River Runs Red – Midnight Oil

8 08 2010

Buscando o equilíbrio entre o natural e o industrial

Engraçado como muita gente veio falar comigo depois do último post. Alguns vieram me perguntar se eu tinha me tornado um eco-chato radical, outros falaram que eu estou dizendo que o mundo todo está errado. Teve gente que falou que eu estava pegando leve demais. Enfim, li coisas dos mais diversos tons e no fundo pouca gente realmente apontou problemas nos próprios hábitos.

Vejam, eu estou longe de ser eco-chato ou eco-xiita. Um dos meus motes em relação ao tema é que nenhuma proposta preservacionista pode ser séria sem levar em conta a economia. Como disse no post anterior, muito mais fácil pra alguém com um bom salário mudar seus hábitos de consumo do que pra alguém que sustenta sua família com 1 salário mínimo. Mas algumas coisas podem e deveriam ser feitas por todo mundo.

Sobre o aquecimento global, eu sou daqueles mais céticos, dos que acreditam que parte do problema está ligado ao ciclo do planeta, algo além do homem. Porém, a meu ver isso é até pior, afinal se for algo natural, mudar o quadro pra deixar o planeta habitável para nós torna-se ainda mais complicado. Mas nem é esse o ponto importante agora e sim o motivo que me leva a pensar em ações mais digamos assim ecologicamente corretas.

Fechar a água enquanto escova os dentes é básico, não requer nada demais, assim como evitar jogar o óleo das frituras direto pela pia, separar esse óleo ajuda a manter a pouca água que temos. Sem falar que conheço gente que faz sabão a partir desse óleo, desperdiçar para que? Vale o mesmo para as luzes, deixar cômodos acessos sem ninguém por perto. As vezes na mesma casa 4 tvs ligadas no mesmo canal, com uma pessoa em cada uma. No mínimo vale a pena pensar na própria conta que se paga.

O ideal seria todo mundo morando perto do trabalho, perto o suficiente pra desafogar o trânsito e principalmente o transporte coletivo. O sonho de consumo seria conseguir ir a pé ao serviço e na hora do almoço ainda conseguir almoçar em casa. Isso não é a realidade para muita gente, eu diria para a grande maioria das pessoas. Conheço gente que mora num extremo e trabalha em outro da cidade. Eu mesmo moro a 25 km de distância do meu trabalho e infelizmente não existe um método fácil de chegar lá fazendo uso de transporte coletivo. E ai o jeito é carro, pra piorar uso o carro sozinho, tenho uma baita dificuldade em achar um lugar pra parar o meu carro e sei que isso acontece com diversas outras pessoas, isso se reflete em trânsito, poluição e irritação.

Dá pra extrapolar a linha de raciocínio pro consumo também. Confesso que vários produtos deixaram de fazer parte da minha lista de compras pelo simples fato de virarem lixo. Frios são um bom exemplo, leite, iogurte idem. Frutas eu também compro quantidades mínimas. O pensar nos próprios hábitos de consumo antes da compra é também uma forma simples de fazer a sua parte. Comprar algo que não vai ser consumido? Desperdiçar? Uma outra forma simples de agir é escolhendo os produtos também pelo tipo de embalagem. Se você faz uso de um copo que serve de embalagem a um produto, nada é jogado fora, mesmo que venha escrito no outro embalagem biodegradável.

Um exemplo clássico disso é o dos refrigerantes em embalagens de alumínio ou PET. Que estes materiais são recicláveis, ninguém questiona, mas no tempo das embalagens de vidro (que também é reciclável) tinha algo pra ser jogado fora além da tampa? É algo a se pensar.

Reparem que eu não prego aqui o fim do consumo ou mudanças radicais, até porque as pessoas precisam de emprego e este vem da movimentação da economia, inclusive pelo consumo. A única coisa que prego aqui é que devemos ter consciência do que nossas opções causam e não apenas em relação ao meio ambiente, mas sim em todas as áreas de nossa vida. Nem sempre um pedido de desculpas é suficiente para resolver uma situação causada por uma escolha errada.

Só temos que lembrar que não é só a gente que faz uso do planeta. Que tem um monte de outros seres vivos que usam água, ar e solo. Temos que lembrar que tem gente pra caramba no planeta e que essas pessoas também precisam de água, comida, condições de sobrevivência. Esse lembrar que o mundo não gira ao redor da gente, mas sim que só somos uma parte ínfima de tudo o que acontece talvez seja importante. Importante pra que a gente consiga sempre ser alguém melhor. Afinal, se o rio corre vermelho, a culpa também é nossa…

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2 responses

11 08 2010
karla_hack

Acho importante entender os conceitos, utilizá-los, divulgá-los.. mas sem hipocrisia..
Gostei do seu jeito de escrever
E seu espaço aqui está muito bom!
;D

11 08 2010
olharesdispersos

Obrigado pela visita, acredito que qualquer informação deve sempre levar em conta todos os lados, nunca existem verdades absolutas e as certezas variam de acordo com o ponto de vista de cada um.

Espero que passe mais vezes por aqui. Tb gostei muito do seu blog.




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