Fake Plastic Trees – Radiohead

18 04 2010

estar tão longe de casa faz todo o entorno parecer de plástico...

No último post eu comentei da força do twitter (que confesso preciso usar mais) e outros grupos sociais que faço uso (preciso aprender a usar de forma correta o facebook). Tudo em nome da comunicação rápida e precisa entre as pessoas. Na lista esqueci de falar de uma rede social bem divertida e que eu faço parte, o Skoob uma rede social que tem a leitura em sua base, gosto também do Last FM, que usa músicas, mas o problema do last FM é não ter achada um aplicativo bom pra blackberry, facilitaria muito atualizar meu perfil, eu raramente escuto música no PC.

Deixo de lado, entretanto as redes sociais para falar de outro aspecto da comunicação, aliás para falar da própria base da comunicação que é a linguagem. Existem diversas formas de se comunicar, sinais, desenhos, letras, signos diversos que podem ou não ser compreendidos por todo mundo. A língua, é claro, acaba sendo o principal modo de comunicação.

As pessoas se agrupam e se reconhecem pela língua. Já ouvi histórias de colegas no exterior. Pessoas que em algumas situações do nada ouviram um som peculiar, a língua falada aqui no Brasil, com sotaque de gente daqui e ficou desesperado pra saber de onde vinha o som. E quando encontraram brasileiros, sentiram-se como se tivessem encontrados irmãos. Uma sensação de proteção e proximidade estranha, mas compreensível. Afinal, se você era de São Paulo, o interior do Maranhão vai parecer muito mais próximo a você do que as pessoas que passam apressadas falando uma língua estranha em Praga.

Outro fator interessante dessa linha é que no geral as saudades se tornam parecidas. É o feijão, aquela música que você odiava e de repente passa a ser menos ruim, ela passa a ter um quê de saudade. E te reconforta ouvir. Se você odiava novela, ver uma cena tipicamente brasileira na TV vira algo que te aproxime do seu povo. E nessa, se formam grupos. As pessoas vão se juntando onde se encontram. Viram amigos, parentes, conselheiros.

Aqui em São Paulo temos um bairro japonês, um bairro coreano, comunidades judaicas, árabes, de diversas nações. Diferentemente de ser uma forma de segregação, já que salvo raros casos estas pessoas não se isolam do resto da sociedade.  Estes bairros funcionam como um refúgio, onde cada um pode encontrar um pouco de sua origem, falar a sua língua, cultivar as suas brincadeiras, sua música, sua comida e os seus. É uma forma de manter-se ainda parte do país de origem. O pior é quando nos sentimos assim incomunicáveis mesmo em nosso país, nossa cidade e em nosso grupo. Isso é comum e infelizmente dói mais ainda.

Imagino como deve ser duro sentir-se separado de tudo aquilo que lhe é mais caro. Ver-se sozinho num lugar onde as coisas até podem parecer ter algum sentido, mas infelizmente não são do jeito que seu povo faria ou que sua crença pede que seja feito. A Alegoria que faço disso é a de um animal preso num zoológico, ele está bem alimentado, tem certo espaço, até certo tipo de liberdade. Mas aquilo tudo que o cerca no fundo é falso. Não lhe pertence, as pedras do recinto não são iguais as da lagoa, as plantas não são as mesmas. A cor do céu é diferente e até os medos e riscos fazem falta.

Eu de certa forma me sinto um pouco assim perdido, os motivos são outros, mas entendo quando as coisas não parecem fazer sentido onde você está. A música Fake Plastic Trees do Radiohead (clique para ouvir) mostra como essas sensações falsas nos incomodam. Tudo parece falso, as flores não tem mais perfume e vivemos numa jaula que na verdade nos protege, pois tudo aquilo que está do lado de fora das grades, na verdade não nos pertence, não somos parte daquilo que vemos.Ai está uma música tão forte pra mim quanto o filme Rain Man

E a solução é prender-se aos pontos positivos do passado. Numa atitude meio autista e protetora. Onde se busca ouvir uma voz interna que fale a sua língua. Algo que se comunique com seu íntimo. Afinal, quem nunca se emocionou ao ouvir uma voz amiga num momento de solidão e desespero? Você sabe onde encontrar essas vozes? Sente falta delas?

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2 responses

19 04 2010
Kadan Cordeiro

Sensacional essa música do Radiohead, essa é a música que eu mais gosto da banda.

Em relação ao seu texto, eu me identifiquei bastante, pois eu sempre morei em são paulo e me via totalmente fora do eixo, quando trabalhei por quase um ano em Portugal e na Espanha.

É realmente muito prazeroso, quando se encontra um brasileiro, ou um restaurante brasileiro que sirva uma autêntica feijoada. Sentia muita falta da vida noturma paulistana, do caos dessas cidade, até da poluição que encobre o sol pelamanhã eu sentia falta.

Me lembro que em uma viagem, fiquei feliz ao ouvir em uma rádio Portuguêsa a voz de Cumpadre Washington, cantando uma belacanção do Tchan…rs

Abraços!!!

22 04 2010
jocumponta

cara creio tbm que isso de estar dentro de uma outra cultura e meio dificil realmente, porque aqui em nossa ong temos pessoas estrangeiras temos um canadense, urugyao e paraguaia e eles sofrem por causa de nossos custumes que muitas vezes pra eles não e nada normal! imagino vc como de estar sendo dificil!!!! mas força aii cara aprende tudo e ensina tambem, so não tenta trazer sua cultura como absoluta pois isso e um erro muito grave

muito legal o seu bolg

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