You and Whose Army – Radiohead

13 03 2011

Só quem chora sabe os motivos de cada lágrima

 

Semana passada fui ao cinema e assisti ao belíssimo filme Incêndios. Filme canadense que mostra os dois filhos de mulher em uma busca por seu passado, em paisagens e histórias que remetem a guerra civil libanesa, onde as disputas entre cristãos e muçulmanos causaram a morte de muita gente.

Mas não é a guerra o meu interesse nesse filme, nem o tema desse texto, ou pelo menos não essa guerra e muito menos quero falar hoje de crenças, as religiões ainda serão tema de discussão, mas não agora. O filme acendeu em mim outras ideias, outros pensamentos afloraram.

O que me chama a atenção é que a mãe é desconhecida por todos da história. Na verdade ninguém sabe quem ela é, como chegou onde chegou e porque age de determinadas formas. Mesmo seus dois filhos parecem reconhecê-la como uma estranha. Quando a sua morte chega e eles são obrigados a descobrir quem é sua mãe, pouco a pouco vão encontrando o peso que ela carregou no passado e assim também pouco a pouco vão encontrando quem realmente são, até o clímax onde descobrem quem são seu pai e seu irmão que por eles eram considerados morto (o pai) e inexistente (o irmão).

Quantas vezes não nos deparamos com ações estranhas de pessoas próximas e não entendemos os motivos? Aliás quantas vezes não julgamos os atos dos outros sem saber o que leva cada pessoa a agir? Desconhecer o passado e as motivações de cada um. Cada pessoa possui suas cicatrizes e age de acordo com aquilo que já passou. Uma frase mal colocada, um olhar torto, ou simplesmente um jeito diferente de dizer algo podem desencadear um acesso de raiva de uma pessoa muitas vezes aparentemente inexplicável.

É difícil entender o que se passa na cabeça do outro. Muitas vezes é difícil entende até mesmo o que se passa dentro da nossa própria cabeça. Após ver o filme eu comecei a lembrar de pessoas com as quais convivo, pessoas que não são exatamente aquelas que eu admiro. Gente que eu condeno as escolhas e atitudes. Fico pensando  que se eu realmente soubesse as histórias dessas pessoas talvez eu até entendesse e aceitasse as escolhas que essas pessoas fizeram.

Falo isso porque me pairou uma dúvida ao ver o filme. Os filhos de Nawal Marwan ficaram consternados devido ao peso da história de sua mão ou por descobrirem que desconheciam a sua própria história de vida? Será que essas duas linhas tiveram peso na dor sentida pelos filhos? Não sei bem o que pensar, aliás fiquei muito tempo pensando no tema, até por isso demorei a criar este post pro blog.

Eu sempre acreditei que é preciso entender todas as nuances de uma situação para que possamos fazer algum tipo de julgamento.  Mas pensando de forma mais fria, muitas vezes fui contra esse mesmo pensamento e o que é mais maluco, fiz isso comigo mesmo. Consigo lembrar de várias histórias em que eu deveria ter tido mais calma comigo e com as minhas reações. Não levei em conta o que estava sentindo, nem o que eu tinha vivido. Foi bom ver o filme, talvez ele me lembre de ser mais compreensível com os outros e quem sabe até comigo mesmo.

A música que dá nome ao post faz parte da trilha sonora, recomendo o filme, concorreu ao Oscar de filme estrangeiro e é realmente bem feito, mas já aviso que não é um filme leve.

 

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Malaika – Miriam Makeba

9 03 2011

não seja preso pelas ideias dos outros, as suas ideias são a chave de qualquer prisão social

 

Depois de falar de um período especial, vale a pena falar de um pequeno tempo oposto. Eu até tentei esquecer, apagar ou simplesmente deixar pra lá. Imaginei que talvez o melhor a fazer fosse simplesmente esperar acontecer outro fato e ai falar de alguma coisa mais alegre. Só que infelizmente a espera por algo mais fez estava longa demais e ainda tenho uma meta a cumprir de posts neste ano.

Ainda para ajudar no meu raciocínio tortuoso, assisti ontem (segunda de carnaval) pela se bobear sexta ou sétima vez o filme Invictus, que me fez ter diversas reflexões sobre o que estava me incomodando nesses últimos dias. Pensei em escolher uma música da trilha sonora para o post, mas talvez essa fosse a chance mais clara que eu teria para postar algo de uma cantora sulafricana que sempre curti ouvir e que também sofreu pela política do apartheid.

Provavelmente Miriam Makeba seja conhecida apenas pela sua canção mais famosa Pata Pata, porém gravou muita coisa interessante e com muita gente. Teve sua nacionalidade sulafricana cassada e só voltou a pisar em seu país quando o regime caiu e Nelson Mandela, então presidente a convidou a voltar a África do Sul.

O filme, que aliás eu recomendo, traz em seu enredo uma alegoria sobre a forma como a seleção de rugbi da África do Sul conquistou a copa do mundo da modalidade pouco tempo após o fim do regime segregacionista. Mostra também os dias tortuosos que marcaram o início do governo Nelson Mandela, onde o medo de represálias por parte dos negros assustava os brancos. A serenidade apresentada pelo líder africano no filme vence qualquer barreira e mostra que é possível fazer-se grande sem que para isso seja necessário derrubar tudo o que foi construído anteriormente.

Serenidade foi a grande lição e na verdade é aquilo que eu busco neste momento. Serenidade para entender alguns pontos de vista que aparentemente são apenas divergentes (o que é muito mais do que saudável), mas que as vezes aparecem competitivos. Competições são interessantes, mas só onde as disputas realmente devam existir, nas quadras, campos, tatames, piscinas, nas praças esportivas. Outros espaços e principalmente na vida pessoal pedem coalização e não disputa.

Tanto Mandela no filme e Miriam Makeba em sua vida deixaram clara a sua luta pelo que acreditavam. Aliás sofreram e muito por isso, mas nunca desistiram. É esse o exemplo que busco para mim nesse momento. Acredito que podemos sim cometer erros graves, mas esses erros devem ser sempre motivados por aquilo que acreditamos, assim a dor da derrota nunca será grande, porque na verdade a derrota não existirá. Perde aquele que não defende aquilo que acredita.

Justamente por defender minha linha de ação é que agora me preparo para novos rumos, realizo pequenas mudanças que aos olhos de alguns parecerão radicais, mas que afirmo, só são demonstrações do caminho que eu escolhi para mim mesmo. Manter-me fiel ao que acredito ser justo e honesto. Afinal, no fundo, apenas uma opinião é que realmente vai ter peso sobre mim, a minha própria opinião. Todas as outras não são invalidadas, mas devo entender que elas surgem carregadas pelas crenças e formas como cada uma das pessoas que emitir a sua opinião enxerga o mundo.

Meio inspirado em Mandela, eu quero assumir os riscos, os custos e os prazeres de ser quem eu sou, de viver como eu imagino ser a melhor forma e de tentar criar um mundo que seja o mais próximo possível daquilo que eu vejo como melhor.

 





Passaredo – Chico Buarque

13 02 2011

Essa estação viu parte daquilo que quero retomar

Existem dias mornos, dias ruins, dias bons. Ontem eu tive um dia quase perfeito. Uma espécie de volta no tempo. Um retorno a dias felizes com coisas simples. Talvez apenas a percepção de que o tempo passou, muita coisa mudou, mas também muita coisa permaneceu exatamente como sempre foi, isso é bom. Sinais de maturidade junto com sinais de que nem toda a alegria juvenil se foi, aliás, muito pelo contrário.

Menos do que os fatos, no caso de ontem importam muito mais as sensações. Menos do que as ações, as reações ontem é que foram importantes. Como aliás deveriam ser sempre. Claro que os nossos atos são importantes, mas mais do que isso, o que nos leva a agir de determinada forma. Vale o mesmo pras reações, nós fazemos as coisas também porque a forma como cada pessoa reage ao que fazemos importa para a gente.

Isso resume meu sábado. Coisas triviais ganharam peso pelo que trouxeram consigo. Tem um filme até antigo que retrata bem o que senti ontem. Já citei ele no blog antes. Comédia romântica bobinha mas divertida.  Feitiço do Tempo de 1993 com o Bill Murray e a Andie MacDowell. Na história um homem é obrigado a viver o mesmo dia eternamente até que conquiste verdadeiramente o amor da mulher que lhe chama a atenção.

Aqui não falo da conquista, mas sim do viver eternamente o mesmo dia. Justamente foi a sensação que eu tive ontem. Acho que todo mundo tem seus deja vus, infelizmente a maioria das situações em que isso ocorre são momentâneas e sem uma real ligação com um fato passado. Algo bem diferente do que eu vivi ontem.

Vivi fatos que eu consigo relembrar exatamente dia, hora e circunstâncias em que eu vivi esses mesmos fatos no passado. Justamente por isso é que foi um dia tão bom. Foi bom perceber que algumas coisas podem retornar e que eu sou capaz de fazer essas coisas. O melhor foi olhar para esses fatos com muito mais maturidade e também com muito mais confiança. Hoje posso dizer sem medo que não repetiria erros do passado e que principalmente sei como alterar algumas coisas que não consegui alterar no passado.

Por isso a música escolhida para o post. Além do composititor (Chico Buarque), o tema também remete ao passado. A um tempo em que eu reconhecia as aves pelo canto e que aprendia a viver coisas novas. Aprendia a entender coisas novas.

Hoje que esse período todo de aprendizagem faz parte do passado, as sensações são muito mais saborosas. Coisas simples como fazer comprar, carregar coisas, andar pelo mercado relembrando fatos distantes tornam tudo muito mais saboroso. Ainda mais por perceber que não sou mais o menino que já fui. Posso ser jovem, ou jovial, mas deixei de ser menino.

Tem um verso da música que até parece bem com o que eu sinto nessa história toda “O homem vem ai” Mesmo tendo um sentido diferente do dá música, é saboroso poder dizer isso com todas as letras, EU HOJE SOU ADULTO!!! Adulto a ponto de até admitir reviver não só um momento bom, mas de reviver todo o passado, só que com outro olhar, agora com maturidade e não mais com a ideia do eu preciso e sim pensando que eu quero reviver o passado porque eu posso fazer isso de maneira saudável e feliz. Eu posso retornar sem medo de viver.

Me resta agora apenas reconquistar totalmente esse passado, algo que posso falar que tentarei porque é justamente o que agora EU QUERO!!!





Chove Chuva – Biquini Cavadão

17 01 2011

As vezes entramos em competições só em busca do prazer, sem lembrar dos riscos

Eu já ia quebrando minhas promessas de ano novo logo no começo do ano. Eu até prometi que aos poucos ia falando das promessas e começo aqui a tocar no assunto. Pretendo nesse ano produzir 52 textos, pelo menos um por semana. Não é tanta coisa assim, mas eu preciso me organizar pra fazer isso. Já ia quebrando o pacto ainda nas férias, melhor me organizar, porque semana que vem volto as aulas.

Eu falo hoje também de um tema meio pesado e até certo ponto chato. Não queria falar dos desastres que acontecem no Brasil todo verão, das chuvas que destroem vidas em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais (e faltam no Rio Grande do Sul), mas o assunto é extremamente forte e merece ainda alguma discussão.

Todos os anos, no mês de Janeiro chegam as casas de todo mundo os carnês de IPTU e junto com os carnês do imposto, as chuvas forte e desastrosas em algumas regiões do país. As vezes os locais mudam, mas os problemas são os mesmos em todas as regiões afetadas. Descaso tanto da população quanto do governo. Gente que constrói em lugares que sabidamente são de risco e não se preocupa com isso e o governo que permite que isso ocorra sem fazer nada, porque se fizer alguma coisa vai perder votos.

É justamente esse o ponto que eu quero discutir. O quanto a gente corre riscos ou deixa de fazer coisas que realmente são importantes e interessantes pra gente devido a um pequeno prazer momentâneo por um lado ou pelo medo de ser julgado por outro. O medo de fazer a coisa certa.

Isso vai render dois textos, um para cada tema. Prefiro ficar no primeiro hoje. A ideia do prazer rápido e instantâneo, independente dos riscos que a gente corra para que se tenha esse prazer. E falo do prazer porque em muitos casos isso vai além da necessidade momentânea.

Já li gente falando que a culpa dos desastres é dos pobres que constroem em lugares perigosos. Esquecem essas pessoas que muitas casas destruídas eram casas de temporada. Ficam fechadas na maior parte do tempo. E as pessoas simplesmente esquecem que morar ali ou passar uma temporada ali pode ser perigoso.

Propositalmente deixarei de citar aqui os casos de loteamentos aprovados pelo governo (isso virá no outro post), falo das diversas construções turísticas. Falo delas justamente porque elas me lembram de diversas outras situações em que nos arriscamos de forma quase consciente.

Adolescentes fazem muito isso. Agir quase sem pensar nos riscos. Ir a festas e sair beijando todo mundo sem saber quem são. Beber e dirigir, transar sem camisinha (isso ocorre mais até entre pessoas adultos do que entre os adolescentes). Passar a noite em claro e ir direto ao trabalho ou escola. Quase todo mundo já deve ter feito alguma loucura nesse nível.

Claro que morar ou passar férias num lugar que minutos de reflexão mostram ser perigoso leva em consideração uma série de outros fatores, mas o que eu quero discutir aqui é justamente o que nos leva a correr alguns riscos que poderiam ser evitados de maneira relativamente fácil.

Confesso que já pensei sobre o tema algumas vezes. Nunca obtive uma resposta clara. Penso que o gosto pela adrenalina acaba sendo uma saída fácil pra responder o problema. Parece que o nosso cérebro fica a toda hora pesando as situações entre risco e prazer e se a balança pende para um prazer maior que o risco fazemos o que o desejo manda, se a balança pende para o risco procuramos nos proteger.

Isso ao menos deveria ocorrer, mas muita vezes me parece que o bom senso e sentido de auto preservação são literalmente descartados de nossa mente. Nós acabamos sendo totalmente controlados pelo desejo e deixamos que o prazer domine nosso pensamento, o risco é todo descartado, ou não ligamos para o perigo (o que não acredito ser verdade) ou simplesmente acreditamos que com a gente não vai acontecer.

Gostaria mesmo de saber o que nos leva a correr esses riscos da forma que corremos. O que faz com que a lógica seja derrotada pelo desejo mesmo quando as possibilidades de erro são muito maiores que as de vitória. O que nos faz apagar os riscos da equação.

Você tem alguma história pra contar que exemplifique isso? Se quiser mandar escreva no blog. Enquanto isso, torço para que as mortes causadas pelas chuvas parem e que as cidades quando reconstruídas levem em conta o risco de cada lugar. Que a chuva pare um pouco e vá para onde é necessária.





Santa Clara – Simoninha

3 01 2011

Que Santa Clara traga sol e bons ventos para que eu navegue tranquilo por 2011

Primeiro post do ano, com alguns dias de atraso. Na verdade o blog todo anda meio atrasado. Nem vou tentar me desculpar pelo leve desleixo com o espaço, apenas vou tentar colocar pelo menos um texto por semana nesse ano, a meta é a de 52 posts em 2011.

Pra entrar no clima de metas e desejos pra um novo período, acho que vale a pena colocar uma música bem alegre, por isso escolhi Santa Clara, numa versão do Simoninha, filho do Wilson Simonal. É hora do sol nascer alegre pra todo mundo, ou pelo menos é esse o desejo. Quem sabe ele não nasce assim, depois que essas chuvas diminuírem em São Paulo.

Eu nunca fui muito de fazer listas de ano novo. Até porque nem levo o nosso calendário tão a sério assim. Ano passado tentei algumas resoluções, tentei mudar algumas coisas. O resultado foi mais do que frustrante, tudo aquilo que eu me propus a fazer deu totalmente errado.

Ora dos balanços, será que exigi demais? Foi a primeira pergunta que me fiz quando entrei em férias, dia 17 do mês passado. Não, o pior é que a resposta foi não. Foi incapacidade mesmo…rs  Acontece nas melhores famílias, porque não acontecer comigo também? Não devo me preocupar com isso. Sinceramente é a hora de tentar novamente, não preciso de outra lista, mas sim devo manter a mesma.

Conversando com outras pessoas sobre como funcionam essas resoluções e se elas realmente duram os 12 meses, percebi que na grande maioria as listas duram o tempo em que se demora para tomar toda a taça de champanhe na virada. Todos os rituais (eu não os sigo), de comer lentilha, nhoque, sementes de romã, usar sapato branco (esse eu li ontem) não são importantes por algum poder mágico. Eles servem apenas para mostrar para a gente mesmo onde está o nosso foco.

Não consigo imaginar em sementes de romã na carteira trazendo dinheiro, mas sim servindo pra lembrar a pessoa de que sua vida financeira merece uma atenção especial. Ou, pensando em rituais de outras datas, a história de amarrar o santo Antônio de cabeça pra baixo pra se casar. Se a pessoa não se esforçar minimamente pra encontrar alguém, nunca vai desencalhar, pode colocar uma fábrica de santos de cabeça pra baixo. Ela tem é que usar isso pra se lembrar do que realmente quer fazer, mesmo quando as coisas não funcionam como o desejado ou o esperado.

Até por isso eu vou ficar com a mesma lista. Acho que não me empenhei o suficiente. Agora é hora de ver onde errei e consertar tudo. Focar novamente no que quero, afinal eu defini que realmente quero esses objetivos e nem tem a ver com o ano, mas 365 dias é tempo mais do que suficiente pra se mudar uma porção de coisas e acertar.

É o que pretendo e vou fazer. Aliás, é algo que todo mundo que faz as resoluções de ano novo deveria fazer. Encarar suas metas com seriedade e cumpri-las, ou pelo menos fazer o máximo para que isso ocorra. Todo mundo promete dieta e exercícios, mais carinho com os próximos e por ai vai, será que todo mundo vai cumprir? Se você precisa de um incentivo espiritual extra, ouça Santa Clara, quem sabe ela não traz um pouco de luz sobre os seus caminhos e desejos? Aliás, se quiser poste a sua lista de resoluções aqui no blog, eu vou durante os próximos posts falar do que pretendo fazer nesse ano.





Route 66 – Rolling Stones

5 11 2010

Algumas coisas a gente só vê se tem coragem pra curtir o caminho

Se estiver em Sampa, não perca!

Eu tenho escrito pouco aqui. Bem menos do que eu gostaria. Infelizmente o tempo está curto, as ideias confusas e as vezes pra não publicar nada ofensivo, vale a pena recolher a pena e nada escrever. Faz tempo também que não clico, e isso também precisa mudar. Porém, hoje tenho algo legal pra falar.

Recebi o convite que aparece logo abaixo do clipe no post de hoje. Uma amiga minha, Melina Resende, em parceria com outro grande fotógrafo, Ricardo Ferreira, Lançam na próxima quarta-feira seu livro Na Estrada – SP, na Livraria da Vila na Fradique Coutinho em Sampa, a partir das 18h30.

Ainda não tive acesso ao livre, apenas sei que ele traz imagens feitas por andanças da dupla em estradas paulistas, pelo calibre dos dois artistas a obra deve ser sensacional, estou louco pra que quarta-feira chegue logo pra que eu possa adquirir logo meu exemplar.

Aproveito o tema pra discutir outra coisa dentro do meu imaginário. E pelo destaque que esse tipo de coisa tem no cinema e até em outros livros, imagino que no pensamento de muitas outras pessoas. As viagens pelas estradas quase sem rumo, curtindo o caminho e as cenas que surgem. Semana passada mesmo vi um filme (bem água com açúcar, estava passando na TV e eu estava de saco cheio, me perdoem) que tinha algumas cenas meio nessa linha. O filme Tudo acontece em Elizabethown, onde o personagem faz uma viagem assim sem rumo.

Tem um livro, entretanto, que tem mais a minha cara. Recomendo Carlos Eduardo de Novaes pra que nunca leu nada dele. Seu humor é muito leve e divertido. Além do livro que usarei como referência aqui, recomendo o hilário Capitalismo para Principiantes (de 1983). Hoje é dia de falar do livro Travessia Americana (de 1984).

Nesse ele narra uma viagem realizada por ele e Paulo Perdigão pelos USA de carro costa a costa. O hilário relato da viagem, com as frustrações e alegrias de um turista percorrendo uma estrada desconhecida. No fundo tanto essa narrativa quando todas as outras, algumas sérias, outros água com açúcar, partem do mesmo ponto. O auto conhecimento, a viagem como referência para o nosso próprio conhecimento. A busca pelo saber quem somos atrás de um caminho qualquer.

Eu gosto dessa alegoria. Curto assistir aos Road movies e ler alguns livros que falam de viagens, poderia citar vários deles aqui, mas acho que vale a pena guardar esses livros para novas incursões pelo tema. Hoje é dia de falar apenas do que espero encontrar. Tem gente que curte a viagem como um todo, curte cada preparativo, se diverte com cada curva na estrada, até com o engarrafamento. Outros curtem apenas o chegar ao local, o destino é o que importa. Eu ainda não sei a que grupo pertenço. Eu me prendo sim aos detalhes da viagem, ao caminho, mas me importo com o que terá no final.

Numa conversa recente com amigos, justamente sobre esse tema, a gente chegou a uma posição maluca, quem é auto confiante e bem resolvido, acaba curtindo o caminho, cada cena faz uma imensa diferença em sua vida e os pequenos contratempos nunca são realmente levados a sério. Quem só se preocupa com o fim do caminho e foge dos contratempos demonstra a sua imensa insegurança.

Olha, eu confesso que de certa forma acredito sim nisso. Tem gente que vai fazer uma viagem e tem medo de perder o almoço no hotel, de perder um passeio que deveria ter sido agendado e até mesmo de que a água da cachoeira seja fria demais.  Ofereça a essas pessoas duas opções de jantar num Buffet, espere sentado…rs.

Sorte que tem gente de todos os tipos e com todas as gradações possíveis  entre os extremos. Eu imagino que o livro seja para todos. Aos que são fãs do inesperado, pra que possam ver cenas muito bem fotografadas do que costumam observar em seus caminhos por ai, aos que só curtem a chegada, ai vai uma chance de ver o que se perdeu em todos esses anos rodando pelas estradas paulistas, deve ter perdido a chance de ver muita coisa.





21st Century Schizoid Man – King Crimson

12 10 2010

Infelizmente nós nos escondemos ao invés de assumir que erramos

Já fazia um tempo que eu não passava por aqui. Uma série de pequenos problemas me fez sumir do blog por esse tempo. Um misto de ressaca causada por problemas de saúde do meu pai, excesso de trabalho e até das eleições (que ainda terão segundo turno para presidente). Enfim,  tudo passou, ou talvez seja melhor dizer está passando, as coisas seguem seu caminho e novos problemas e novas alegrias surgem.

O que me fez vir aqui escrever depois de todo esse tempo foi um fato corriqueiro. Hoje fiz um passeio rápido no parque CEMUCAM, parque da prefeitura de São Paulo, situado já no município de Cotia. O parque é bonito, cheio de verde, com ciclovia, espaço para corridas e tudo mais. Até espaço pra camping tem, mas devido a falhas na segurança, ai está algo que eu não recomendo.

Bom, estava eu no parque, andando quando de repente um golden retriever salta nas minhas costas do nada. Os donos do animal se desculparam? Claro que não, chamaram o animal de volta, entregaram de novo a guia para uma criança e passaram por mim como se nada tivesse acontecido. Fiquei pasmo, o mínimo a se fazer era pedir desculpas e perguntar se eu estava bem, o animal tinha focinheira, mas é um animal grande e se eu não fosse também grande provavelmente teria me machucado, sorte que minha câmera fotográfica não quebrou, apenas uma camiseta rasgada nas costas pelo animal.

E assim vivemos nesses dias. Cada vez mais na defensiva em todos os aspectos. Fugindo de responsabilidades básicas. A culpa é do cachorro que saiu correndo e não do responsável pelo animal. A culpa de se eleger um Tiririca da vida é dos políticos que não fazem por merecer os votos e não de quem votou nele. A culpa pelo feijão ter queimado é da panela e não de quem cozinha. Enfim a culpa é sempre do outro, nunca minha.

Tento aqui exorcizar alguns de meus erros, assumir algumas de minhas culpas, talvez não consiga assumir todas, mas deveria, todos deveríamos fazer isso, até como forma de tentar melhorar como ser humano e melhorar esse mundo em que vivemos.

Eu voltei pra casa ouvindo uma música do King Krinsom que achei que tinha tudo a ver com o que eu queria dizer nesse posto. 21st Century Schizoid Man é uma daquelas músicas em que a letra não diz absolutamente nada. Várias músicas encaixam-se nesse perfil, isso é importante ser ressaltado. Porém, nessa música, a viagem toda acaba fazendo algum sentido, mesmo que raso.

Escrita em 1969, a música fala de problemas que assolavam o período em que foi escrita, mas 40 anos depois e no século seguinte, pode-se dizer que o tal homem esquizóide vive os mesmos problemas do homem do século passado. Mulheres inocentes violadas, crianças esfomeadas, a mesma paranóia de sempre. O descaso social que existia naquele período ainda é encontrado, talvez com diferenças, mas ainda com bastante força.

Temos que mudar nossa linha de ação e fazer algo para que no próximo século, os próximos homens esquizóides não vivam aquilo que vivemos hoje, o descaso com tudo, inclusive com a nossa própria culpa. Temos que ter a coragem de assumir os nossos erros, sem isso que capacidade temos de apontar os erros dos outros? Eu fiz isso com o cão, mas será que agi certo apontando o erro deles e não pensando nos meus?