A Letter to Elise – The Cure

29 08 2010

Já teve um tempo em que a natureza me encantava, depois que comecei a entendê-la o encanto virou admiração...

Além de livros eu leio um monte de blogs por ai. Alguns de amigos, outros indicados, alguns descubro via Blogueiros do Brasil. Dentre todos os blogs que leio surgem assuntos diversos. Alguns mais sérios e reflexivos, muitos tratam de Ciência, outros são besteira pura. Enfim, eu leio de tudo um pouco, e do que leio sempre procuro aprender, melhorar meus textos e me tornar uma pessoa melhor.

Já a alguns dias eu li um texto que me deixou inquieto. Inquieto por ser extremamente bem escrito e por trazer a tona algo que eu estava mastigando a algum tempo pra falar por aqui. A primeira reação foi perdi meu tema, o assunto de certa forma foi encerrado, mais fácil apenas botar um link e pronto. Só que ainda estava inquieto, o texto traz muita coisa, mas diverge um pouco na linha que eu sigo como pessoa.

No blog Olhar de Descoberta (clique para ler, vale a pena), a autora pergunta no texto do dia 19 deste mês “Em que momento o encanto acaba?” É uma pergunta complexa e difícil de analisar. No seu texto,  a Érika faz suas considerações a partir de um trecho do livro “O Leitor” de Bernard Schlink. Eu ainda não li o livro, mas ele entrou na minha lista de próximas leituras, fiquei curioso com a história.

Não vou dizer exatamente que linha a Érika seguiu em seu blog, fica apenas a dica para ler o texto e depois quem sabe concordar ou discordar da análise que eu faço aqui do tema. Eu me prendo mais na pergunta do título do que na fórmula utilizada para a construção do texto. Até comentei lá minha opinião sobre o que imagino sobre o tema, mas o espaço acaba sendo curto e de certa forma não me satisfez. Enquanto ouvia a música do The Cure que dá nome ao post eu comecei a tecer minhas opiniões sobre o tema.

Pra começar eu acho que deva passar a minha definição de encanto. Algumas pessoas realmente me chamam a atenção. Acontece que isso nunca foi suficiente para um interesse verdadeiro. Essa coisa de paixão arrebatadora, amor ao primeiro olhar ou beleza estonteante que me prende nunca aconteceu. O encanto, ou melhor o desejo primário por alguém em geral cessa nesse ponto comigo.

Eu só realmente me interesso por quem eu conheço relativamente bem. Pessoas que eu admiro e essa admiração não cessa facilmente justamente porque eu consigo deixar claro os motivos que me fazem admirar uma pessoa. Não é só um encantamento irracional, o encanto só me faz querer se aproximar de alguém, não querer dar o passo seguinte, este só consigo dar quando surge a admiração, é preciso conhecer para admirar.

Eu tive uma conversa sobre o tema dias atrás com um grande amigo. Segundo ele é isso que me faz estar sozinho a tanto tempo. Gasto tanta energia procurando conhecer bem as pessoas, que quando surge alguma admiração de minha parte, o ponto do romance já acabou e resta apenas a possibilidade de uma forte amizade. Pode ser verdade, afinal em grande parte dos últimos foras que tomei a tônica da amizade apareceu.

Acontece que para mim, a ideia da princesa virar sapa surge da pressa. Eu vejo o encanto como algo irracional e que se perde quando temos a chance de conhecer melhor o que nos encanta. Ai esse encanto possui dois caminhos viáveis, ou torna-se admiração e a coisa segue adiante, mais forte do que nunca. Ou vira decepção, a ponto de muitas vezes tudo aquilo que parecia positivo tornar-se motivo de ira em relação ao que encantava.

O problema é que quando você se encanta só tem olhos para o que é positivo, tudo aquilo que poderia irritar some dentro desse desejo irreal. Quando a calmaria chega e você pode analisar tudo mais racionalmente, os defeitos vem a tona e ai tudo se transforma. Quando alguém te chama a atenção apesar dos defeitos que possui (e você sabe que defeitos são esses) significa que o encanto virou admiração e a possibilidade do “infinito enquanto dure” citada por Vinícius ser mais longo se torna muito maior.

E ai surge outro ponto interessante, você pode até terminar um relacionamento, mas quando existe admiração, ele termina sem afetar aquilo que você admira na pessoa, a não que ela mude. E se, por outro lado, o relacionamento não se inicia, mas a admiração existe, ela não se apagará nem tornará doentia. Por outro lado, quando se está no encantamento ou paixão, a probabilidade de se surgir o excesso é muito maior. A dor do fim tende a ser mais acentuada e o desespero pela negativa também.

Tudo está muito no emocional e por isso mesmo não existem explicações lógicas pro que acontece. Tudo é muito intenso, independente a direção que se siga. Talvez por isso o encanto termine, tudo que é intenso demais também se torna frágil demais pois não existe uma forma rápida e ágil de se criar a sustentação para o sentimento.

Depois de toda essa viagem, só me resta tentar um breve conselho aos leitores, não deixe o encanto te dominar totalmente a ponto de só viver histórias fugazes e breves sem profundidade, apenas com quantidade. Por outro lado, não deixe que todo o encanto se esvaia ficando apenas com a admiração. Nesse meio tempo você pode perder o momento exato como eu costumo fazer e não viver história alguma como tem acontecido comigo. Admiro muita gente que me vê apenas como um bom amigo.

Saiba viver suas histórias para que não tenha que se preocupar com a transformação do encanto em admiração. O ideal é que isso aconteça e você nem perceba.

Aproveitando a deixa, lembre-se que ainda dá tempo de concorrer ao prêmio que sortearei no blog, deixe um comentário em qualquer post até o dia 15 de setembro e concorra a um exemplar do livro “Meu Mundo em Preto e Branco”, de minha autoria.





A Friend is a Friend – Pete Townshend

26 08 2010

Amigo é quem se despe dos receitos e te trata como igual, te ajuda e te solicita em equilíbrio

Semanas corridas, falta de tempo, excesso de sono e muito cansaço. Todo mundo passa por períodos assim de tempos em tempos. São períodos onde a gente funciona basicamente no automático.  Sabe que tem que dormir, acordar, comer, tomar banho, trabalhar, enfim uma série de coisas básicas.

Nesses períodos a gente perde a paciência muito mais rapidamente. Algumas pessoas possuem sensibilidade suficiente para perceber que devem respeitar esses momentos nossos de introspecção e ira. Qualquer pessoa com bom senso percebe ao primeiro olhar ou na primeira frase colocada que tem dias que não podemos realizar todos os favores que nos pedem, seja por falta de tempo, falta de ânimo e até falta de vontade. Sim as vezes a gente simplesmente não tem vontade de ajudar alguém, simplesmente porque estamos cansados e precisamos olhar um pouco a nossa própria vida.

Coloco isso pensando em algo que vivi nesses dias. Tem gente que te solicita e antes pergunta como você está, sabe que você não está numa fase legal, sabe que está cansado e te pede favores viáveis que realmente fazem a diferença pra pessoa. Nesses casos, o cansaço até some. Afinal é gente que te respeita e entende que você tem seu tempo, nem sempre estará disponível. Enfim é gente que sabe que existem dois lados em toda história. Gente que assim como te solicita, também se coloca a sua disposição quando você precisa.

Mas nesse meio tempo também surge gente que só vê o próprio umbigo. Só te procura quando precisa de algo. Pra essas pessoas o tempo sempre urge, só seus desejos interessam. Por menores que sejam esses desejos, são vistos como maiores do que qualquer necessidade que não seja de quem faz a solicitação. E tente pedir um favor a uma pessoa como essa. O pedido pode até ser feito, mas a negativa e alguma desculpa sempre virá.

Eu encaro amizade como troca. Não uma troca comercial, mas uma troca respeitosa, onde os dois lados contribuem para o crescimento de ambos. Onde o respeito e a coerência definem os limites. Nunca é uma via de mão única, nunca é uma situação onde não se respeita o momento de cada um.

O verdadeiro amigo é aquele que não afaga, mas que diz o que deve ser dito, o amigo oportunista é aquele que não aceita ouvir que extrapolou e muito menos aceita ouvir um não para qualquer coisa que peça, independente do estado em que se encontra a pessoa a quem solicitou.

Esses oportunistas eu pouco a pouco mando embora, não faço questão de convívio e infelizmente acabam sendo aqueles que mais te procuram. Engraçado como essas pessoas não respeitam o seu momento.

Nesse fim de semana passei por duas situações emblemáticas, recebi um telefonema de alguém que faz parte do rol de amigos, me pediu ajuda, tentei por fone, não consegui, a pessoa acabou resolvendo sozinha e assim que conseguiu fez questão de me avisar, atitude mais do que correta. Por outro lado, outro telefonema, assim que digo que estou ocupado sou obrigado a ouvir besteiras de quem não entende que o mundo não gira ao redor do próprio umbigo.

Você tem alguma história com amigos oportunistas pra contar? Se quiser contar aqui, aproveite e concorra a um livro!!!





É Uma Partida de Futebol – Skank

22 08 2010

Tem gente que encara eleição como torcida... Será que o meu candidato chegará na frente?

Puxa, meu time ganhou, meu ultimo post até que fez um certo sucesso. O sorteio do livro continua a todo vapor (apesar de pouca gente já ter feito a inscrição, clique aqui e veja o regulamento). Podia falar de muita coisa boa hoje, mas tem algo que me incomoda muito atualmente.

A música fala de futebol, mas não é pra comemorar os 3 a 0 do meu time, nem o show de bola que aconteceu no Pacaembu nesse início de noite. O post de hoje é pra falar de torcida. Torcedores estes que no fundo agem sem pensar, é emoção pura e razão zero.

Nem estou falando de torcidas de futebol. Essas eu até que entendo serem totalmente movidas pela emoção. Eu torço pelo Corinthians e pra mim ele é o melhor time e pronto, não existe lógica alguma nisso, nem precisa ter. Acho impossível se explicar o que nos leva a torcer por um time, seja ela vencedora, com uma história rica e em alguns casos centenária (caso do meu Corinthians), seja um time pequeno da série D da Lituânia. Você torce para ele e pronto.

Mas ai chegamos a um ponto, torcer pra um time de futebol não altera a sua vida. Usar a camisa de uma equipe de vôlei também não. Eu diria que a não ser que você seja totalmente viciado no que torce, a sua vida segue normalmente independente dos resultados de sua equipe, talvez o humor varie um pouco, mas você segue adiante, aguenta as piadas e pronto. Até porque este tipo de torcida irracional só tem lugar e vez no campo da diversão.

Percebe-se logo que não é essa a torcida que me incomoda. Mas qual é? Me irrita aquele torcedor político. Aquele que surge a cada 2 anos em terras brasileiras e transforma uma eleição, que deveria ser algo sério numa final de campeonato. Esse mesmo torcedor, quando seu partido/candidato perde passa todos os anos do governo de seu opositor procurando falhas, escondendo os acertos e teimando em dizer a todo instante que o governante só faz besteiras, independente dos resultados.

Eu fico espantado ao perceber que em vários casos as decisões não são racionais, são fruto puramente da emoção. A campanha toda desses torcedores é feita da seguinte forma, o outro lado é pior, ele é péssimo, meu lado é menos pior do que o outro. Ai eu pergunto e as propostas? Não, elas nunca existem, pode reparar, aqueles grandes torcedores de partido nunca sabem o que o seu candidato ou partido prega, para eles o que importa é apenas dizer que o outro lado é péssimo.

Nos tempos de internet, isso parece que se tornou mais intenso. Uma rápida olhada no twiiter e diversos comentários aparecem. Tal candidato é bandido, tal candidata é boneca de seu antecessor, tal sistema de governo proposto é um lixo, todos os membros do partido x são ladrões. E por ai vai. É disso pra pior. A impressão que eu tenho é que com a proibição aos humoristas de brincar com os candidatos, os torcedores se tornaram mais agressivos nas ofensas a torcida oposta.

Dentro desse clube, talvez o que mais irritante seja o dos vira-cassacas. Eu hoje vejo gente que vestia a camisa de determinado partido e hoje veste de outro. Nem falo de partidos dissidentes, falo de digamos assim algo como deixar de ser corinthiano e passar a torcer para o palmeiras, algo impensando. Pois bem, nem tão impensado assim. E chego a dizer que se isso ocorresse dentro de escolhas racionais, seria mais do que válido, mas raramente é o que ocorre.

Dessas pessoas eu nunca ouvi algo do tipo mudei de opinião, acredito que essa forma de governar é mais interessante ou qualquer outra coisa parecida. Sempre as desculpas para a troca de lados se pautam no eu estava enganado, eles são todos bandidos, agora estou do lado dos mocinhos. Todos os que votam no outro lado são analfabetos políticos e ignorantes. Enfim, muita ofensa e pouca lógica, e isso de todos os lados.

E ouço isso de gente com bagagem, gente com estudo e que se diz interessada pelo tema. É incrível como todos vivemos atrás do mito do herói. A eterna luta bem contra o mal aparece até em situações onde a razão e a lógica deveriam se sobressair sobre a emoção. Não existem opções perfeitas, existem as opções e cada um deveria ter o direito e o dever de escolher a melhor possível dentro daquilo que acredita, mas pensando bem no que o faz acreditar que fez a melhor opção.

Só fica aqui um comentário, pense muito antes de votar, lembre-se que a urna não é privada e que o seu voto pode ajudar a colocar no comando do país (da cidade, no congresso, em qualquer cargo) um canalha que talvez faça você se irritar por um longo tempo, portanto, muito cuidado com sua escolha.

Em quem vou votar? Voto são secretos, mas já tenho meus candidatos.





Money – Pink Floyd

18 08 2010

Seria gratificante discutir com o mundo todas as voltas do meu pensamento...

Existem exemplos claros de conversas informais que rendem boas ideias. Basta que essas conversas não ocorram com pessoas vazias e que as pessoas envolvidas se respeitem a ponto de prestarem atenção no que é dito para cada um. Ontem eu passei por isso. Num breve bate papo de intervalo de aulas. Breve mesmo, afinal o intervalo dura apenas 15 minutos, ouvi uma daquelas frases que fazem surgir um pequeno click na cabeça.

Admito ser uma pessoa meio pessimista e até bastante depressiva. Raramente uma ação me satisfaz, é fato, mas também é fato consumado que eu sempre tenho milhares de projetos diferentes na manga, sempre alguma ideia nova povoa meus pensamentos e me mantém firme na busca por algum tipo de prazer.

Bom, eis que, após comentar uma dessas ideias com duas pessoas, dando a tradicional desculpa quase esfarrapada para essas situações (afinal é preciso se convencer do que te leva a ter determinadas ações), ouvi a seguinte frase, você não é depressivo, apenas a única coisa que te motiva é o ganhar dinheiro.

Confesso que a primeira reação ao ouvir isso foi de choque. Poxa, será que eu sou uma pessoa tão baixa assim? Será que eu só ligo pra dinheiro? Sorte que depois fui pensar com calma no que tinha ouvido, ponderar tudo e percebi que na verdade o erro de comunicação estava em mim e no que eu vendia e não na análise da pessoa, ou o que seria pior no meu caráter. Até porque acho que ter a sua existência atrelada ao ganhar dinheiro apenas, ou como digo, se formar em “Engenharia Monetária” é algo extremamente vazio. Muito vazio.

O que pegou, provavelmente tenha a ver com o fato de que eu sempre justifico minhas ações a quem me pergunta dizendo que quero um dia viver dessas ações. Sejam livros, fotos, textos, criações, plantio, qualquer coisa do gênero. E isso é realmente verdade, mas não o ponto principal. Eu realmente acredito que essas coisas possuem algum tipo de valor. Não só valor financeiro, mas principalmente valor real. Eu escrevo e fotografo porque acho que as coisas que tenho a dizer podem ser úteis a outras pessoas. Quero organizar criações por achar realmente isso válido e importante, tanto economicamente quanto socialmente.

Talvez o melhor exemplo dessa minha linha de pensamento seja um programa de rádio. Recomendo a todos ouvirem o programa Fim de Expediente da rádio CBN, toda sexta as 18h, a quem não puder acompanhar no rádio e quiser conhecer o programa, dá pra baixar os podcasts do programa pela internet (clique aqui).

O programa nada mais é do que uma conversa informal entre amigos. Daquelas que se imagina numa mesa de bar, ou em casa regada a pizzas enquanto o jogo não começa. Um papo agradável e composto por gente de conteúdo, justamente por isso é tão divertido. As informações são passadas claramente e sem pedantismo. É algo útil. E percebe-se que dá pra se fazer algo leve e divertido em parte do seu tempo e também ser remunerado por isso.

No fundo esse é o meu desejo, ter em mãos a possiblidade de fazer tudo de modo mais leve e em diversas direções. E viver disso. Não ser remunerado por fazer algo que eu goste, mas sim ser remunerado por fazer algo que é interessante a outras pessoas também. Meu desejo é ser realmente útil dentro de outras possibilidades. Eu acredito piamente que vestir uma única carapuça a vida toda diminui o valor da pessoa.

Não me vejo apenas como professor, não vejo as pessoas que me cercam como unidirecionais. Voltando ao programa de rádio, todos os envolvidos possuem outras profissões, não são radialistas, um é ator, outro é economista e o terceiro é músico. No programa, importa a pessoa e não o que ela fez. Como deveria ser sempre na vida de todo mundo, caráter vale mais que diploma, pessoas valem mais que títulos. Quando a gente observa quem nos cerca dentro de todo o seu tamanho real, ou seja, admirando a grandiosidade que elas apresentam, nós conseguimos aprender e muito, simplesmente ouvindo e prestando atenção.

Perceber e explorar a grandeza do indivíduo provavelmente é o caminho que eu busco. No fundo, o desejo de “passar a ganhar” para fazer coisas que bem ou mal eu já faço seria uma espécie de afirmação para mim mesmo. Algo que (sei que provavelmente é besteira) sirva de prova pessoal de que eu sou mais do que apenas professor.

Antes de encerrar o post, quero lembrar aos leitores que o sorteio do livro e da ampliação ainda está aberto, visite o post anterior a este e leia o regulamento, você pode ganhar!!!





Sorte e Azar – Pato Fu

14 08 2010

Comente no blog e concorra a um exemplar deste livro

Parece que foi ontem que comecei a colocar meus textos por aqui. Mas já faz bem mais de um ano. Comecei a brincar nesse espaço em abril do ano passado. Já falei de muita coisa, confesso que faço uso do espaço como se fosse um divã de terapia, coloco aqui muitas das coisas que me incomodam e que nem sei como falar. Falo de assuntos que chamam a minha atenção e me exponho, até pra mostrar pra todo mundo como é que eu vejo o mundo que me cerca.

Eu chego com esse post a 100 textos. Pode parecer besteira, mas pra mim acaba sendo uma marca importante. No meu primeiro blog eu não passei de 10 e este aqui não me parece muito próximo do fim. Tem muita coisa que eu ainda penso em colocar. Dentro dessa linha, existe outro ponto. Eu só coloco aqui meus textos porque existe gente que lê, alguns comentam, outros não. Tem gente que até escreve, mas pede pra não colocar o comentário como visível pra todo mundo. Algo que eu sempre respeitei e entendo em muitos casos o motivo dessa opção.

De texto em texto, comentário em comentário, já tive mais de 10.000 visitas por aqui em pouco mais de um ano. Cerca de 20 visitas diárias, não é muito, mas também não é pouco. Individualmente não imagino quantas pessoas já passaram por aqui pra ler o que eu divido com quem visita o blog. Só confesso que acho divertido dividir minhas ideias com vocês e que também me interessa muito saber o que pensam sobre aquilo que eu escrevo.

Alguns leitores daqui já sabem que eu não escrevo somente neste espaço, tenho um livro lançado e em breve (lá pra novembro) devo lançar meu segundo livro com fotos e poesias como o primeiro. Busco também outras formas de me expressar e em breve colocarei novidades por aqui. Porém, não é isso que importa hoje.

Hoje eu só quero mesmo é dizer que tentando descobrir quem me lê hoje e mesmo conseguir mais gente lendo nesse espaço, começo uma promoção nesse mês. Sortearei kits compostos por 1 exemplar do meu livro (Meu Mundo em Preto e Branco) e uma ampliação de uma de minhas fotos (tamanho até 30x45cm) já postadas neste blog para quem enviar um comentário a um dos meus textos (podem ser os antigos), o contato será feito via e-mail para o envio dos kits. Valem todos os comentários (me dou ao direito de excluir comentários ofensivos, jocosos ou sem conteúdo algum, comentários como visite meu blog também serão excluídos) postados entre o dia 14 de agosto e o dia 15 de setembro.

Para saber o número de kits a serem enviados vale o número de comentários de pessoas diferentes no blog. A cada 15 pessoas diferentes comentando, 1 kit será sorteado. Os nomes de todos os leitores serão colocados em um saco e então o sorterio será feito. Se a pessoa escrever no seu comentário que chegou aqui pela indicação de outro leitor (citando quem o indicou), o leitor indicou o blog terá seu nome acrescido mais uma vez ao recipiente do sorteio.

Aos que quiserem participar do sorteio, boa sorte!!! Aguardo as opiniões de vocês sobre o blog.





River Runs Red – Midnight Oil

8 08 2010

Buscando o equilíbrio entre o natural e o industrial

Engraçado como muita gente veio falar comigo depois do último post. Alguns vieram me perguntar se eu tinha me tornado um eco-chato radical, outros falaram que eu estou dizendo que o mundo todo está errado. Teve gente que falou que eu estava pegando leve demais. Enfim, li coisas dos mais diversos tons e no fundo pouca gente realmente apontou problemas nos próprios hábitos.

Vejam, eu estou longe de ser eco-chato ou eco-xiita. Um dos meus motes em relação ao tema é que nenhuma proposta preservacionista pode ser séria sem levar em conta a economia. Como disse no post anterior, muito mais fácil pra alguém com um bom salário mudar seus hábitos de consumo do que pra alguém que sustenta sua família com 1 salário mínimo. Mas algumas coisas podem e deveriam ser feitas por todo mundo.

Sobre o aquecimento global, eu sou daqueles mais céticos, dos que acreditam que parte do problema está ligado ao ciclo do planeta, algo além do homem. Porém, a meu ver isso é até pior, afinal se for algo natural, mudar o quadro pra deixar o planeta habitável para nós torna-se ainda mais complicado. Mas nem é esse o ponto importante agora e sim o motivo que me leva a pensar em ações mais digamos assim ecologicamente corretas.

Fechar a água enquanto escova os dentes é básico, não requer nada demais, assim como evitar jogar o óleo das frituras direto pela pia, separar esse óleo ajuda a manter a pouca água que temos. Sem falar que conheço gente que faz sabão a partir desse óleo, desperdiçar para que? Vale o mesmo para as luzes, deixar cômodos acessos sem ninguém por perto. As vezes na mesma casa 4 tvs ligadas no mesmo canal, com uma pessoa em cada uma. No mínimo vale a pena pensar na própria conta que se paga.

O ideal seria todo mundo morando perto do trabalho, perto o suficiente pra desafogar o trânsito e principalmente o transporte coletivo. O sonho de consumo seria conseguir ir a pé ao serviço e na hora do almoço ainda conseguir almoçar em casa. Isso não é a realidade para muita gente, eu diria para a grande maioria das pessoas. Conheço gente que mora num extremo e trabalha em outro da cidade. Eu mesmo moro a 25 km de distância do meu trabalho e infelizmente não existe um método fácil de chegar lá fazendo uso de transporte coletivo. E ai o jeito é carro, pra piorar uso o carro sozinho, tenho uma baita dificuldade em achar um lugar pra parar o meu carro e sei que isso acontece com diversas outras pessoas, isso se reflete em trânsito, poluição e irritação.

Dá pra extrapolar a linha de raciocínio pro consumo também. Confesso que vários produtos deixaram de fazer parte da minha lista de compras pelo simples fato de virarem lixo. Frios são um bom exemplo, leite, iogurte idem. Frutas eu também compro quantidades mínimas. O pensar nos próprios hábitos de consumo antes da compra é também uma forma simples de fazer a sua parte. Comprar algo que não vai ser consumido? Desperdiçar? Uma outra forma simples de agir é escolhendo os produtos também pelo tipo de embalagem. Se você faz uso de um copo que serve de embalagem a um produto, nada é jogado fora, mesmo que venha escrito no outro embalagem biodegradável.

Um exemplo clássico disso é o dos refrigerantes em embalagens de alumínio ou PET. Que estes materiais são recicláveis, ninguém questiona, mas no tempo das embalagens de vidro (que também é reciclável) tinha algo pra ser jogado fora além da tampa? É algo a se pensar.

Reparem que eu não prego aqui o fim do consumo ou mudanças radicais, até porque as pessoas precisam de emprego e este vem da movimentação da economia, inclusive pelo consumo. A única coisa que prego aqui é que devemos ter consciência do que nossas opções causam e não apenas em relação ao meio ambiente, mas sim em todas as áreas de nossa vida. Nem sempre um pedido de desculpas é suficiente para resolver uma situação causada por uma escolha errada.

Só temos que lembrar que não é só a gente que faz uso do planeta. Que tem um monte de outros seres vivos que usam água, ar e solo. Temos que lembrar que tem gente pra caramba no planeta e que essas pessoas também precisam de água, comida, condições de sobrevivência. Esse lembrar que o mundo não gira ao redor da gente, mas sim que só somos uma parte ínfima de tudo o que acontece talvez seja importante. Importante pra que a gente consiga sempre ser alguém melhor. Afinal, se o rio corre vermelho, a culpa também é nossa…





Nem um dia – Djavan

6 08 2010

O que fazer pra deixar esses dias e esse mundo menos cinzentos?

“Um dia frio
Um bom lugar prá ler um livro
E o pensamento lá em você
Eu sem você não vivo
Um dia triste
Toda fragilidade incide
E o pensamento lá em você
E tudo me divide”

Esses versos dessa música do Djavan (que eu ouvi ontem a noite enquanto voltava pra casa do trabalho) serve de mote pra minha fala aqui hoje. Eu gosto de muita coisa que o Djavan escreveu, não é dele que eu vou falar. Provavelmente nem deva falar por aqui do que o Djavan realmente quis dizer nessa canção.

Ontem foi sim um dia frio. Cheguei em casa cansado. Enquanto eu dirigia, me via sentado no sofá, coberto com um edredon, tomando chá, comendo bolacha e lendo um bom livro. Qual livro? A pilha de livros a serem lidos ainda é imensa, gigantesca. Uma rápida observação na mesa já apresentou títulos como Memórias de uma Gueixa, Cães de Guerra (esse releitura), O Caçador de Pipas e diversos outros que não consigo ler o título daqui de onde escrevo este texto. Nossa estou atrasado!

Não só eu estou atrasado, todos estamos. Todos vivendo dias frios demais, dias quentes demais. Dias diferentes. Tudo ao nosso redor muda a todo instante e qual a nossa ação sobre isso? Quase nenhuma. Fala-se muito em aquecimento global, discute-se qual o papel do homem nesse processo todo, será que é natural? Será que é antrópico? Será?

É ai que a coisa fica complicada. Ficamos no será. Eu sou biólogo de formação, ligado a questões ambientais, discuto isso com meus alunos. Devem imaginar que eu seja um exemplo de consumo consciente, uso racional de recursos e tudo mais certo? Errado. Apesar de tudo eu passo bem longe disso. Meu consumo de energia elétrica ainda é alto (está diminuindo), água é baixo, tudo bem. Ainda produzo mais lixo do que deveria e faço uso do carro pra quase todo lugar pra onde eu vá. Só pra chegar ao trabalho entre ida e volta são 50 km diários com apenas uma pessoa no carro. Desperdício total de energia.

Eu separo o lixo, escolho produtos que gerem menos resíduos, algumas empresas foram cortadas do meu consumo por práticas com as quais eu não concordo e até aceito pagar um pouco mais por um produto que venha de uma empresa com uma postura que eu concorde. Esse é o lado que eu posso fazer. Mas confesso que é pouco e mais ainda, percebo que nem todo mundo faz coisas desse tipo, não por ignorar a questão ambiental, mas sim por falta de opção.

Imagino uma família de 4 pessoas que sobreviva com 1 salário mínimo e pague aluguel. O único referencial de compra vai ser o preço e, provavelmente, eu acabe sendo um poluidor bem maior do que essa família só pelos meus hábitos de consumo vinculados ao meu estilo e padrão de vida.

Entrei nesse tema porque nos últimos dias tenho ouvido muita gente reclamar de lixo jogado nas ruas, falta de energia, engarramentos, poluição do ar, mudanças ambientais estranhas. Vejo e ouço as reclamações, mas o que se observa sendo feito? Nada ou quase nada.

No condomínio onde moro mesmo, eu separo o lixo e o entrego de forma separada, o que é reciclável coloco em uma caixa e o que é pra ser levado pelo sistema de coleta coloco em sacos. Já vi o catador de lixo que recolhe o meu material reciclado retirar alguns produtos recicláveis das caixas de papelão e colocar no outro monte porque segundo ele não vale a pena vender aquele material. E isso porque eu sou um dos únicos moradores aqui do condomínio a separar o material. Ou seja a preocupação dele é apenas com o lucro pessoal e não com o reciclar. Assim como a maioria das pessoas produz uma quantidade absurda de resíduos e nem se dá ao trabalho de separar o que pode ser reutilizado.

Todo mundo acaba pensando demais em si e de menos no mundo. Todo mundo quer curtir de alguma forma o dia frio, transformar os dias tristes em alegres, mas nunca pensam de onde vivem. Esquecem que sem o planeta não viveremos, que esse planeta está cada vez mais frágil e que nem todas as riquezas do mundo podem trazer alegria a esse mundo se a gente não fizer a nossa parte.

Sei que a música fala provavelmente da lembrança de uma pessoa especial. Sei também que hoje nem tenho essa pessoa e tenho falado muito disso por aqui. Sei também, entretanto, que sem ter onde não adianta muito o quem. Sem o planeta os dias não seriam nem tristes e eu nem poderia pensar em ninguém, porque ninguém existiria.

Não estou aqui fazendo apologia de ecochato, nem quero que as pessoas façam mudanças radicais, só gostaria que cada um fizesse a sua parte, o mínimo para que quem sabe a gente consiga aproveitar esses dias frios de forma mais justa, mais pessoas e por mais tempo, sem que esses dias se tornem dias de desgraça como uma resposta vingativa do planeta.

Você acha que poderia mudar alguma coisa em seus hábitos? O que? Eu tenho que gastar menos energia elétrica e menos combustível fóssil.