You and Whose Army – Radiohead

13 03 2011

Só quem chora sabe os motivos de cada lágrima

 

Semana passada fui ao cinema e assisti ao belíssimo filme Incêndios. Filme canadense que mostra os dois filhos de mulher em uma busca por seu passado, em paisagens e histórias que remetem a guerra civil libanesa, onde as disputas entre cristãos e muçulmanos causaram a morte de muita gente.

Mas não é a guerra o meu interesse nesse filme, nem o tema desse texto, ou pelo menos não essa guerra e muito menos quero falar hoje de crenças, as religiões ainda serão tema de discussão, mas não agora. O filme acendeu em mim outras ideias, outros pensamentos afloraram.

O que me chama a atenção é que a mãe é desconhecida por todos da história. Na verdade ninguém sabe quem ela é, como chegou onde chegou e porque age de determinadas formas. Mesmo seus dois filhos parecem reconhecê-la como uma estranha. Quando a sua morte chega e eles são obrigados a descobrir quem é sua mãe, pouco a pouco vão encontrando o peso que ela carregou no passado e assim também pouco a pouco vão encontrando quem realmente são, até o clímax onde descobrem quem são seu pai e seu irmão que por eles eram considerados morto (o pai) e inexistente (o irmão).

Quantas vezes não nos deparamos com ações estranhas de pessoas próximas e não entendemos os motivos? Aliás quantas vezes não julgamos os atos dos outros sem saber o que leva cada pessoa a agir? Desconhecer o passado e as motivações de cada um. Cada pessoa possui suas cicatrizes e age de acordo com aquilo que já passou. Uma frase mal colocada, um olhar torto, ou simplesmente um jeito diferente de dizer algo podem desencadear um acesso de raiva de uma pessoa muitas vezes aparentemente inexplicável.

É difícil entender o que se passa na cabeça do outro. Muitas vezes é difícil entende até mesmo o que se passa dentro da nossa própria cabeça. Após ver o filme eu comecei a lembrar de pessoas com as quais convivo, pessoas que não são exatamente aquelas que eu admiro. Gente que eu condeno as escolhas e atitudes. Fico pensando  que se eu realmente soubesse as histórias dessas pessoas talvez eu até entendesse e aceitasse as escolhas que essas pessoas fizeram.

Falo isso porque me pairou uma dúvida ao ver o filme. Os filhos de Nawal Marwan ficaram consternados devido ao peso da história de sua mão ou por descobrirem que desconheciam a sua própria história de vida? Será que essas duas linhas tiveram peso na dor sentida pelos filhos? Não sei bem o que pensar, aliás fiquei muito tempo pensando no tema, até por isso demorei a criar este post pro blog.

Eu sempre acreditei que é preciso entender todas as nuances de uma situação para que possamos fazer algum tipo de julgamento.  Mas pensando de forma mais fria, muitas vezes fui contra esse mesmo pensamento e o que é mais maluco, fiz isso comigo mesmo. Consigo lembrar de várias histórias em que eu deveria ter tido mais calma comigo e com as minhas reações. Não levei em conta o que estava sentindo, nem o que eu tinha vivido. Foi bom ver o filme, talvez ele me lembre de ser mais compreensível com os outros e quem sabe até comigo mesmo.

A música que dá nome ao post faz parte da trilha sonora, recomendo o filme, concorreu ao Oscar de filme estrangeiro e é realmente bem feito, mas já aviso que não é um filme leve.

 

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2 responses

15 03 2011
Dona Flor

Obrigada pela dica! Não ouvi falar desse filme e vou dar um jeito de encontrá-lo por aqui. (com legenda em alemão vai ficar ainda mais pesado, acredito… 😉 )
bjs

18 03 2011
Camila Chagas

Não sei o filme, ainda não ví, mas que radiohead é bom, ah isso é!




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