção musical é mais do que consumida por nossos vizinhos. Assistir ao Grammy Latino é até cômico, observa-se um monte de artistas levando prêmios, artistas dos quais nunca se ouviu falar em nossas terras, e, em muitos casos, uma busca rápida no youtube nos faz ver que infelizmente não tínhamos conhecimento desses artistas. E isso se estende pra literatura, pintura, cinema e por ai vai.

Eu não estou pregando uma espécie de latinismo, longe disso. Apenas percebo o fenômeno. Até hoje me lembro com pesar e uma dose de riso da cara que um amigo meu fez ao descobrir que Mafalda é um personagem argentino e não espanhol. Assim como achei absurdo alunos olhares tortos pra uma amiga que casou-se com um chileno. Ainda não me acostumei com essa ideia de valorar pessoas pelo seu local de nascimento, até porque, em teoria num mundo globalizado todos são de todos lugares.

Eu tenho meus gostos estrangeiros também. Adoro jazz norte-americano, rock progressivo inglês, quadrinhos franceses, norte-americanos e ingleses. E isso não me faz um sub-produto do capital, ou alguém que vanglorie apenas nações ricas. Gosto também do batuque africano, da poesia árabe (aliás do mundo todo), das músicas latinas, eu gosto do mundo. Volto a falar do blog (clique e leia) que me fez escrever esse post. O autor fala sim com um baita carinho do Japão, mas seu comentário em meu post mostra claramente que ele não desdenhou o Brasil e se rendeu a outra nação. Apenas abriu os horizontes pra outra cultura (talvez até por herança familiar, não sei).

Isso é até um mote pra relembrar algo que aconteceu a pouco tempo (e eu já escrevi sobre). Quando fui com alguém muito especial pra mim (por menos que possa parecer, essa pessoa não passa despercebida por meus olhos, eu só não sei como agir…rs). No evento chamado Restaurante Week, fui com essa pessoa a um restaurante. Tantas culinárias diferentes a escolher, poderíamos ficar no padrão francês/espanhol/italiano. A opção foi a culinária tailandesa. Um comida muito saborosa, num restaurante agradável e belo na companhia de uma pessoa mais bela e agradável ainda. Preciso convencer essa pessoa a repetir o programa…rs. Isso pra mim foi só mais uma mostra de que temos que ter os olhos abertos para o mundo. Conhecer e aceitar formas diferentes de pensar sem esquecer de onde viemos e quem somos. Apenas pegando aquilo que acreditamos ser o melhor de cada povo.

Você é vidrado em alguma cultura? Fale o que te encanta. No próximo post farei uma reflexão sobre aniversários (poxa to ficando velho…snif)

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One response

25 03 2010
neowellblog

Adorei sua postagem! Tanto que virou matéria em duas páginas da revista de meu blog! =)
Veja imagem da revista com matéria sobre sua postagem disponível no link SUPER BLOGS em meu blog NWB!

Muito obrigado mesmo! =)

Grande abraço!

http://neowellblog.wordpress.com/




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