Money – Pink Floyd

18 08 2010

Seria gratificante discutir com o mundo todas as voltas do meu pensamento...

Existem exemplos claros de conversas informais que rendem boas ideias. Basta que essas conversas não ocorram com pessoas vazias e que as pessoas envolvidas se respeitem a ponto de prestarem atenção no que é dito para cada um. Ontem eu passei por isso. Num breve bate papo de intervalo de aulas. Breve mesmo, afinal o intervalo dura apenas 15 minutos, ouvi uma daquelas frases que fazem surgir um pequeno click na cabeça.

Admito ser uma pessoa meio pessimista e até bastante depressiva. Raramente uma ação me satisfaz, é fato, mas também é fato consumado que eu sempre tenho milhares de projetos diferentes na manga, sempre alguma ideia nova povoa meus pensamentos e me mantém firme na busca por algum tipo de prazer.

Bom, eis que, após comentar uma dessas ideias com duas pessoas, dando a tradicional desculpa quase esfarrapada para essas situações (afinal é preciso se convencer do que te leva a ter determinadas ações), ouvi a seguinte frase, você não é depressivo, apenas a única coisa que te motiva é o ganhar dinheiro.

Confesso que a primeira reação ao ouvir isso foi de choque. Poxa, será que eu sou uma pessoa tão baixa assim? Será que eu só ligo pra dinheiro? Sorte que depois fui pensar com calma no que tinha ouvido, ponderar tudo e percebi que na verdade o erro de comunicação estava em mim e no que eu vendia e não na análise da pessoa, ou o que seria pior no meu caráter. Até porque acho que ter a sua existência atrelada ao ganhar dinheiro apenas, ou como digo, se formar em “Engenharia Monetária” é algo extremamente vazio. Muito vazio.

O que pegou, provavelmente tenha a ver com o fato de que eu sempre justifico minhas ações a quem me pergunta dizendo que quero um dia viver dessas ações. Sejam livros, fotos, textos, criações, plantio, qualquer coisa do gênero. E isso é realmente verdade, mas não o ponto principal. Eu realmente acredito que essas coisas possuem algum tipo de valor. Não só valor financeiro, mas principalmente valor real. Eu escrevo e fotografo porque acho que as coisas que tenho a dizer podem ser úteis a outras pessoas. Quero organizar criações por achar realmente isso válido e importante, tanto economicamente quanto socialmente.

Talvez o melhor exemplo dessa minha linha de pensamento seja um programa de rádio. Recomendo a todos ouvirem o programa Fim de Expediente da rádio CBN, toda sexta as 18h, a quem não puder acompanhar no rádio e quiser conhecer o programa, dá pra baixar os podcasts do programa pela internet (clique aqui).

O programa nada mais é do que uma conversa informal entre amigos. Daquelas que se imagina numa mesa de bar, ou em casa regada a pizzas enquanto o jogo não começa. Um papo agradável e composto por gente de conteúdo, justamente por isso é tão divertido. As informações são passadas claramente e sem pedantismo. É algo útil. E percebe-se que dá pra se fazer algo leve e divertido em parte do seu tempo e também ser remunerado por isso.

No fundo esse é o meu desejo, ter em mãos a possiblidade de fazer tudo de modo mais leve e em diversas direções. E viver disso. Não ser remunerado por fazer algo que eu goste, mas sim ser remunerado por fazer algo que é interessante a outras pessoas também. Meu desejo é ser realmente útil dentro de outras possibilidades. Eu acredito piamente que vestir uma única carapuça a vida toda diminui o valor da pessoa.

Não me vejo apenas como professor, não vejo as pessoas que me cercam como unidirecionais. Voltando ao programa de rádio, todos os envolvidos possuem outras profissões, não são radialistas, um é ator, outro é economista e o terceiro é músico. No programa, importa a pessoa e não o que ela fez. Como deveria ser sempre na vida de todo mundo, caráter vale mais que diploma, pessoas valem mais que títulos. Quando a gente observa quem nos cerca dentro de todo o seu tamanho real, ou seja, admirando a grandiosidade que elas apresentam, nós conseguimos aprender e muito, simplesmente ouvindo e prestando atenção.

Perceber e explorar a grandeza do indivíduo provavelmente é o caminho que eu busco. No fundo, o desejo de “passar a ganhar” para fazer coisas que bem ou mal eu já faço seria uma espécie de afirmação para mim mesmo. Algo que (sei que provavelmente é besteira) sirva de prova pessoal de que eu sou mais do que apenas professor.

Antes de encerrar o post, quero lembrar aos leitores que o sorteio do livro e da ampliação ainda está aberto, visite o post anterior a este e leia o regulamento, você pode ganhar!!!

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