Virtual Insanity – Jamiroquai

11 04 2010

Vivemos como se cada uma dessas flores só soubesse da existência das outras duas pelo mundo virtual

Nesses tempos de força das redes sociais virtuais, acabamos nos encantando cada vez mais por autores diversos, alguns desconhecidos, outros famosos que se colocam de forma cada vez mais próxima da de um ser humano normal. E mais engraçado do que isso. Cada vez mais nos sentimos próximos de gente que provavelmente nunca vamos ver ao vivo. Ou ainda nos apaixonamos por coisas que lemos mais do que por coisas que vivemos, ou no caso convivemos.

Falo isso pensando no twitter, ferramenta bastante interessante, eu confesso que uso o meu basicamente pra 4 coisas, divulgar meu blog, desabafar, encontrar descontos em coisas que quero comprar e encontrar rapidamente notícias de assuntos de meu interesse, a saber, esportes, ciência, música e quando tenho que ir pra Sampa, trânsito. Porém, confesso que tenho obtido outras diversões com o passarinho azul.

Sigo também pessoas, alguns amigos, outras pessoas influentes e gente que me segue também. Nessa troca de seguidores, me espanta o quanto conseguimos conhecer de pessoas próximas com pequenos textos de 140 caracteres. Eu normalmente até que me exponho bastante aqui, mas falo de pessoas que no dia a dia não se expõem tanto. Existem nesse caso, como em qualquer situação como essa, coisas que nos aproximam e coisas que nos fazem querer distância das pessoas. A exposição excessiva em muitos casos acaba sendo negativa.

Entretanto, quero me prender a outro aspecto. Quando passamos a admirar pessoas por sua humanidade. Eu sigo pessoas que se mostram muito mais humanas no microblog do que em outras oportunidades de contato. Gente que apresenta medos e falhas, alegrias simples e inteligência divertida e elevada a ponto de se tornar apaixonante. Gente que me cativa nos pequenos comentários que faz.

Penso agora nesse mundo virtual, loucamente virtual. Os contatos acabam sendo mais próximos com gente que está a continentes de distância do que com as pessoas mais próximas. A solidão se amplia cada vez mais nos grandes centros, onde existem milhares de pessoas reclamando do vazio que sentem (eu me incluo nesse meio). É mais fácil saber o que seu colega de trabalho, seu vizinho ou um conhecido pensa e sabe através do que ele coloca em seu blog, dos seus comentários no Orkut, ou Facebook, ou Twitter ou qualquer outro grupo social virtual do que numa conversa ao vivo.

No passado já disseram que o telefone afastava as pessoas, o tempo provou que não era bem assim. Vieram os celulares e cada vez mais gente se comunicando. A internet criou uma nova forma de se relacionar. Nos comunicamos cada vez com mais gente e cada vez conhecemos menos pessoas. Sintomas dessa loucura virtual em que vivemos. Onde eu declaradamente me sinto encantado por alguém que leio e não consigo expressar isso ao vivo de forma clara. Onde pessoas de vários lugares lêem o que eu escrevo e até se encontram nos meus textos e fotos, mas mesmo me conhecendo não tem coragem de discutir ao vivo aquilo que pensam.

Levar essas relações do virtual para o real seria o ideal, mas isso raramente ocorre. Seja pela distância física, seja pela falta de tempo, seja por medo (talvez esse seja o meu caso). Pouco realmente fazemos para possibilitar contatos humanos reais e verdadeiros. Até por isso eu escolhi a música do Jamiroquai que dá título ao post. Adoro a banda e essa é minha música predileta. Virtual Insanity (clique para ouvir), fala da loucura virtual que a tecnologia traz, de como isso afeta as diversas relações humanas.

Afeta tanto para o bem quanto para o mal, mas afeta. Muda o olhar que temos sobre o mundo que nos cerca. O bairrismo perde sentido, parece que finalmente todos somos cidadãos do mundo, entretanto, essa comunicação toda também acentua as diferenças. As línguas passam a ter valor de união entre as pessoas. Muitos falam mais de uma língua, a sua local e alguma língua universal (principalmente inglês). Muitos escrevem suas ideias em várias línguas assim como possuem acesso a informações do mundo todo.

Eu tenho que agradecer a existência dessa loucura virtual porque ela me permite conhecer gente e situações que levando em conta a forma como vivo e minhas limitações pessoais, com certeza eu não teria acesso. Sou muito mais sociável do que seria sem a internet, mas e as pessoas que se isolam mais e mais por causa da rede? A discussão sobre se isso vale ou não a pena é grande, eu por enquanto evito tomar partido de um lado. Só procuro usar o que tenho a disposição para me comunicar. Aliás, se alguém quiser me seguir no twitter, está ai meu endereço http://twitter.com/alexmartinsfoto

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3 responses

11 04 2010
Marcus Alencar

É, essa loucura é mesmo uma insanidade virtual porque tudo muda, como se um novo mundo estive se abrindo tal uma realidade paralela onde somos muito mais do que somos no real e fisico. Nesse mundo somos mais de um, estamos ali, ali, ali e aqui ao mesmo tempo, mandamos recados, twetts e posts abordando as vezes aspectos diferentes do mesmo assunto que, por sua vez, se encaixam formando um hipertexto até involuntário.
A internet possibilita muita coisa boa, uma delas é permite que o fenomeno da socialização aconteça não só em escala maior como também com maior diversidade de grupos.
abraçosssssssssssss……….isso rende pacas, parabéns pela abordagem e escolha pertinente

13 04 2010
Dona Flor

Oi! Pois é… como você citou no Twitter, esse post tem tudo a ver comigo. Eu conheci não só você como várias outras pessoas com as qais eu mantenho contato quase que diário virtualmente, mas nos vimos pessoalmente apenas duas ou três vezes. Eu conquistei amigos, clientes e até o marido via Internet e considero a Internet um canal fantástico de comunicação e socialização. Não imagino que eu poderia ter te conhecido de outra forma.
Beijos

16 04 2010
Ana

Oi!
Obrigada pelo comentário no Redescobrindo São Paulo.
Pode tirar foto lá de cima do Sesc sim. A foto que coloquei no post eu que tirei.
Mas eu acho que o Sesc da Avenida Paulista está em reforma, e ficará fechado por um tempo.

Até logo.




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