21st Century Schizoid Man – King Crimson

12 10 2010

Infelizmente nós nos escondemos ao invés de assumir que erramos

Já fazia um tempo que eu não passava por aqui. Uma série de pequenos problemas me fez sumir do blog por esse tempo. Um misto de ressaca causada por problemas de saúde do meu pai, excesso de trabalho e até das eleições (que ainda terão segundo turno para presidente). Enfim,  tudo passou, ou talvez seja melhor dizer está passando, as coisas seguem seu caminho e novos problemas e novas alegrias surgem.

O que me fez vir aqui escrever depois de todo esse tempo foi um fato corriqueiro. Hoje fiz um passeio rápido no parque CEMUCAM, parque da prefeitura de São Paulo, situado já no município de Cotia. O parque é bonito, cheio de verde, com ciclovia, espaço para corridas e tudo mais. Até espaço pra camping tem, mas devido a falhas na segurança, ai está algo que eu não recomendo.

Bom, estava eu no parque, andando quando de repente um golden retriever salta nas minhas costas do nada. Os donos do animal se desculparam? Claro que não, chamaram o animal de volta, entregaram de novo a guia para uma criança e passaram por mim como se nada tivesse acontecido. Fiquei pasmo, o mínimo a se fazer era pedir desculpas e perguntar se eu estava bem, o animal tinha focinheira, mas é um animal grande e se eu não fosse também grande provavelmente teria me machucado, sorte que minha câmera fotográfica não quebrou, apenas uma camiseta rasgada nas costas pelo animal.

E assim vivemos nesses dias. Cada vez mais na defensiva em todos os aspectos. Fugindo de responsabilidades básicas. A culpa é do cachorro que saiu correndo e não do responsável pelo animal. A culpa de se eleger um Tiririca da vida é dos políticos que não fazem por merecer os votos e não de quem votou nele. A culpa pelo feijão ter queimado é da panela e não de quem cozinha. Enfim a culpa é sempre do outro, nunca minha.

Tento aqui exorcizar alguns de meus erros, assumir algumas de minhas culpas, talvez não consiga assumir todas, mas deveria, todos deveríamos fazer isso, até como forma de tentar melhorar como ser humano e melhorar esse mundo em que vivemos.

Eu voltei pra casa ouvindo uma música do King Krinsom que achei que tinha tudo a ver com o que eu queria dizer nesse posto. 21st Century Schizoid Man é uma daquelas músicas em que a letra não diz absolutamente nada. Várias músicas encaixam-se nesse perfil, isso é importante ser ressaltado. Porém, nessa música, a viagem toda acaba fazendo algum sentido, mesmo que raso.

Escrita em 1969, a música fala de problemas que assolavam o período em que foi escrita, mas 40 anos depois e no século seguinte, pode-se dizer que o tal homem esquizóide vive os mesmos problemas do homem do século passado. Mulheres inocentes violadas, crianças esfomeadas, a mesma paranóia de sempre. O descaso social que existia naquele período ainda é encontrado, talvez com diferenças, mas ainda com bastante força.

Temos que mudar nossa linha de ação e fazer algo para que no próximo século, os próximos homens esquizóides não vivam aquilo que vivemos hoje, o descaso com tudo, inclusive com a nossa própria culpa. Temos que ter a coragem de assumir os nossos erros, sem isso que capacidade temos de apontar os erros dos outros? Eu fiz isso com o cão, mas será que agi certo apontando o erro deles e não pensando nos meus?

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3 responses

12 10 2010
Érika Salgado

Alex, você estava fazendo falta… Que bom que você voltou!
Creio que ainda há uma outra questão a ser considerada: de quando a culpa ou erro interfere no preceito do respeito ao próximo e quando diz respeito somente a nós. Apontar a culpa dos donos dos cães é diferente da apontarmos e percebermos a nossa culpa em uma situação ou outra que “prejudicou” só a nós mesmos… Diga-me o que acha disso.
Beijo grande!

12 10 2010
olharesdispersos

Olá Érika, tudo bom?

Entendo o que vc levantou, apenas acredito numa outra linha, apontar a culpa dos donos do cão foi fácil, mas será que é tão fácil assim pra mim apontar para os meus próprios erros? E ai independe o fato do erro ser para o grupo ou só comigo, ele continua sendo um erro.

Vejo o fato além do prejudicar ou não, na verdade, na maioria das vezes os erros acabam não prejudicando ninguém, nem a nós mesmos, isso, porém, não tira deles a alcunha de erros.

17 10 2010
Rachel

Olá querido Alex,
Eu concordo plenamente com você. Vivemos num quadro de: a moral é uma, os costumes são outros…

Somos complacentes com nossos erros, nos desculpamos a todo tempo. Na contra mão disto, julgamos severamente os mínimos deslizes alheios.




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