Passaredo – Chico Buarque

13 02 2011

Essa estação viu parte daquilo que quero retomar

Existem dias mornos, dias ruins, dias bons. Ontem eu tive um dia quase perfeito. Uma espécie de volta no tempo. Um retorno a dias felizes com coisas simples. Talvez apenas a percepção de que o tempo passou, muita coisa mudou, mas também muita coisa permaneceu exatamente como sempre foi, isso é bom. Sinais de maturidade junto com sinais de que nem toda a alegria juvenil se foi, aliás, muito pelo contrário.

Menos do que os fatos, no caso de ontem importam muito mais as sensações. Menos do que as ações, as reações ontem é que foram importantes. Como aliás deveriam ser sempre. Claro que os nossos atos são importantes, mas mais do que isso, o que nos leva a agir de determinada forma. Vale o mesmo pras reações, nós fazemos as coisas também porque a forma como cada pessoa reage ao que fazemos importa para a gente.

Isso resume meu sábado. Coisas triviais ganharam peso pelo que trouxeram consigo. Tem um filme até antigo que retrata bem o que senti ontem. Já citei ele no blog antes. Comédia romântica bobinha mas divertida.  Feitiço do Tempo de 1993 com o Bill Murray e a Andie MacDowell. Na história um homem é obrigado a viver o mesmo dia eternamente até que conquiste verdadeiramente o amor da mulher que lhe chama a atenção.

Aqui não falo da conquista, mas sim do viver eternamente o mesmo dia. Justamente foi a sensação que eu tive ontem. Acho que todo mundo tem seus deja vus, infelizmente a maioria das situações em que isso ocorre são momentâneas e sem uma real ligação com um fato passado. Algo bem diferente do que eu vivi ontem.

Vivi fatos que eu consigo relembrar exatamente dia, hora e circunstâncias em que eu vivi esses mesmos fatos no passado. Justamente por isso é que foi um dia tão bom. Foi bom perceber que algumas coisas podem retornar e que eu sou capaz de fazer essas coisas. O melhor foi olhar para esses fatos com muito mais maturidade e também com muito mais confiança. Hoje posso dizer sem medo que não repetiria erros do passado e que principalmente sei como alterar algumas coisas que não consegui alterar no passado.

Por isso a música escolhida para o post. Além do composititor (Chico Buarque), o tema também remete ao passado. A um tempo em que eu reconhecia as aves pelo canto e que aprendia a viver coisas novas. Aprendia a entender coisas novas.

Hoje que esse período todo de aprendizagem faz parte do passado, as sensações são muito mais saborosas. Coisas simples como fazer comprar, carregar coisas, andar pelo mercado relembrando fatos distantes tornam tudo muito mais saboroso. Ainda mais por perceber que não sou mais o menino que já fui. Posso ser jovem, ou jovial, mas deixei de ser menino.

Tem um verso da música que até parece bem com o que eu sinto nessa história toda “O homem vem ai” Mesmo tendo um sentido diferente do dá música, é saboroso poder dizer isso com todas as letras, EU HOJE SOU ADULTO!!! Adulto a ponto de até admitir reviver não só um momento bom, mas de reviver todo o passado, só que com outro olhar, agora com maturidade e não mais com a ideia do eu preciso e sim pensando que eu quero reviver o passado porque eu posso fazer isso de maneira saudável e feliz. Eu posso retornar sem medo de viver.

Me resta agora apenas reconquistar totalmente esse passado, algo que posso falar que tentarei porque é justamente o que agora EU QUERO!!!

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