Meu Aniversário – Nando Reis

28 03 2011

Uma taça de champanhe sem saber pra que...

 

Estranho como algumas coisas nos incomodam e a gente demora a perceber o porquê. Estranho como temos rituais tão antigos que mesmo que não façam sentido algum se tornam extremamente importantes. Aliás, é estranho o modo como a nossa mente define o que vamos achar importante no decorrer de nossa vida.

Conforme o tempo passa, vamos aprendendo mais coisas, vivenciando novas situações e sendo forçados a mudar de rumo diversas vezes. Assim, a nossa linha de pensamento se altera de tal forma que em muitos casos, o Alex de 3 anos atrás seria considerado intragável pelo Alex de hoje que provavelmente será considerado um imbecil pelo Alex de 10 anos adiante.

Entretanto, mesmo com tudo isso, com todas as mudanças que cada ser passa. Algumas coisas parecem ser mais profundas na nossa própria espécie. Coisas que independente de quem você seja e do momento em que vive vão te abalar de alguma forma, seja trazendo um sorriso aos seus lábios, seja trazendo lágrimas aos olhos.

Geralmente isso ocorre com rituais simples, como um olhar de determinada pessoa, um sorriso, uma frase, ou até mesmo datas e comemorações. Nós comemoramos muita coisa e nem sabemos exatamente o motivo. Criamos datas para quase tudo (eu mesmo nasci no dia do cacau). E gostamos quando essas datas ditas especiais passam a ter significado para outras pessoas do nosso convívio. Nossa espécie é gregária, felizmente ou infelizmente (não consigo ter uma opinião firma sobre isso), vivemos em sociedade e dela dependemos. Provavelmente criamos essas comemorações malucas justamente para criar formas de fortalecer nossos laços sociais.

Tudo isso para falar do meu aniversário. Sábado passado, dia também em que se fez a hora do planeta, onde pessoas no mundo inteiro apagaram as luzes de suas residências como forma de protestar contra o nosso comportamento errático em relação ao nosso lar. Dia do Cacau, como já disse anteriormente. Também nessa data Nasceu Éder Jofre e morreram Walt Whitman e Beethoven.

Num dia 26 de março anos atrás eu nasci, e a melhor definição do que isso realmente significa veio no cumprimento de uma amiga que me mandou um sms com a seguinte frase: “Parabéns por completar mais uma volta ao redor do Sol.”

Parece pouco ou frio demais? Pode até ser, mas é exatamente isso, nós comemoramos porque damos uma volta a mais em torno de uma estrela, e comemoramos isso diversas vezes em diversos momentos no mesmo ano. Seja por parentes, seja por festas comemorativas, seja pelo próprio início/fim do ano. E o pior, isso nos faz bem.

Tem lógica? Claro que não, mas nem por isso deixamos de fazer. Talvez porque sejamos realmente como eu disse no último post, presos dentro de uma prisão social onde sem saber os motivos, fazemos exatamente aquilo que se espera de nós e no caso, se espera que comemoremos sempre essas voltas ao redor da estrela. Talvez seja algo mais intrínseco da nossa espécie, que simplesmente age dessa forma totalmente irracional da mesma forma como agem os lemingues que se amontoam de maneira tão desordenada que acabam caindo alto de desfiladeiros, simulando um suicídio coletivo.

Na verdade, a única coisa que parece fazer sentido nesse caso, é que a gente faz isso (e milhares de outras coisas) de forma totalmente irracional e nem se dá conta, apenas fazemos e nos sentimos felizes por isso. Ou pelo menos nos sentimos incomodados se isso não acontece, mesmo que a gente nem perceba que faz.

Você já se perguntou o que te leva a comemorar o seu aniversário?

 

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Envelheço na Cidade – Ira!

26 03 2010

foto antiga, mas eu comemorei quando consegui tirar essa foto

Hoje é meu aniversário. Tem um monte de gente querida me ligando, cumprimentando, mandando e-mail e coisas do gênero. É legal, de certa forma a gente se sente querido, é uma forma de carinho. Entretanto, fica sempre aquela pergunta, afinal o que eu estou comemorando mesmo?

É uma pergunta meio estranha. A maioria responde, cara, comemora que você está vivo. Poxa, mais um ano que você está aqui enchendo o saco na terra. Olha só tudo o que você conquistou nesse período. E milhares de outras frases feitas e lógicas com teor semelhante. Talvez eu seja um cara negativo por natureza, mas confesso que não consigo ver o mundo dessa forma. Talvez por isso muitas vezes bata uma certa tristeza nessas datas.

Eu inicialmente até tinha escolhido uma música mais alegre pro tema. A Marilyn Monroe canto pro presidente Kennedy. Pena que não achei nenhum vídeo bom disso no youtube, digamos que a história contada é melhor que o vídeo. Ai me sobrou outra opção. Envelheço na Cidade (clique para ouvir), música da minha adolescência, do IRA, uma banda que eu adoro.

A música ressalta que o tempo passa e de certa forma questiona a comemoração do aniversário. É justamente o que eu estou fazendo. Vou comemorar o que? O fato do planeta ter dado mais uma volta ao redor do Sol desde que eu chorei pela primeira vez? Ok, nem precisa ser tão trágico. A questão é que não vejo motivo real pra comemorar.

Tem a ideia padrão de se dizer que estou com saúde, num emprego legal, produzindo, escrevendo, etc. etc. etc. Tudo isso vale até a página 2. A saúde está longe de ser 100%, está legal, apenas isso. O produzir, sei lá, me parece estranho você comemorar por conseguir fazer algo que você sabe que consegue fazer. É diferente de um atleta bater um recorde mundial no qual ele acreditava. É como um chef de cozinha comemorar conseguir fritar um ovo. Não é nada demais, infelizmente é apenas aquilo que você faz sempre, nenhum mérito em conseguir.

Pequenos avanços em áreas onde realmente temos dificuldades sim merecem comemoração. E nessas áreas infelizmente eu ando devagar pra caramba. Não tive nenhuma conquista (nem pequena) nesses pontos. Chego a dizer que retrocedi em muitos pontos. Não consegui ser mais sociável e menos servil nas relações interpessoais. Ainda costumo ter medo das pessoas. Não consegui entender direito as minhas próprias sensações, imagine as dos outros. Continuo extremamente lógico e pouco sentimental. Toda vez que as sensações surgem no cerne de qualquer assunto, eu continuo perdido.  Meus últimos posts até falam um pouco dessa minha falta total de jogo de cintura nessa aspecto da minha vida.

É claro que, como dito no início do post, tem o lance do carinho das pessoas. Essa acaba sendo a única real vitória. Mas admito que me cobro bastante. Nesse sentido, percebo que não tenho vitórias minhas a comemorar. Tenho muita coisa pra fazer antes de realmente merecer os parabéns.