Fanfare For The Common Man – Emerson, Lake & Palmer

28 03 2010

é preciso se ver livre dos falsos amigos

Todos temos nossos dias melancólicos. Algumas fases em que a gente fica pensativo demais e para de ver as cores do mundo. Tudo fica em branco e preto, com alguma sorte fica cinza acontecem com todo mundo. Em alguns com mais ênfase do que outros.

Eu estou numa fase pensativa. Relacionar com datas como o meu aniversário na sexta passada é reduzir demais aquilo que eu estou pensando e sentindo. Estou mesmo saturado das limitações. Cansado dos extremos. Quero sim uma vida mais equilibrada. Uma vida comum, se é que isso existe. Afinal, todo mundo tem um ponto onde seu calo realmente aperta e trocar o sapato apertado nem sempre é a coisa mais simples a se fazer.

Li a pouco um texto sobre os problemas de Blaise Pascal, a forma como ele foi tratado de seus problemas de estômago. Li num blog de uma amiga querida, não sei se posso citar aqui a fonte, se ela ler esse post e permitir eu faço a edição. Hoje também foi um dia em que eu resolve escutar algumas músicas velhas, entre elas uma do Emerson, Lake & Palmer que eu adoro, chamada Fanfare for the Common Man (clique para ouvir uma versão), rock progressivo da mais alta qualidade. Além disso, ainda fazendo uns textos para um trabalho fui dar uma fuçada na minha estante de DVDs pra tirar algumas ideias. Meus olhos pararam num filme, Rain Man, e comecei a chorar.

Quem me conhece sabe que eu tenho uma ligação forte com esse filme, por alguns motivos bastante pessoais. É engraçado que eu adoro a história, adoro muito. É um dos filmes que mais gosto, mas nunca tive a coragem de citar. Talvez por ser um filme que tem um quê extremamente pessoal. Eu em vários momentos me vejo no personagem vivido por Dustin Hofman.

Pra quem não viu o filme, Tom Cruise, por diversos motivos, acaba sendo obrigado a tomar conta do irmão autista (Dustin Hofman). No caso o autismo é bastante claro e intenso. Percebem-se todos os sintomas clássicos do comportamento. Manias, fobia social, fechamento num mundo particular e por ai vai. Para quem desconhece o tema, existem diversos graus de comportamento autista, do mais leve, onde a pessoa é basicamente apenas alguém meio estranha, até o mais pesado, onde existe uma quase impossibilidade de socialização.

Mas voltando ao tema. Tom Cruise passa a fazer uso do irmão, das habilidades que ele demonstra (apesar da dificuldade de se relacionar com o mundo). Se aproximando dele basicamente por necessidade. Com o tempo é que as coisas mudam e ele passa a demonstrar preocupação e carinho pelo personagem de Dustin Hofman. Nessa linha surgem dois temas para serem ditos, duas coisas que de certa forma me incomodam muito.

O fato de algumas pessoas se aproximarem só quando precisam. Perceber que isso é apenas por necessidade do outro e não sua. Não existe nada em troca, tudo é falso. Você sabe fazer algumas coisas bem e alguém que sabe disso e precisa dessas suas habilidades solicita seu auxílio. Nada de mal nisso, porém, o ideal seria a troca. Seria estar disponível para o outro lado. Seria entender que aquela pessoa que está te ajudando também precisa de ajuda muitas vezes.

Falo isso porque tenho me sentido bastante usado nesses últimos tempos. Solicitado pra coisas diversas, problemas leves ou nem tanto, em geral coisas que até consigo resolver. Em é o problema ajudar, mas poxa, será que não existe mais espaço pra um muito obrigado? Pra qualquer demonstração de que a pessoa que faz o favor também importa e não só a ação?

Ampliando bem o olhar, fica claro de que isso não ocorre só comigo, mas também ocorre com muita gente. O número de pessoas que encontro por ai e só tem olhos pro próprio espelho é imenso. Gente que acredita que o mundo gira ao redor do próprio umbigo e que todos os demais estão no mundo para servir seus caprichos, servir com um enorme sorriso pois deve ser uma honra servir pessoa tão importante.

Cansei desse tipo de convivência. Até entendo ser subserviente mas é engraçado ser visto como alguém que só serve para resolver problemas. Cortei muita gente da minha lista de contatos ultimamente por agirem comigo dessa forma. Pretendo continuar excluindo quem assim agir comigo. Aliás, acho que todo mundo deveria fazer isso. E aqueles que acham que são mais importantes do que os outros, bom, esses que cresçam e encarem o descaso como uma lição.

Post meio nada a ver, eu sei, mas é como eu estou me sentindo, o próximo falará do outro aspecto que me toca no filme Rain Man. Tem algum filme que te toca a ponto de você nunca esquecê-lo?

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2 responses

6 04 2010
Dona Flor

Oi!!
Eu acho que tenhos vários filmes, que marcaram momentos diferentes da minha vida. O último que me deixou super pensativa e no qual eu me vi um pouco foi o Revolutionary Road (não sei que nome teve no Brasil) – http://www.revolutionaryroadmovie.com/.

Eu estava naquela fase perdidona na minha vida e ver essa dona de casa que abandonou os sonhos dela pra viver uma vidinha pacata ao lado do marido, enquanto ele crescia em sua carreira foi como ver um espelho. Chorei, chorei e chorei ao final do filme.

Beijos

6 04 2010
olharesdispersos

Oi Flor, aqui esse filme se chamou Foi apenas um sonho.

O lance comigo e Rain Man é engraçado, é um filme que eu preciso ver de tempos em tempos pra tomar coragem pra continuar, mas ao mesmo tempo doi pra caramba ver.




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