A Letter to Elise – The Cure

29 08 2010

Já teve um tempo em que a natureza me encantava, depois que comecei a entendê-la o encanto virou admiração...

Além de livros eu leio um monte de blogs por ai. Alguns de amigos, outros indicados, alguns descubro via Blogueiros do Brasil. Dentre todos os blogs que leio surgem assuntos diversos. Alguns mais sérios e reflexivos, muitos tratam de Ciência, outros são besteira pura. Enfim, eu leio de tudo um pouco, e do que leio sempre procuro aprender, melhorar meus textos e me tornar uma pessoa melhor.

Já a alguns dias eu li um texto que me deixou inquieto. Inquieto por ser extremamente bem escrito e por trazer a tona algo que eu estava mastigando a algum tempo pra falar por aqui. A primeira reação foi perdi meu tema, o assunto de certa forma foi encerrado, mais fácil apenas botar um link e pronto. Só que ainda estava inquieto, o texto traz muita coisa, mas diverge um pouco na linha que eu sigo como pessoa.

No blog Olhar de Descoberta (clique para ler, vale a pena), a autora pergunta no texto do dia 19 deste mês “Em que momento o encanto acaba?” É uma pergunta complexa e difícil de analisar. No seu texto,  a Érika faz suas considerações a partir de um trecho do livro “O Leitor” de Bernard Schlink. Eu ainda não li o livro, mas ele entrou na minha lista de próximas leituras, fiquei curioso com a história.

Não vou dizer exatamente que linha a Érika seguiu em seu blog, fica apenas a dica para ler o texto e depois quem sabe concordar ou discordar da análise que eu faço aqui do tema. Eu me prendo mais na pergunta do título do que na fórmula utilizada para a construção do texto. Até comentei lá minha opinião sobre o que imagino sobre o tema, mas o espaço acaba sendo curto e de certa forma não me satisfez. Enquanto ouvia a música do The Cure que dá nome ao post eu comecei a tecer minhas opiniões sobre o tema.

Pra começar eu acho que deva passar a minha definição de encanto. Algumas pessoas realmente me chamam a atenção. Acontece que isso nunca foi suficiente para um interesse verdadeiro. Essa coisa de paixão arrebatadora, amor ao primeiro olhar ou beleza estonteante que me prende nunca aconteceu. O encanto, ou melhor o desejo primário por alguém em geral cessa nesse ponto comigo.

Eu só realmente me interesso por quem eu conheço relativamente bem. Pessoas que eu admiro e essa admiração não cessa facilmente justamente porque eu consigo deixar claro os motivos que me fazem admirar uma pessoa. Não é só um encantamento irracional, o encanto só me faz querer se aproximar de alguém, não querer dar o passo seguinte, este só consigo dar quando surge a admiração, é preciso conhecer para admirar.

Eu tive uma conversa sobre o tema dias atrás com um grande amigo. Segundo ele é isso que me faz estar sozinho a tanto tempo. Gasto tanta energia procurando conhecer bem as pessoas, que quando surge alguma admiração de minha parte, o ponto do romance já acabou e resta apenas a possibilidade de uma forte amizade. Pode ser verdade, afinal em grande parte dos últimos foras que tomei a tônica da amizade apareceu.

Acontece que para mim, a ideia da princesa virar sapa surge da pressa. Eu vejo o encanto como algo irracional e que se perde quando temos a chance de conhecer melhor o que nos encanta. Ai esse encanto possui dois caminhos viáveis, ou torna-se admiração e a coisa segue adiante, mais forte do que nunca. Ou vira decepção, a ponto de muitas vezes tudo aquilo que parecia positivo tornar-se motivo de ira em relação ao que encantava.

O problema é que quando você se encanta só tem olhos para o que é positivo, tudo aquilo que poderia irritar some dentro desse desejo irreal. Quando a calmaria chega e você pode analisar tudo mais racionalmente, os defeitos vem a tona e ai tudo se transforma. Quando alguém te chama a atenção apesar dos defeitos que possui (e você sabe que defeitos são esses) significa que o encanto virou admiração e a possibilidade do “infinito enquanto dure” citada por Vinícius ser mais longo se torna muito maior.

E ai surge outro ponto interessante, você pode até terminar um relacionamento, mas quando existe admiração, ele termina sem afetar aquilo que você admira na pessoa, a não que ela mude. E se, por outro lado, o relacionamento não se inicia, mas a admiração existe, ela não se apagará nem tornará doentia. Por outro lado, quando se está no encantamento ou paixão, a probabilidade de se surgir o excesso é muito maior. A dor do fim tende a ser mais acentuada e o desespero pela negativa também.

Tudo está muito no emocional e por isso mesmo não existem explicações lógicas pro que acontece. Tudo é muito intenso, independente a direção que se siga. Talvez por isso o encanto termine, tudo que é intenso demais também se torna frágil demais pois não existe uma forma rápida e ágil de se criar a sustentação para o sentimento.

Depois de toda essa viagem, só me resta tentar um breve conselho aos leitores, não deixe o encanto te dominar totalmente a ponto de só viver histórias fugazes e breves sem profundidade, apenas com quantidade. Por outro lado, não deixe que todo o encanto se esvaia ficando apenas com a admiração. Nesse meio tempo você pode perder o momento exato como eu costumo fazer e não viver história alguma como tem acontecido comigo. Admiro muita gente que me vê apenas como um bom amigo.

Saiba viver suas histórias para que não tenha que se preocupar com a transformação do encanto em admiração. O ideal é que isso aconteça e você nem perceba.

Aproveitando a deixa, lembre-se que ainda dá tempo de concorrer ao prêmio que sortearei no blog, deixe um comentário em qualquer post até o dia 15 de setembro e concorra a um exemplar do livro “Meu Mundo em Preto e Branco”, de minha autoria.

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4 responses

31 08 2010
Érika Salgado

Alex, muito obrigada! Quanta honra ser mencionada no seu espaço! Pensei que você nem passasse lá pelo meu blog… Ainda vou continuar a questão do encanto (depois do trimestani que tem fim esta semana), abordando dois aspectos: admiração (que você mencionou tão bem!) e obsessão. Há um terceiro elemento que quero mencionar, o da disponibilidade emocional: sem ela, não há encanto ou admiração; com ela em desequilíbrio resvala-se para a obsessão. Bom, já adiantei demais! Em tempo: vou te lendo e acompanhando a sua trajetória de escritoterapia que resolvi levar adiante o 3º blog iniciado e que não saiu dos primeiros posts… Novamente, obrigada. Beijo grande!

31 08 2010
olharesdispersos

Érika, aguardo seus novos posts, eu visito seu blog sim, apenas não comento muito, mas leio sempre. Esse texto eu comentei pq bateu com algo que eu tinha a dizer e por isso comentei lá e escrevi aqui. Eu gosto muito do que vc escreve.

8 09 2010
Érika Salgado

Alex, esqueci de comentar que a música é linda! Fiquei lembrando de quando era punk e curtia as músicas com essa influência da banda… Obrigada! Beijo grande.

14 09 2010
Cristiane

Alex, na minha concepção, encanto é magia pura, um entrelaçamento de emoções projetadas no outro. Adorei a foto que você colocou nesta postagem. Tem magia na foto! Bjs




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