Eyesight to the blind – The Who e Eric Clapton

20 06 2010

Esse livro só nasceu quando conheci Saramago e a capa ilustra a cegueira e a loucura desse mundo em que vivemos

Uau, essa semana foi corrida, diversos assuntos pulando diante dos meus olhos e tempo e espaço pra falar apenas de um deles. Copa do Mundo (esse dá pra esperar), morte do Saramago (sei que é moda, mas o cara é importante pra mim), derramamento de petróleo (ainda tenho que falar disso), Mary and Max (um ótimo filme que finalmente assisti), umas fotos que fiz de algumas pessoas e me deram um prazer incrível (ainda devo esperar um pouco pra tocar no assunto).

Isso tudo, é claro, sem esquecer do resto das coisas normais do cotidiano, o dar aulas, lavar, passar, cozinhar, mandar o DETRAN pra um lugar não muito legal (isso também fica pro futuro) e diversas outras coisas. Fim de semestre infelizmente é sempre loucura e parece que o tempo todo do mundo se resume a alguns parcos minutos em que você tem que resolver se libera ou não a bomba nuclear e começa a guerra final.

Até pra falar dessa visão maluca e apocalíptica. Meio que no par ou ímpar, resolvi falar um pouco do Saramago. Autor português, falecido a poucos dias e até o momento único escritor da língua portuguesa a ganhar o prêmio Nobel. Tudo isso tem sua importância, mas confesso que pra mim a importância é menor por suas ideias e livros e mais por ele representar um período importante da minha vida. Até concordo com muito do seu pensamento, também sou ateu, e tenho uma visão similar sobre a existência humana e a morte, porém, por mais absurdo que possa parecer. Qualquer ideia que eu tenha sobre Saramago, só me traz alegria, felicidade e até uma certa euforia juvenil.

Quando tive contato com o livro Ensaio Sobre a Cegueira, com alguém que estudava o autor e em particular esse livro de forma profunda, consegui encontrar detalhes que me trouxeram certo encanto maior com a literatura. Com isso, eu até passei a tomar mais cuidado com as poesias que escrevo e com as fotos que produzo, a ideia de que as mensagens são válidas e importantes e que tem gente que busca sim as mensagens naquilo que consome (livros, músicas, pinturas, folhetos, qualquer mídia) me encantou e me fez querer voltar a escrever de forma mais consciente e com mais qualidade. Não sei se consegui, mas meu primeiro livro surgiu nesse período e realmente parece que funcionou, tem gente já me cobrando o segundo que deve surgir sim em breve, estou na fase de estudos.

Uma das personagens do livro me encanta profundamente, porque a vejo como a representação fiel do que deveriam ser as relações humanas. A mulher do médico, alguém que serve de guia naquilo que pode e que mesmo tendo suas fragilidades faz o que se espera dela com carinho e vontade. Vejo também a cegueira branca como a mesma cegueira que temos para muita coisa que nos cerca, a criança que passa fome, o vizinho que pede ajuda, o vereador que vou votar e assim por diante. Uma cegueira semelhante a do Tommy na ópera rock de mesmo nome do The Who. Tanto que a música título do post, Eyesight to the Blind (agora o vídeo aparece direto na abertura do tópico, embaixo da foto) foi retirada desse musical.

A busca pela cura em ambos os casos (musical e livro) passa justamente por conseguir aceitar e entender a realidade. Enxergar o mundo como ele é, sem floreios. Ter coragem pra enfrentar  toda dor que possa surgir, como ocorreu com Tommy, ou ter coragem apenas para se situar nesse mundo podre como ele é, caso do Ensaio sobre a cegueira.

Em ambos os casos, a cura aparece de forma misteriosa. Como é misterioso o que nos leva a agir como agimos, a criar uma série de regras sociais e simplesmente jogá-las no lixo se nos for confortável. Realmente fazemos isso o tempo todo. Ser correto socialmente o tempo todo deveria ser o básico, mas infelizmente é algo que só ocorre até a página 2. Eu sou correto se vale a pena pra mim. Está na hora de mudar isso, de pensar sobre isso. É o que o The Who e o Saramago disseram. Será que a gente pensa sobre isso realmente?

Mesmo sendo uma leitura pesada, essa e a de outros livros dele, como O Ano da Morte de Ricardo Reis, Evangelho Segundo Jesus Cristo, Intermitências da Morte e outros me fazem pensar na existência humana e me fazem sorrir. Eu sorrio porque encontrei um motivo pra escrever e fotografar. Escrevo porque isso pode gerar discussão, ficaria imensamente feliz de discutir meus versos com quem os lê, tentando encontrar nessa conversa visões diferentes da minha que enriqueçam o que eu faço, vale o mesmo pras fotos.

Essa paixão, confesso que só descobri no contexto em que conheci Saramago, não devo isso a ele, mas sim a uma amiga que o estudava, mas ele é um marco desse período. Até por isso este post.

Saramago DESCANSE EM PAZ!!!

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2 responses

22 06 2010
Thathí

Eu nunca li os livros de Saramago, mas vi ao filme e pude ter uma pequena amostra do potencial, da visão de mundo e do banho de realidade que ele promove. Em ensaio sobre a cegueira mesmo, são tantos pontos, riquissimos, que podem e devem ser discutidos, mas infelizmente o povo ñ tem muito o hábito da leitura e muito menos o de discuti-la. No filme citado, uma imagem bastante forte, me impressionou a sutil colocação do carater humano, de como algumas relações estão tão arraigaidas q ñ mudam nem em situações extremas como a demonstrada no filme. Eu achei de muita relevancia vc aproveitar a despedida do Saramago com a incitação à leitura de suas obras e da contribuição q ela pode dar.
______

http://www.coracaoonline.blogspot.com/

23 06 2010
olharesdispersos

Grato pelo seu comentário, acho que ler deveria ser um hábito mais difundido, eu visitei o seu blog e gostei muito dele, entretanto, não consegui postar um comentário, tentarei isso novamente mais tarde.




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