Falling to Pieces – Faith No More

23 05 2010

Quanto se perdeu num único incêndio?

Faz tempo que não passo por aqui. Tem faltado coragem pra escrever no blog. Tem faltado ânimo pra fazer um monte de coisas. É uma daquelas fases complexas em que você para, olha, tenta pensar e se descobre vazio e triste. Você tem a nítida impressão de que todos os seus esforços no final das contas não valem absolutamente nada.

Entretanto, confesso que um fato ocorrido no sábado da semana passada me deixou pensativo. É de conhecimento de todos que no Instituto Butantã aconteceu um incêndio de grandes proporções que destruiu a coleção herpetológica e de invertebrados. Existiam ali exemplares nem identificados ainda. Existia mais do que isso, uma gama imensa de sonhos. Trabalhos de gente que dedicava seu tempo a tentar gerar novos conhecimentos a partir dos estudos que realizava ali. Esses sonhos foram queimados juntos com a coleção.

Não tenho informações sobre o assunto, mas imagino que muita gente deve ter perdido trabalhos importantes, teses de doutorado, dissertações, trabalhos de iniciação científica não poderão mais ser entregues. Prazos não serão cumpridos e trabalhos terão que recomeçar do zero. Imagino a dor de alguém que provavelmente estivesse terminando seu doutorado e de repente se visse impossibilitado de terminar o trabalho devido ao incêncio. Um sonho queimado.

Ampliando um pouco a análise, todos nós vemos sonhos serem queimados o tempo todo. Eu tenho vários que viraram pó antes que eu pudesse realmente comemorá-los. Alguns chegaram a escorrer pelos dedos, um ou outro provavelmente eu até cheguei a tocar, mas na hora de fechar os dedos sobre o sonho, ele virou pó e foi levado pelo vento. Tudo caiu aos pedaços, até por isso escolhi a música do Faith No More pra esse post. Falling to Pieces (clique para ouvir) fala um pouco desses momentos de indecisão e dor que sentimos quando um grande sonho rui.

Provavelmente todo mundo já passou por alguma situação próxima a isso. A sensação de incapacidade, a frustração é imensa. Quando o sonho é destruído por algo que você não pode controlar, o peso que fica em cima da gente é imenso. É como a criança que faz o castelo de areia na praia e sem ter o que fazer o vê ser destruído pelas ondas.

Sem entrar no mérito da dor de cada um. Faço questão de ressaltar que compreendo que os estragos no incêndio são muito maiores do que as dores que eu sofro. Isso analisando tanto o impacto quanto a importância das ocorrências. Mas os sonhos de cada um são sempre únicos e perder o chão de forma grave machuca muito, seja num simples fora, seja na morte de um ente querido, seja na perda de um emprego minutos depois de contrair uma dívida alta. Cada um sabe o quanto aguenta dor e a forma como reage a isso e principalmente o quanto aquilo que se perdeu é importante para si.

Falo isso porque no momento em que me situo parece que tudo ao meu redor se esvai. Nem são sonhos, porque estes ultimamente tenho tido poucos. Mas sim minhas crenças e mesmo a forma como eu enxergo o mundo. Tudo ao meu redor parece não fazer muito sentido. De forma parecida (mas menos importante) da que o mundo de muita gente ruiu com esse incêndio. Ou desaba junto com as casas que se perdem nas enchentes ou qualquer outra grande perda.

Quero falar um pouco disso nos próximos posts se conseguir. Falar de sonhos que se perderam e se perdem dia a dia. Falar de sonhos que são importantes para manter a sanidade. Você tem alguma grande história de perda ou algum grande sonho que esteja lutando pra conseguir? Se quiser mande no blog.

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