Nem um dia – Djavan

6 08 2010

O que fazer pra deixar esses dias e esse mundo menos cinzentos?

“Um dia frio
Um bom lugar prá ler um livro
E o pensamento lá em você
Eu sem você não vivo
Um dia triste
Toda fragilidade incide
E o pensamento lá em você
E tudo me divide”

Esses versos dessa música do Djavan (que eu ouvi ontem a noite enquanto voltava pra casa do trabalho) serve de mote pra minha fala aqui hoje. Eu gosto de muita coisa que o Djavan escreveu, não é dele que eu vou falar. Provavelmente nem deva falar por aqui do que o Djavan realmente quis dizer nessa canção.

Ontem foi sim um dia frio. Cheguei em casa cansado. Enquanto eu dirigia, me via sentado no sofá, coberto com um edredon, tomando chá, comendo bolacha e lendo um bom livro. Qual livro? A pilha de livros a serem lidos ainda é imensa, gigantesca. Uma rápida observação na mesa já apresentou títulos como Memórias de uma Gueixa, Cães de Guerra (esse releitura), O Caçador de Pipas e diversos outros que não consigo ler o título daqui de onde escrevo este texto. Nossa estou atrasado!

Não só eu estou atrasado, todos estamos. Todos vivendo dias frios demais, dias quentes demais. Dias diferentes. Tudo ao nosso redor muda a todo instante e qual a nossa ação sobre isso? Quase nenhuma. Fala-se muito em aquecimento global, discute-se qual o papel do homem nesse processo todo, será que é natural? Será que é antrópico? Será?

É ai que a coisa fica complicada. Ficamos no será. Eu sou biólogo de formação, ligado a questões ambientais, discuto isso com meus alunos. Devem imaginar que eu seja um exemplo de consumo consciente, uso racional de recursos e tudo mais certo? Errado. Apesar de tudo eu passo bem longe disso. Meu consumo de energia elétrica ainda é alto (está diminuindo), água é baixo, tudo bem. Ainda produzo mais lixo do que deveria e faço uso do carro pra quase todo lugar pra onde eu vá. Só pra chegar ao trabalho entre ida e volta são 50 km diários com apenas uma pessoa no carro. Desperdício total de energia.

Eu separo o lixo, escolho produtos que gerem menos resíduos, algumas empresas foram cortadas do meu consumo por práticas com as quais eu não concordo e até aceito pagar um pouco mais por um produto que venha de uma empresa com uma postura que eu concorde. Esse é o lado que eu posso fazer. Mas confesso que é pouco e mais ainda, percebo que nem todo mundo faz coisas desse tipo, não por ignorar a questão ambiental, mas sim por falta de opção.

Imagino uma família de 4 pessoas que sobreviva com 1 salário mínimo e pague aluguel. O único referencial de compra vai ser o preço e, provavelmente, eu acabe sendo um poluidor bem maior do que essa família só pelos meus hábitos de consumo vinculados ao meu estilo e padrão de vida.

Entrei nesse tema porque nos últimos dias tenho ouvido muita gente reclamar de lixo jogado nas ruas, falta de energia, engarramentos, poluição do ar, mudanças ambientais estranhas. Vejo e ouço as reclamações, mas o que se observa sendo feito? Nada ou quase nada.

No condomínio onde moro mesmo, eu separo o lixo e o entrego de forma separada, o que é reciclável coloco em uma caixa e o que é pra ser levado pelo sistema de coleta coloco em sacos. Já vi o catador de lixo que recolhe o meu material reciclado retirar alguns produtos recicláveis das caixas de papelão e colocar no outro monte porque segundo ele não vale a pena vender aquele material. E isso porque eu sou um dos únicos moradores aqui do condomínio a separar o material. Ou seja a preocupação dele é apenas com o lucro pessoal e não com o reciclar. Assim como a maioria das pessoas produz uma quantidade absurda de resíduos e nem se dá ao trabalho de separar o que pode ser reutilizado.

Todo mundo acaba pensando demais em si e de menos no mundo. Todo mundo quer curtir de alguma forma o dia frio, transformar os dias tristes em alegres, mas nunca pensam de onde vivem. Esquecem que sem o planeta não viveremos, que esse planeta está cada vez mais frágil e que nem todas as riquezas do mundo podem trazer alegria a esse mundo se a gente não fizer a nossa parte.

Sei que a música fala provavelmente da lembrança de uma pessoa especial. Sei também que hoje nem tenho essa pessoa e tenho falado muito disso por aqui. Sei também, entretanto, que sem ter onde não adianta muito o quem. Sem o planeta os dias não seriam nem tristes e eu nem poderia pensar em ninguém, porque ninguém existiria.

Não estou aqui fazendo apologia de ecochato, nem quero que as pessoas façam mudanças radicais, só gostaria que cada um fizesse a sua parte, o mínimo para que quem sabe a gente consiga aproveitar esses dias frios de forma mais justa, mais pessoas e por mais tempo, sem que esses dias se tornem dias de desgraça como uma resposta vingativa do planeta.

Você acha que poderia mudar alguma coisa em seus hábitos? O que? Eu tenho que gastar menos energia elétrica e menos combustível fóssil.

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4 responses

6 08 2010
Ligia

Eu tento ter atitudes pró-ecológicas, mas sei que estou muito longe do que poderia fazer e muito mais distante ainda do ideal.
Mudanças de hábitos podem ser mutio difíceis…

6 08 2010
olharesdispersos

é como eu disse no texto, nem eu que trabalho na área consigo fazer as coisas como deveriam ser feitas, agora mesmo acabei de descobrir que deixei uma lâmpada acessa num lugar onde não tem ninguém…

10 08 2010
Dona Flor

Aqui na Alemanha a minha consciência ecológica aumentou. Se alguém me dissesse no Brasil que a coleta de lixo seria de duas em duas semanas e que você teria direito a um tanto exato de lixo, eu acharia que seria impossível. Mas não é! Aqui nós temos direito a 120 litros de lixo para uma casa com duas pessoas. Eles coletam o lixo organico a cada duas semanas, mas você só tem direito a uma coleta/mês, a outra é paga separadamente se você quiser. Papel e plásticos têm coleta própria, uma vez ao mês e vidros devem ser levado a coletores que existem no dorf e devem ser descartados separados por cor.

Depois de um tempo, você já nem sente que faz toda a separação e eu me vejo escolhendo comprar produtos com menos embalagens e que vão me dar menos trabalho na hora do descarte! =)

10 08 2010
olharesdispersos

Flor, é sempre questão de hábito, no caso da Europa, a falta de espaço e recursos naturais acelerou o processo (apesar de que ai se produz muito mais CO2 do que aqui e até alguns tipos de poluentes).

Água é muito barato no Brasil, espaço temos muito, demora pras pessoas perceberem que ele acabará e que cada vez mais buscamos água longe demais, a consumida em Sampa vem de mais de 70 km da cidade, por exemplo. Não é exatamente uma questão de melhor comportamento, mas de necessidade.




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