Chove Chuva – Biquini Cavadão

17 01 2011

As vezes entramos em competições só em busca do prazer, sem lembrar dos riscos

Eu já ia quebrando minhas promessas de ano novo logo no começo do ano. Eu até prometi que aos poucos ia falando das promessas e começo aqui a tocar no assunto. Pretendo nesse ano produzir 52 textos, pelo menos um por semana. Não é tanta coisa assim, mas eu preciso me organizar pra fazer isso. Já ia quebrando o pacto ainda nas férias, melhor me organizar, porque semana que vem volto as aulas.

Eu falo hoje também de um tema meio pesado e até certo ponto chato. Não queria falar dos desastres que acontecem no Brasil todo verão, das chuvas que destroem vidas em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais (e faltam no Rio Grande do Sul), mas o assunto é extremamente forte e merece ainda alguma discussão.

Todos os anos, no mês de Janeiro chegam as casas de todo mundo os carnês de IPTU e junto com os carnês do imposto, as chuvas forte e desastrosas em algumas regiões do país. As vezes os locais mudam, mas os problemas são os mesmos em todas as regiões afetadas. Descaso tanto da população quanto do governo. Gente que constrói em lugares que sabidamente são de risco e não se preocupa com isso e o governo que permite que isso ocorra sem fazer nada, porque se fizer alguma coisa vai perder votos.

É justamente esse o ponto que eu quero discutir. O quanto a gente corre riscos ou deixa de fazer coisas que realmente são importantes e interessantes pra gente devido a um pequeno prazer momentâneo por um lado ou pelo medo de ser julgado por outro. O medo de fazer a coisa certa.

Isso vai render dois textos, um para cada tema. Prefiro ficar no primeiro hoje. A ideia do prazer rápido e instantâneo, independente dos riscos que a gente corra para que se tenha esse prazer. E falo do prazer porque em muitos casos isso vai além da necessidade momentânea.

Já li gente falando que a culpa dos desastres é dos pobres que constroem em lugares perigosos. Esquecem essas pessoas que muitas casas destruídas eram casas de temporada. Ficam fechadas na maior parte do tempo. E as pessoas simplesmente esquecem que morar ali ou passar uma temporada ali pode ser perigoso.

Propositalmente deixarei de citar aqui os casos de loteamentos aprovados pelo governo (isso virá no outro post), falo das diversas construções turísticas. Falo delas justamente porque elas me lembram de diversas outras situações em que nos arriscamos de forma quase consciente.

Adolescentes fazem muito isso. Agir quase sem pensar nos riscos. Ir a festas e sair beijando todo mundo sem saber quem são. Beber e dirigir, transar sem camisinha (isso ocorre mais até entre pessoas adultos do que entre os adolescentes). Passar a noite em claro e ir direto ao trabalho ou escola. Quase todo mundo já deve ter feito alguma loucura nesse nível.

Claro que morar ou passar férias num lugar que minutos de reflexão mostram ser perigoso leva em consideração uma série de outros fatores, mas o que eu quero discutir aqui é justamente o que nos leva a correr alguns riscos que poderiam ser evitados de maneira relativamente fácil.

Confesso que já pensei sobre o tema algumas vezes. Nunca obtive uma resposta clara. Penso que o gosto pela adrenalina acaba sendo uma saída fácil pra responder o problema. Parece que o nosso cérebro fica a toda hora pesando as situações entre risco e prazer e se a balança pende para um prazer maior que o risco fazemos o que o desejo manda, se a balança pende para o risco procuramos nos proteger.

Isso ao menos deveria ocorrer, mas muita vezes me parece que o bom senso e sentido de auto preservação são literalmente descartados de nossa mente. Nós acabamos sendo totalmente controlados pelo desejo e deixamos que o prazer domine nosso pensamento, o risco é todo descartado, ou não ligamos para o perigo (o que não acredito ser verdade) ou simplesmente acreditamos que com a gente não vai acontecer.

Gostaria mesmo de saber o que nos leva a correr esses riscos da forma que corremos. O que faz com que a lógica seja derrotada pelo desejo mesmo quando as possibilidades de erro são muito maiores que as de vitória. O que nos faz apagar os riscos da equação.

Você tem alguma história pra contar que exemplifique isso? Se quiser mandar escreva no blog. Enquanto isso, torço para que as mortes causadas pelas chuvas parem e que as cidades quando reconstruídas levem em conta o risco de cada lugar. Que a chuva pare um pouco e vá para onde é necessária.

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Santa Clara – Simoninha

3 01 2011

Que Santa Clara traga sol e bons ventos para que eu navegue tranquilo por 2011

Primeiro post do ano, com alguns dias de atraso. Na verdade o blog todo anda meio atrasado. Nem vou tentar me desculpar pelo leve desleixo com o espaço, apenas vou tentar colocar pelo menos um texto por semana nesse ano, a meta é a de 52 posts em 2011.

Pra entrar no clima de metas e desejos pra um novo período, acho que vale a pena colocar uma música bem alegre, por isso escolhi Santa Clara, numa versão do Simoninha, filho do Wilson Simonal. É hora do sol nascer alegre pra todo mundo, ou pelo menos é esse o desejo. Quem sabe ele não nasce assim, depois que essas chuvas diminuírem em São Paulo.

Eu nunca fui muito de fazer listas de ano novo. Até porque nem levo o nosso calendário tão a sério assim. Ano passado tentei algumas resoluções, tentei mudar algumas coisas. O resultado foi mais do que frustrante, tudo aquilo que eu me propus a fazer deu totalmente errado.

Ora dos balanços, será que exigi demais? Foi a primeira pergunta que me fiz quando entrei em férias, dia 17 do mês passado. Não, o pior é que a resposta foi não. Foi incapacidade mesmo…rs  Acontece nas melhores famílias, porque não acontecer comigo também? Não devo me preocupar com isso. Sinceramente é a hora de tentar novamente, não preciso de outra lista, mas sim devo manter a mesma.

Conversando com outras pessoas sobre como funcionam essas resoluções e se elas realmente duram os 12 meses, percebi que na grande maioria as listas duram o tempo em que se demora para tomar toda a taça de champanhe na virada. Todos os rituais (eu não os sigo), de comer lentilha, nhoque, sementes de romã, usar sapato branco (esse eu li ontem) não são importantes por algum poder mágico. Eles servem apenas para mostrar para a gente mesmo onde está o nosso foco.

Não consigo imaginar em sementes de romã na carteira trazendo dinheiro, mas sim servindo pra lembrar a pessoa de que sua vida financeira merece uma atenção especial. Ou, pensando em rituais de outras datas, a história de amarrar o santo Antônio de cabeça pra baixo pra se casar. Se a pessoa não se esforçar minimamente pra encontrar alguém, nunca vai desencalhar, pode colocar uma fábrica de santos de cabeça pra baixo. Ela tem é que usar isso pra se lembrar do que realmente quer fazer, mesmo quando as coisas não funcionam como o desejado ou o esperado.

Até por isso eu vou ficar com a mesma lista. Acho que não me empenhei o suficiente. Agora é hora de ver onde errei e consertar tudo. Focar novamente no que quero, afinal eu defini que realmente quero esses objetivos e nem tem a ver com o ano, mas 365 dias é tempo mais do que suficiente pra se mudar uma porção de coisas e acertar.

É o que pretendo e vou fazer. Aliás, é algo que todo mundo que faz as resoluções de ano novo deveria fazer. Encarar suas metas com seriedade e cumpri-las, ou pelo menos fazer o máximo para que isso ocorra. Todo mundo promete dieta e exercícios, mais carinho com os próximos e por ai vai, será que todo mundo vai cumprir? Se você precisa de um incentivo espiritual extra, ouça Santa Clara, quem sabe ela não traz um pouco de luz sobre os seus caminhos e desejos? Aliás, se quiser poste a sua lista de resoluções aqui no blog, eu vou durante os próximos posts falar do que pretendo fazer nesse ano.