Owner of a Lonely Heart – Yes

31 03 2011

Não se limite pelo externo, mas sim pela sua mente, só ela pode te dizer até onde você pode ir

 

Até tinha pensado em continuar falando de datas e da minha relação com elas, da forma como eu vejo e sinto o tempo passar. Entretanto, depois de um dia todo fora de casa, chego em casa pensativo. E antes mesmo de abrir a porta o porteiro veio e me entregou um pacote. Nem imaginava o que seria, não tinha comprado nada, nem esperava receber nada pelo correio. Confesso que achei que era algum engano.

Conferi meu nome, abri o pacote e vi um cartão e um embrulho. Curti a idéia de receber um presente de aniversário (fiz 36 anos no sábado passado). Um livro de um autor que eu gosto muito, Rainer Maria Rilke, vindo direto do Rio de Janeiro, gracioso presente de uma amiga (que não assinou o cartão, demorei pacas pra achar um jeito de descobrir quem tinha me enviado o presente….rs).

No cartão, uma frase de Rilke, acho que vale a pena falar um pouco dela: “O destino não vem do exterior para o homem, ele emerge do próprio homem.” Eu já tinha lido essa frase algumas vezes e confesso que nunca tinha pensado muito a respeito. Dessa vez foi um pouco diferente. Até devido ao meu atual momento. Sabe aquela frase que você precisa ouvir e nem sabe o motivo? Pois é, pro meu dia, acho que a frase a ser ouvida era essa do Rilke.

Não que eu acredite em destino. Não me tornei místico ou crente. Continuo ateu, sem me orgulhar ou me envergonhar disso. Apenas não acredito em deuses, mas isso nada tem a ver com o tema, falo disso noutro momento, talvez mais perto da Páscoa. Eu vejo o destino descrito na frase como o caminho que a gente escolhe seguir. Nossa vida é composta por diversas dicotomias e cada escolha simplesmente nos leva a caminhos com escolhas diferentes, sem essa de predeterminismos, apenas lógica, se você escolhe o trabalho A ao invés do trabalho B, vai ter que se deslocar todo dia para A, vai passar por determinadas pessoas todos os dias, comer em determinados locais e por ai vai, ou seja nada místico, tudo completamente fácil de explicar.

Por outro lado, tem algo na frase que vejo como real. Somos nós os senhores dos nossos caminhos. Nós fazemos as escolhas, assim nós é que somos responsáveis pelo que nos acontece. E temos que ser fortes e determinados. Temos que sempre tomar as rédeas de nossas vidas. Assumir a nossa responsabilidade. Não é o que vem de fora que nos modifica, mas sim aquilo que somos e criamos dentro de nós mesmos. Claro que existem imprevistos, mas a forma geral da estrada pela qual dirigimos é definida por nós a cada instante.

Pensando nisso é que escolhi a música que dá nome ao post. Owner of a Lonely Heart foi um dos grandes sucessos da banda Yes nos anos 80. A música é até hoje contestada pelos fãs mais radicais da banda, que dizem ser comercial demais em relação ao som verdadeiro progressivo tocado na década anterior. Bem foi uma escolha dos integrantes da banda uma guinada mais pop que garantisse vendagens e assim reconhecimento, shows (até no Rock’in Rio estiveram). Eu particularmente até gosto mais da fase anterior e de algumas coisas gravadas depois, mas também acho o disco 90125 (onde aparece a música) bastante divertido de se ouvir.

A música fala de escolhas e comparações. Em um dos versos, por exemplo, diz que é melhor ter um coração solitário do que um coração partido. Não sei se concordo exatamente com essa afirmação, até acho que seria interessante um coração movimentado, mas o que importa neste texto é justamente falar que você deve sim ser o senhor de suas escolhas e não ser levado pela vida sem perceber, deve também saber o preço de cada escolha que faz, mas isso fica pra outro post. Por enquanto, eu só aproveito pra agradecer ao livro do Rilke que recebi. Muito Obrigado!!!!

 

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Meu Aniversário – Nando Reis

28 03 2011

Uma taça de champanhe sem saber pra que...

 

Estranho como algumas coisas nos incomodam e a gente demora a perceber o porquê. Estranho como temos rituais tão antigos que mesmo que não façam sentido algum se tornam extremamente importantes. Aliás, é estranho o modo como a nossa mente define o que vamos achar importante no decorrer de nossa vida.

Conforme o tempo passa, vamos aprendendo mais coisas, vivenciando novas situações e sendo forçados a mudar de rumo diversas vezes. Assim, a nossa linha de pensamento se altera de tal forma que em muitos casos, o Alex de 3 anos atrás seria considerado intragável pelo Alex de hoje que provavelmente será considerado um imbecil pelo Alex de 10 anos adiante.

Entretanto, mesmo com tudo isso, com todas as mudanças que cada ser passa. Algumas coisas parecem ser mais profundas na nossa própria espécie. Coisas que independente de quem você seja e do momento em que vive vão te abalar de alguma forma, seja trazendo um sorriso aos seus lábios, seja trazendo lágrimas aos olhos.

Geralmente isso ocorre com rituais simples, como um olhar de determinada pessoa, um sorriso, uma frase, ou até mesmo datas e comemorações. Nós comemoramos muita coisa e nem sabemos exatamente o motivo. Criamos datas para quase tudo (eu mesmo nasci no dia do cacau). E gostamos quando essas datas ditas especiais passam a ter significado para outras pessoas do nosso convívio. Nossa espécie é gregária, felizmente ou infelizmente (não consigo ter uma opinião firma sobre isso), vivemos em sociedade e dela dependemos. Provavelmente criamos essas comemorações malucas justamente para criar formas de fortalecer nossos laços sociais.

Tudo isso para falar do meu aniversário. Sábado passado, dia também em que se fez a hora do planeta, onde pessoas no mundo inteiro apagaram as luzes de suas residências como forma de protestar contra o nosso comportamento errático em relação ao nosso lar. Dia do Cacau, como já disse anteriormente. Também nessa data Nasceu Éder Jofre e morreram Walt Whitman e Beethoven.

Num dia 26 de março anos atrás eu nasci, e a melhor definição do que isso realmente significa veio no cumprimento de uma amiga que me mandou um sms com a seguinte frase: “Parabéns por completar mais uma volta ao redor do Sol.”

Parece pouco ou frio demais? Pode até ser, mas é exatamente isso, nós comemoramos porque damos uma volta a mais em torno de uma estrela, e comemoramos isso diversas vezes em diversos momentos no mesmo ano. Seja por parentes, seja por festas comemorativas, seja pelo próprio início/fim do ano. E o pior, isso nos faz bem.

Tem lógica? Claro que não, mas nem por isso deixamos de fazer. Talvez porque sejamos realmente como eu disse no último post, presos dentro de uma prisão social onde sem saber os motivos, fazemos exatamente aquilo que se espera de nós e no caso, se espera que comemoremos sempre essas voltas ao redor da estrela. Talvez seja algo mais intrínseco da nossa espécie, que simplesmente age dessa forma totalmente irracional da mesma forma como agem os lemingues que se amontoam de maneira tão desordenada que acabam caindo alto de desfiladeiros, simulando um suicídio coletivo.

Na verdade, a única coisa que parece fazer sentido nesse caso, é que a gente faz isso (e milhares de outras coisas) de forma totalmente irracional e nem se dá conta, apenas fazemos e nos sentimos felizes por isso. Ou pelo menos nos sentimos incomodados se isso não acontece, mesmo que a gente nem perceba que faz.

Você já se perguntou o que te leva a comemorar o seu aniversário?

 





Crazy – Seal

23 03 2011

Os peixes só são livres porque não sabem que o aquário é sua prisão...

 

Sempre tem coisas que ficam martelando a cabeça da gente. Informações perdidas muitas vezes. Informações que ficam assim sem sentido até que de repente, por estalo passam a fazer sentido. Eu estava assim desde o carnaval, quando vi os filmes Invictus (pela enésima vez) e Incêndios (esse uma única vez e no cinema).

Ver os dois filmes causou um mal estar do qual eu não conseguia me livrar, um mal estar que sequer tinha alguma lógica pra mim. E de repente, no engarrafamento tudo passou a fazer sentido. Nada absurdo, apenas uma constatação até antiga, mas que voltou a navegar por meus pensamentos.

Os dois filmes falam de pessoas que de certa forma acharam que eram livres e não eram. Mandela, pelo menos no filme, aparentemente tinha mais noção de seu papel e sabia os limites da prisão em que estava. Os filhos de Narwal nem sabiam que estavam presos, descobriram isso enquanto conheciam a sua história.

Acontece que na verdade todos nós estamos presos. Sempre tem alguma coisa nos limitando. Sejam nossos medos, nossos dogmas, nossas crenças, nosso passado, qualquer coisa. Sempre tem alguma coisa que nos deixa ir apenas até determinado ponto. Quando conseguimos viver longe desses limites, ou livres da dor que eles nos causam temos a falsa sensação de liberdade e acreditamos que todos os nossos movimentos são definidos única e exclusivamente pela nossa vontade, ledo engano.

Nossas ações são definidas por aquilo que nos permitem ser. Como seres sociais, as regras sempre tosam algum ponto de liberdade e o que me incomoda nem é que isso ocorra, mas sim que esses limites muitas vezes aconteçam sem dor, sem percepção alguma de que existe uma parede bem diantes dos nossos olhos impedindo de dar o passo seguinte.

Trabalhamos por que gostamos ou por que a sociedade diz que isso deve ser feito? O conceito de família é tão bom quanto a sociedade prega? O que é valorado muitas vezes tem importância social e não pessoal, os nossos sonhos são delimitados pelo que a sociedade permite. Um garoto aqui no Brasil cresce sonhando ser jogador de futebol, nos Estados Unidos o sonho provavelmente será o de disputar a NFL ou NBA ou MLB.

Regras de etiqueta, definição de belo, roupas, filmes de sucesso, música da moda. Tudo isso é sim gosto pessoal, mas limitado socialmente, os padrões de qualidade quase todos são artificiais, sobra pouco espaço para o apenas eu gosto.

Fiquei pensando nisso ao ver tanto a postura de Mandela, que encarnou a postura de pai de um povo e líder que tinha que servir de exemplo, não se vendo livre nem para viver a própria vida, quanto ao ver a dor que os filhos de Narwal sentiram ao descobrirem o seu passado. Seus dogmas serviram de punição e eles quase cederam a dor que sentiram. Seu mundo criado ruiu e sem a proteção do muro imaginário, tudo pareceu mais real e até certo ponto letal. O mundo de repente se tornou menos humano e totalmente selvagem.

Manter a sanidade sem esses limites provavelmente é impossível. Até por isso a música do Seal, Crazy foi uma música que eu adorei ter ouvido nos anos 90. Fala de como a loucura pode nos levar a ter coragem pra vencer os limites que nos impomos e que a sociedade nos impõe. Só um louco pode ser livre e viver além das regras.

Conheço quem tenha tido uma posição digamos assim invejável, emprego relativamente estável, casa, possibilidade de família e tudo mais. E mesmo assim largou tudo para viver de acordo com os seus sonhos. Muita gente disse que quem fez isso “enlouqueceu”. Talvez tenha apenas vencido seus limites e tido a coragem e a estrutura pra sobreviver além daqueles limites que incomodam.

Aliás ai entra também uma discussão breve sobre felicidade. Só é feliz aquele que desconhece seus limites. Só se alegra quem não enxerga barreiras diante de seus olhos, seja por falta de coragem de enxergar os limites, seja por pura falta de vontade de arriscar mesmo. De certa forma a ignorância nos salva dando a falsa sensação de liberdade e nos protegendo de nossos verdadeiros anseios.

Você conhece bem seus limites? Sabe até onde pode ir? Tem medo de ir além? Se sente livre?

 





Here Comes The Sun – The Beatles

20 03 2011

Hora de se prevenir o que mata e não se preocupar só com o prazer

 

Quem nunca recebeu de alguma fonte uma daquelas mensagens que pedem que você se associe a determinada idéia por um tempo restrito, só pra dizer que acredita naquilo que foi repassado? Um tipo de spam do bem, ou melhor politicamente correto. Eu as vezes faço isso, ultimamente tenho espalhado duas campanhas, uma sobre o autismo e outra sobre a hora do planeta. Pretendo falar de ambas aqui no blog também, mas mais perto das datas.

Sei que muita gente abomina essas coisas. Eu no geral também não sou o maior fã desse tipo de atitude, me passa sempre a idéia de que se aceita algo virtual só pra se dizer que se sente tocado pela informação, mas que após repassar o trabalho está feito. Até por isso quando posto algo desse gênero procuro sempre ter consciência se é um desejo pontual de falar que curti o motivo ou se eu realmente acho que dá pra fazer algo a respeito. Quando dá, invariavelmente vira post aqui no blog, onde acredito poder passar minhas idéias com maior profundidade.

E foi justamente isso que aconteceu comigo nessa semana. Li no perfil de uma amiga a mensagem que coloco aqui abaixo:

“Eu tenho muitos motivos para PEDIR a todos que coloquem esta mensagem em sua página por uma hora. Eu sei aqueles que o farão!! Pense em alguém que você conheça ou ame que teve câncer. Meu desejo é que em 2011 a cura seja descoberta. Você poderia postar isto por uma hora? Existem muitas pessoas que podemos citar que lutaram e estão lutando. Eu espero ver esta mensagem na página de todos meus amigos”

A primeira vista pensei em ignorar, confesso. Ai resolvi reler. Se a pessoa coloca algo é porque ela quer que seja lido. Li e pensei, coloco no meu perfil? Não, não coloquei, justamente porque acredito que a discussão levantada pode ser mais rica do que simplesmente divulgar um desejo para a cura de uma doença. Além, é claro, de respeitar  e gostar profundamente da pessoa que postou isso. Claro que o desejo é válido e real, até por isso transcrevi para cá. Acredito no valor do desejo e na sinceridade dele. Só que acho que vale a pena dar um passo a mais.

Eu convivo com pessoas que passaram por tumores. Vi gente perder quem ama e sofrer, vi gente sofrendo da doença e perdendo o rumo, perdendo tudo atrás de uma cura. Claro que isso se enquadra a qualquer doença que se conheça. O câncer não é especial ou diferente ou pior do que a AIDS, o diabetes, os problemas cardíacos, os AVCs e até mesmo a violência urbana e do trânsito. Tudo isso mata muita gente e cada um vai chorar a sua dor, vai achar pior o mal que acometer quem está mais próximo de si.

Acontece que o tema proposto serve para discussões mais densas. Todos queremos a cura de todas as doenças. Todos queremos que o sol chegue a todos. Mas quais as prioridades? Quanto se investe nisso? Hoje os grandes laboratórios investem mais em remédios contra impotência do que em medicamentos contra males que realmente podem matar uma pessoa. Lucro é mais importante do que a dor. E falo isso porque os parentes dos donos dos laboratórios também adoecem e também sentem a falta de medicamentos e tratamentos que deveriam ser criados.

Somo isso a outro fato maluco. Cada vez existem menos cientistas, cada vez menos gente se interessa por pesquisar. Não só no Brasil, mas no mundo todo. Com isso, como algo pode ser descoberto? Sem verba e sem pessoal tudo fica mais difícil.

A música que dá nome ao post é uma das mais famosas composições do George Harrison, saiu no disco Abbey Road de 1969. George morreu de câncer em 2001. Além disso, outro fato altamente importante é que George Harrison também se moveu, foi o primeiro roqueiro a organizar um evento beneficiente, em 1971 foi organizado por ele um concerto para os refugiados de Bangladesh. Os motivos do concerto podem ser discutidos, pessoas podem ser contra ou a favor, mas ele tentou, fez algo a respeito daquilo que acreditava.

É o que eu tento fazer aqui, é válido o desejo para que uma cura para o câncer seja encontrada e levada a todos, nosso ex vice-presidente está a anos em tratamento e aparentemente vive até bem, se recebesse o mesmo tratamento que grande parte da população tem, provavelmente já teria falecido. Lutemos por mais investimento em pesquisas importantes, não só no Brasil, mas no mundo todo.

Que venha a cura do câncer e de todas as outras doenças, até mesmo as doenças sociais que tanto matam. E que o sol chegue logo para todos.

 





You and Whose Army – Radiohead

13 03 2011

Só quem chora sabe os motivos de cada lágrima

 

Semana passada fui ao cinema e assisti ao belíssimo filme Incêndios. Filme canadense que mostra os dois filhos de mulher em uma busca por seu passado, em paisagens e histórias que remetem a guerra civil libanesa, onde as disputas entre cristãos e muçulmanos causaram a morte de muita gente.

Mas não é a guerra o meu interesse nesse filme, nem o tema desse texto, ou pelo menos não essa guerra e muito menos quero falar hoje de crenças, as religiões ainda serão tema de discussão, mas não agora. O filme acendeu em mim outras ideias, outros pensamentos afloraram.

O que me chama a atenção é que a mãe é desconhecida por todos da história. Na verdade ninguém sabe quem ela é, como chegou onde chegou e porque age de determinadas formas. Mesmo seus dois filhos parecem reconhecê-la como uma estranha. Quando a sua morte chega e eles são obrigados a descobrir quem é sua mãe, pouco a pouco vão encontrando o peso que ela carregou no passado e assim também pouco a pouco vão encontrando quem realmente são, até o clímax onde descobrem quem são seu pai e seu irmão que por eles eram considerados morto (o pai) e inexistente (o irmão).

Quantas vezes não nos deparamos com ações estranhas de pessoas próximas e não entendemos os motivos? Aliás quantas vezes não julgamos os atos dos outros sem saber o que leva cada pessoa a agir? Desconhecer o passado e as motivações de cada um. Cada pessoa possui suas cicatrizes e age de acordo com aquilo que já passou. Uma frase mal colocada, um olhar torto, ou simplesmente um jeito diferente de dizer algo podem desencadear um acesso de raiva de uma pessoa muitas vezes aparentemente inexplicável.

É difícil entender o que se passa na cabeça do outro. Muitas vezes é difícil entende até mesmo o que se passa dentro da nossa própria cabeça. Após ver o filme eu comecei a lembrar de pessoas com as quais convivo, pessoas que não são exatamente aquelas que eu admiro. Gente que eu condeno as escolhas e atitudes. Fico pensando  que se eu realmente soubesse as histórias dessas pessoas talvez eu até entendesse e aceitasse as escolhas que essas pessoas fizeram.

Falo isso porque me pairou uma dúvida ao ver o filme. Os filhos de Nawal Marwan ficaram consternados devido ao peso da história de sua mão ou por descobrirem que desconheciam a sua própria história de vida? Será que essas duas linhas tiveram peso na dor sentida pelos filhos? Não sei bem o que pensar, aliás fiquei muito tempo pensando no tema, até por isso demorei a criar este post pro blog.

Eu sempre acreditei que é preciso entender todas as nuances de uma situação para que possamos fazer algum tipo de julgamento.  Mas pensando de forma mais fria, muitas vezes fui contra esse mesmo pensamento e o que é mais maluco, fiz isso comigo mesmo. Consigo lembrar de várias histórias em que eu deveria ter tido mais calma comigo e com as minhas reações. Não levei em conta o que estava sentindo, nem o que eu tinha vivido. Foi bom ver o filme, talvez ele me lembre de ser mais compreensível com os outros e quem sabe até comigo mesmo.

A música que dá nome ao post faz parte da trilha sonora, recomendo o filme, concorreu ao Oscar de filme estrangeiro e é realmente bem feito, mas já aviso que não é um filme leve.

 





Malaika – Miriam Makeba

9 03 2011

não seja preso pelas ideias dos outros, as suas ideias são a chave de qualquer prisão social

 

Depois de falar de um período especial, vale a pena falar de um pequeno tempo oposto. Eu até tentei esquecer, apagar ou simplesmente deixar pra lá. Imaginei que talvez o melhor a fazer fosse simplesmente esperar acontecer outro fato e ai falar de alguma coisa mais alegre. Só que infelizmente a espera por algo mais fez estava longa demais e ainda tenho uma meta a cumprir de posts neste ano.

Ainda para ajudar no meu raciocínio tortuoso, assisti ontem (segunda de carnaval) pela se bobear sexta ou sétima vez o filme Invictus, que me fez ter diversas reflexões sobre o que estava me incomodando nesses últimos dias. Pensei em escolher uma música da trilha sonora para o post, mas talvez essa fosse a chance mais clara que eu teria para postar algo de uma cantora sulafricana que sempre curti ouvir e que também sofreu pela política do apartheid.

Provavelmente Miriam Makeba seja conhecida apenas pela sua canção mais famosa Pata Pata, porém gravou muita coisa interessante e com muita gente. Teve sua nacionalidade sulafricana cassada e só voltou a pisar em seu país quando o regime caiu e Nelson Mandela, então presidente a convidou a voltar a África do Sul.

O filme, que aliás eu recomendo, traz em seu enredo uma alegoria sobre a forma como a seleção de rugbi da África do Sul conquistou a copa do mundo da modalidade pouco tempo após o fim do regime segregacionista. Mostra também os dias tortuosos que marcaram o início do governo Nelson Mandela, onde o medo de represálias por parte dos negros assustava os brancos. A serenidade apresentada pelo líder africano no filme vence qualquer barreira e mostra que é possível fazer-se grande sem que para isso seja necessário derrubar tudo o que foi construído anteriormente.

Serenidade foi a grande lição e na verdade é aquilo que eu busco neste momento. Serenidade para entender alguns pontos de vista que aparentemente são apenas divergentes (o que é muito mais do que saudável), mas que as vezes aparecem competitivos. Competições são interessantes, mas só onde as disputas realmente devam existir, nas quadras, campos, tatames, piscinas, nas praças esportivas. Outros espaços e principalmente na vida pessoal pedem coalização e não disputa.

Tanto Mandela no filme e Miriam Makeba em sua vida deixaram clara a sua luta pelo que acreditavam. Aliás sofreram e muito por isso, mas nunca desistiram. É esse o exemplo que busco para mim nesse momento. Acredito que podemos sim cometer erros graves, mas esses erros devem ser sempre motivados por aquilo que acreditamos, assim a dor da derrota nunca será grande, porque na verdade a derrota não existirá. Perde aquele que não defende aquilo que acredita.

Justamente por defender minha linha de ação é que agora me preparo para novos rumos, realizo pequenas mudanças que aos olhos de alguns parecerão radicais, mas que afirmo, só são demonstrações do caminho que eu escolhi para mim mesmo. Manter-me fiel ao que acredito ser justo e honesto. Afinal, no fundo, apenas uma opinião é que realmente vai ter peso sobre mim, a minha própria opinião. Todas as outras não são invalidadas, mas devo entender que elas surgem carregadas pelas crenças e formas como cada uma das pessoas que emitir a sua opinião enxerga o mundo.

Meio inspirado em Mandela, eu quero assumir os riscos, os custos e os prazeres de ser quem eu sou, de viver como eu imagino ser a melhor forma e de tentar criar um mundo que seja o mais próximo possível daquilo que eu vejo como melhor.