You and Whose Army – Radiohead

13 03 2011

Só quem chora sabe os motivos de cada lágrima

 

Semana passada fui ao cinema e assisti ao belíssimo filme Incêndios. Filme canadense que mostra os dois filhos de mulher em uma busca por seu passado, em paisagens e histórias que remetem a guerra civil libanesa, onde as disputas entre cristãos e muçulmanos causaram a morte de muita gente.

Mas não é a guerra o meu interesse nesse filme, nem o tema desse texto, ou pelo menos não essa guerra e muito menos quero falar hoje de crenças, as religiões ainda serão tema de discussão, mas não agora. O filme acendeu em mim outras ideias, outros pensamentos afloraram.

O que me chama a atenção é que a mãe é desconhecida por todos da história. Na verdade ninguém sabe quem ela é, como chegou onde chegou e porque age de determinadas formas. Mesmo seus dois filhos parecem reconhecê-la como uma estranha. Quando a sua morte chega e eles são obrigados a descobrir quem é sua mãe, pouco a pouco vão encontrando o peso que ela carregou no passado e assim também pouco a pouco vão encontrando quem realmente são, até o clímax onde descobrem quem são seu pai e seu irmão que por eles eram considerados morto (o pai) e inexistente (o irmão).

Quantas vezes não nos deparamos com ações estranhas de pessoas próximas e não entendemos os motivos? Aliás quantas vezes não julgamos os atos dos outros sem saber o que leva cada pessoa a agir? Desconhecer o passado e as motivações de cada um. Cada pessoa possui suas cicatrizes e age de acordo com aquilo que já passou. Uma frase mal colocada, um olhar torto, ou simplesmente um jeito diferente de dizer algo podem desencadear um acesso de raiva de uma pessoa muitas vezes aparentemente inexplicável.

É difícil entender o que se passa na cabeça do outro. Muitas vezes é difícil entende até mesmo o que se passa dentro da nossa própria cabeça. Após ver o filme eu comecei a lembrar de pessoas com as quais convivo, pessoas que não são exatamente aquelas que eu admiro. Gente que eu condeno as escolhas e atitudes. Fico pensando  que se eu realmente soubesse as histórias dessas pessoas talvez eu até entendesse e aceitasse as escolhas que essas pessoas fizeram.

Falo isso porque me pairou uma dúvida ao ver o filme. Os filhos de Nawal Marwan ficaram consternados devido ao peso da história de sua mão ou por descobrirem que desconheciam a sua própria história de vida? Será que essas duas linhas tiveram peso na dor sentida pelos filhos? Não sei bem o que pensar, aliás fiquei muito tempo pensando no tema, até por isso demorei a criar este post pro blog.

Eu sempre acreditei que é preciso entender todas as nuances de uma situação para que possamos fazer algum tipo de julgamento.  Mas pensando de forma mais fria, muitas vezes fui contra esse mesmo pensamento e o que é mais maluco, fiz isso comigo mesmo. Consigo lembrar de várias histórias em que eu deveria ter tido mais calma comigo e com as minhas reações. Não levei em conta o que estava sentindo, nem o que eu tinha vivido. Foi bom ver o filme, talvez ele me lembre de ser mais compreensível com os outros e quem sabe até comigo mesmo.

A música que dá nome ao post faz parte da trilha sonora, recomendo o filme, concorreu ao Oscar de filme estrangeiro e é realmente bem feito, mas já aviso que não é um filme leve.

 

Anúncios




21st Century Schizoid Man – King Crimson

12 10 2010

Infelizmente nós nos escondemos ao invés de assumir que erramos

Já fazia um tempo que eu não passava por aqui. Uma série de pequenos problemas me fez sumir do blog por esse tempo. Um misto de ressaca causada por problemas de saúde do meu pai, excesso de trabalho e até das eleições (que ainda terão segundo turno para presidente). Enfim,  tudo passou, ou talvez seja melhor dizer está passando, as coisas seguem seu caminho e novos problemas e novas alegrias surgem.

O que me fez vir aqui escrever depois de todo esse tempo foi um fato corriqueiro. Hoje fiz um passeio rápido no parque CEMUCAM, parque da prefeitura de São Paulo, situado já no município de Cotia. O parque é bonito, cheio de verde, com ciclovia, espaço para corridas e tudo mais. Até espaço pra camping tem, mas devido a falhas na segurança, ai está algo que eu não recomendo.

Bom, estava eu no parque, andando quando de repente um golden retriever salta nas minhas costas do nada. Os donos do animal se desculparam? Claro que não, chamaram o animal de volta, entregaram de novo a guia para uma criança e passaram por mim como se nada tivesse acontecido. Fiquei pasmo, o mínimo a se fazer era pedir desculpas e perguntar se eu estava bem, o animal tinha focinheira, mas é um animal grande e se eu não fosse também grande provavelmente teria me machucado, sorte que minha câmera fotográfica não quebrou, apenas uma camiseta rasgada nas costas pelo animal.

E assim vivemos nesses dias. Cada vez mais na defensiva em todos os aspectos. Fugindo de responsabilidades básicas. A culpa é do cachorro que saiu correndo e não do responsável pelo animal. A culpa de se eleger um Tiririca da vida é dos políticos que não fazem por merecer os votos e não de quem votou nele. A culpa pelo feijão ter queimado é da panela e não de quem cozinha. Enfim a culpa é sempre do outro, nunca minha.

Tento aqui exorcizar alguns de meus erros, assumir algumas de minhas culpas, talvez não consiga assumir todas, mas deveria, todos deveríamos fazer isso, até como forma de tentar melhorar como ser humano e melhorar esse mundo em que vivemos.

Eu voltei pra casa ouvindo uma música do King Krinsom que achei que tinha tudo a ver com o que eu queria dizer nesse posto. 21st Century Schizoid Man é uma daquelas músicas em que a letra não diz absolutamente nada. Várias músicas encaixam-se nesse perfil, isso é importante ser ressaltado. Porém, nessa música, a viagem toda acaba fazendo algum sentido, mesmo que raso.

Escrita em 1969, a música fala de problemas que assolavam o período em que foi escrita, mas 40 anos depois e no século seguinte, pode-se dizer que o tal homem esquizóide vive os mesmos problemas do homem do século passado. Mulheres inocentes violadas, crianças esfomeadas, a mesma paranóia de sempre. O descaso social que existia naquele período ainda é encontrado, talvez com diferenças, mas ainda com bastante força.

Temos que mudar nossa linha de ação e fazer algo para que no próximo século, os próximos homens esquizóides não vivam aquilo que vivemos hoje, o descaso com tudo, inclusive com a nossa própria culpa. Temos que ter a coragem de assumir os nossos erros, sem isso que capacidade temos de apontar os erros dos outros? Eu fiz isso com o cão, mas será que agi certo apontando o erro deles e não pensando nos meus?





Virtual Insanity – Jamiroquai

11 04 2010

Vivemos como se cada uma dessas flores só soubesse da existência das outras duas pelo mundo virtual

Nesses tempos de força das redes sociais virtuais, acabamos nos encantando cada vez mais por autores diversos, alguns desconhecidos, outros famosos que se colocam de forma cada vez mais próxima da de um ser humano normal. E mais engraçado do que isso. Cada vez mais nos sentimos próximos de gente que provavelmente nunca vamos ver ao vivo. Ou ainda nos apaixonamos por coisas que lemos mais do que por coisas que vivemos, ou no caso convivemos.

Falo isso pensando no twitter, ferramenta bastante interessante, eu confesso que uso o meu basicamente pra 4 coisas, divulgar meu blog, desabafar, encontrar descontos em coisas que quero comprar e encontrar rapidamente notícias de assuntos de meu interesse, a saber, esportes, ciência, música e quando tenho que ir pra Sampa, trânsito. Porém, confesso que tenho obtido outras diversões com o passarinho azul.

Sigo também pessoas, alguns amigos, outras pessoas influentes e gente que me segue também. Nessa troca de seguidores, me espanta o quanto conseguimos conhecer de pessoas próximas com pequenos textos de 140 caracteres. Eu normalmente até que me exponho bastante aqui, mas falo de pessoas que no dia a dia não se expõem tanto. Existem nesse caso, como em qualquer situação como essa, coisas que nos aproximam e coisas que nos fazem querer distância das pessoas. A exposição excessiva em muitos casos acaba sendo negativa.

Entretanto, quero me prender a outro aspecto. Quando passamos a admirar pessoas por sua humanidade. Eu sigo pessoas que se mostram muito mais humanas no microblog do que em outras oportunidades de contato. Gente que apresenta medos e falhas, alegrias simples e inteligência divertida e elevada a ponto de se tornar apaixonante. Gente que me cativa nos pequenos comentários que faz.

Penso agora nesse mundo virtual, loucamente virtual. Os contatos acabam sendo mais próximos com gente que está a continentes de distância do que com as pessoas mais próximas. A solidão se amplia cada vez mais nos grandes centros, onde existem milhares de pessoas reclamando do vazio que sentem (eu me incluo nesse meio). É mais fácil saber o que seu colega de trabalho, seu vizinho ou um conhecido pensa e sabe através do que ele coloca em seu blog, dos seus comentários no Orkut, ou Facebook, ou Twitter ou qualquer outro grupo social virtual do que numa conversa ao vivo.

No passado já disseram que o telefone afastava as pessoas, o tempo provou que não era bem assim. Vieram os celulares e cada vez mais gente se comunicando. A internet criou uma nova forma de se relacionar. Nos comunicamos cada vez com mais gente e cada vez conhecemos menos pessoas. Sintomas dessa loucura virtual em que vivemos. Onde eu declaradamente me sinto encantado por alguém que leio e não consigo expressar isso ao vivo de forma clara. Onde pessoas de vários lugares lêem o que eu escrevo e até se encontram nos meus textos e fotos, mas mesmo me conhecendo não tem coragem de discutir ao vivo aquilo que pensam.

Levar essas relações do virtual para o real seria o ideal, mas isso raramente ocorre. Seja pela distância física, seja pela falta de tempo, seja por medo (talvez esse seja o meu caso). Pouco realmente fazemos para possibilitar contatos humanos reais e verdadeiros. Até por isso eu escolhi a música do Jamiroquai que dá título ao post. Adoro a banda e essa é minha música predileta. Virtual Insanity (clique para ouvir), fala da loucura virtual que a tecnologia traz, de como isso afeta as diversas relações humanas.

Afeta tanto para o bem quanto para o mal, mas afeta. Muda o olhar que temos sobre o mundo que nos cerca. O bairrismo perde sentido, parece que finalmente todos somos cidadãos do mundo, entretanto, essa comunicação toda também acentua as diferenças. As línguas passam a ter valor de união entre as pessoas. Muitos falam mais de uma língua, a sua local e alguma língua universal (principalmente inglês). Muitos escrevem suas ideias em várias línguas assim como possuem acesso a informações do mundo todo.

Eu tenho que agradecer a existência dessa loucura virtual porque ela me permite conhecer gente e situações que levando em conta a forma como vivo e minhas limitações pessoais, com certeza eu não teria acesso. Sou muito mais sociável do que seria sem a internet, mas e as pessoas que se isolam mais e mais por causa da rede? A discussão sobre se isso vale ou não a pena é grande, eu por enquanto evito tomar partido de um lado. Só procuro usar o que tenho a disposição para me comunicar. Aliás, se alguém quiser me seguir no twitter, está ai meu endereço http://twitter.com/alexmartinsfoto





Aquarela do Brasil – Disney

21 03 2010

tem coisas belas que só enxergamos em nossa terra, seja ela qual for...

Meu caminho mudou um pouco, pretendia seguir a linha do último post e partir para a ideia do gigante gentil (explico isso melhor no próximo post). Porém, ontem li um texto no blog da minha amiga Dona Flor (clique para ler) e resolvi trazer a brincadeira pra cá também. Quero falar um pouco do sentir-se pertencente a um país, a forma como cada um traduz o nacionalismo, a sua relação com seu povo.

Resumindo, a Flor (que se casou e hoje mora numa cidadezinha alemã) diz como se sente quando ouve alguém falar mal do Brasil. Na história dela o sentimento veio a partir de comentários depreciativos em relação a Venezuela, mas vale o raciocínio, aliás reitero, vale a pena ler a linha de raciocínio que ela seguiu.

Para embalar o post escolhi um desenho animado da Disney onde aparecem Aquarela do Brasil (que dá nome ao post) e Tico-Tico no fubá (clique para ver), com Zé Carioca e Pato Donald. Eu gosto muito desse desenho. Gosto das músicas que aparecem e confesso que apesar de todo um papo de visão imperialista, doutrinação e milhares de outros senãos que aparecem toda vez que se cita filmes como Saludos Amigos e Você já foi a Bahia, eu prefiro ficar com a imagem positiva.

Se tem uma coisa que eu gosto no meu povo é o seu jeito jocoso, a forma leve com que costumamos encarar todos os problemas é algo contagiante. É claro que isso as vezes é prejudicial e muitas vezes torna qualquer análise dos nossos problemas superficial demais, mas é a forma como o nosso povo lida. O jogo de cintura do brasileiro não é algo que aparece somente na música, aparece em todas as nossas ações. A busca por alegrias diversas e constantes faz parte da nossa cultura, mesmo que nunca as encontremos, vivemos para elas e em busca delas.

Outros povos possuem outras características e assim acabam vendo o mundo com seus olhos. Os julgamentos que todos fazemos de um povo variam de acordo com a forma como acreditamos ser a forma correta de levar a vida. Alguns povos são mais sérios, seguem organização restrita, outros acentuam sua fé, para outros sua cultura é motivo de orgulho. Alguns vendem sua história como o mais importante.

Assim julgamentos todos carregados de preconceitos são feitos a todo instante. Europeus acham o Brasil desorganizado, brasileiros dizem que os europeus são muito frios, norte-americanos são vistos como ignorantes em muitos aspectos e alguns grupos orientais como xenófobos. Esse tipo de comentário claramente irrita quem ouve e com toda razão. Afinal, o julgamento é feito (como disse anteriormente) com o olhar viciado pelo que a gente acredita ser o certo.

Temos que somar a isso o fato de que obviamente machuca quando alguém coloca o dedo em nossas feridas. Nós sabemos onde o nosso país tem que melhorar, quais são os grandes defeitos. Mas odiamos quando alguém chega e fala isso sem fazer parte do nosso povo. Afinal quem é esse gringo pra falar que o nosso país é sujo? Os caras nem tomam banho todo dia! Como alguém que mal diz bom dia pode reclamar da alegria do nosso povo? E coisas assim vale pra eles também. Como um brasileiro vai reclamar da dificuldade de comunicação de um alemão com a qualidade de ensino que oferecemos?

No fundo todos gostaríamos que os outros só vissem o nosso lado bom. Varrer a sujeira pra baixo do tapete quando as visitas chegam é infelizmente um costume mundial. Todos sonham em ver seus povos como perfeitos, mas no fundo todos sabem que perfeição não existe. Tem ainda outro lado nessa moeda. A glorificação do estrangeiro, aquele que notadamente acredita que a grama do vizinho é sempre mais verde, tudo do seu povo não presta.

Esse tipo de atitude me incomoda muito. Ouvir de brasileiros que meu país é um lixo, que meu povo não presta de gente que não mexe um dedo pra mudar a situação. Gente que só afirma que a solução seria o aeroporto, esquecendo que faz parte desse povo que diz ser ruim. Veja, eu falo de nacionalismo, não de ufanismo. Não quero apagar os defeitos da nação, quero que o nosso povo corrija esses defeitos. Não sou daqueles que prega apenas filmes nacionais, livros nacionais, música nacional. Acredito sim que a cultura do mundo está ai pra todo mundo conhecer, curtir e apreciar, mas não desvalorizo o que o nosso povo faz. Muito pelo contrário. Tenho orgulho de ser brasileiro e alguns brasileiros (como quem tenho citado nos últimos posts) me fazem ter orgulho de pertencer a esse povo.





Pose – Engenheiros do Hawaii

13 03 2010

existem coisas invisíveis mesmo diante dos nossos olhos

Estou ainda numa fase complexa da minha vida. Pensamentos malucos me fazem escrever sobre coisas malucas. Eu até ia brincar um pouco mais com o tempo e a forma louca como me relaciono com ele, mas eu acabo sempre falando disso e de forma até repetitiva. Mas como minha mente está confusa e eu acho que posso falar algo novo mesmo na eterna repetição, resolvi seguir adiante com o último post e retomar alguns posts antigos.

Para começar, parte da história me lembra muito um pouco um personagem do Quarteto Fantástico. Pra quem não curte quadrinhos de super-herói, existem dois filmes com os personagens, até certo ponto bem interessantes. São 4 pessoas que adquiriram superpoderes após uma problemática viagem ao espaço. Um consegue gerar chamas e calor com seu corpo (o Tocha-Humana), outro transformou-se num monstro de pedra (o Coisa), a mulher do grupo consegue ficar invisível e criar campos de força (a Mulher-Invisível) e o líder do grupo que tem o poder de modificar e esticar seu corpo (Senhor Fantástico).

O líder do grupo é meu foco. O Senhor Fantástico é um dos maiores gênios do seu universo de histórias. Cientista famoso e bastante renomado. Porém, percebe-se que relacionamentos interpessoais não são exatamente o forte dele. Quem leu as histórias do início do namoro com a sua esposa Sue (mulher-invisível) e mesmo as que contam o relacionamento do casal, percebe isso de forma clara e até certo ponto divertida.

A outra parte da equação do texto de hoje é a música que dá título ao post. Pose (clique para ouvir) dos Engenheiros do Hawaii tem uma coisa que serve para justificar o que eu penso. A música é agradável, mas sua letra é quase um nonsense total. Uma sequência de frases aparentemente sem nexo que de certa forma tentam dar um up nas pessoas que estão ouvindo. O importante é ir atrás de tudo o que se possa imaginar.

Dois posts antigos meus servem de base para o que eu quero dizer, eu quero retomar as ideias discutidas em High (clique para ler) e principalmente em Too old to rock’nroll too Young to die (clique para ler). Além do óbvio post anterior a este que escrevo hoje. A ideia é falar um pouco de pessoas que nos encantam. Gente que faz diferença em nossas vidas e nos faz tentar se aproximar e principalmente tentar tomar cuidado com nossas ações.

Hoje tive uma tarde extremamente agradável. Um restaurante exótico ao lado de alguém que obviamente faz a diferença para mim. Uma sensação estranha. Um misto de satisfação, receio, medo e principalmente dúvidas. Por isso a música, minha cabeça viaja tentando juntar as diversas peças desse quebra-cabeça que tenho total consciência de que apenas eu montei. Procuro fazer uma leitura racional dos fatos, mas de que forma?

É justamente nessa busca racional que aparece o Senhor Fantástico na história. Ser racional é sempre a parte mais fácil da vida. Algumas coisas são óbvias e fáceis de ler e compreender. Eu diria que para pessoas como eu, um gráfico resolve muita coisa. Porém, outras são extremamente sutis e tentadoras. Um exemplo disso é essa notícia (clique, vale a pena). A distância entre a arte e a ciência pode muito bem ser tênue, mas infelizmente nem sempre isso é percebido. Ao ouvir sobre essa exposição, parte de mim pensou no belo, mas confesso que parte ficou procurando formas de repetir isso, entender o processo físico da coisa. E isso, é chato, até porque eu sou um cara que realmente adora poesia, poxa, escrever poesia e fazer fotos é o que mais me relaxa.

Essa pequena dificuldade de sentir ou perceber esses pequenos nuances é o que torna minha mente enevoada. Eu sei o que penso e sinto. Sei que essa pessoa não passa indiferente por mim e não consegui ainda descobrir se hoje fui chato, causei medo, afastei ou o que eu posso realmente representar para essa pessoa. Coisa simples e até certo ponto óbvia de fazer, mas pra mim parece física quântica, se bem que nesse ponto eu estou mais para o Senhor Fantástico, conheço mais sobre física quântica do que sobre o que se passa com as pessoas.

Hoje percebi da forma mais dolorida possível que isso é um grande erro, infelizmente não sei ainda como corrigir isso.





My Generation – The Who

7 02 2010

Quando o nosso futebol vai ser tão grande quanto o americano?

Volto hoje pra mais um post pensado em cima do Forrest Gump. Hoje é dia so Superbowl, provavelmente o maior evento esportivo mundial no que tange a marketing. Talvez maior do que a Copa do Mundo. Até hoje eu não consigo entender como um esporte que só é praticado num lugar do mundo consegue movimentar tanta grana e tantas pessoas em locais tão diversos do globo.

Se você perguntar pras pessoas próximas a você quantas já jogaram futebol americano, provavelmente a resposta será zero ou perto disso. Mesmo assim, os jornais todo ano trazem notícias o evento, a televisão paga mostra o jogo e o show do intervalo (esse ano é do The Who) é super comentado. Amanhã provavelmente vou ouvir e fazer comentários da partida na escola. Talvez mais comentários do que sobre o retorno do Robinho ao Santos com gol de calcanhar em cima do São Paulo.

Mas o que isso tudo tem a ver com o Forrest Gump? Pra quem viu o filme, Forrest tem um emprego como aparador da grama do time de futebol americano de sua escola. É um cargo honorário por ser um herói local. E é justamente nesse ponto que quero centrar minha análise. A capacidade norte-americana de gerar ídolos e a capacidade brasileira de destruir ídolos nacionais. Forrest tornou-se um herói de guerra, foi tratado como herói o tempo todo mesmo tendo graves limitações. Duvido que aqui ocorresse o mesmo.

Não sou um defensor da cultura norte-americana, mas acho interessante essa coisa de tentar sempre ser o melhor em algo e lutar por isso. Mais interessante é valorizar isso. Penso agora no The Who e na música My Generation (clique para ouvir), (aqui uma versão engraçada da música, cantada por idosos) espero que toquem no intervalo do Super Bowl hoje. A música fala de uma rebeldia jovem, de uma luta constante na geração e contra a geração. Fala da ideia de se morrer jovem, e ai eu penso na juventude mental e não na juventude etária.

Vejo essa gana da música como principal motivo pra se criarem heróis e estes serem idolatrados. Alguém que se destaque no meio da massa por algum motivo merece ser idolatrado e não invejado. Infelizmente é a inveja que impera aqui em nosso país nesse aspecto. Já falei que exigimos de atletas mais do que eles podem oferecer, que um músico não pode só tocar seu instrumento e um ator além de atuar deve mudar o mundo. Coisa que o cidadão médio nem liga, apenas cobra.

Forrest de certa forma mudou parte de seu mundo e tomou parte de acontecimentos importantes. Por isso, mesmo mentalmente debilitado, sempre foi visto como herói. Assim como hoje deve acontecer no Super Bowl. Esse evento merece mais linhas de discussão.

O principal enfoque desse evento é criar heróis. Mais do que definir quem é a melhor equipe de futebol americano, serve para definir novos heróis nesse esporte. As entrevistas prévias, a maneira como tudo é levado faz-nos enxergar o evento como uma fábrica de ídolos. Nesse ano, por exemplo, vende-se a disputa entre o candidato a melhor jogador da história e o time da cidade que mais sofreu com o Katrina (aliás cidade de onde saiu Payton Manning o tal candidato a melhor da história que era torcedor do time de New Orleans).

A disputa toda parece resumida a essa disputa e a questões familiares, com a amizade entre o quarter-back dos Saints e o irmão do Manning que joga nos Colts. O drama é elevado ao máximo. No ano passado exploraram a idade dos quarter-backs, em anos anteriores histórias de vida de atletas ou mesmo histórias das cidades dos times.

Aqui no Brasil a gente mal consegue divulgar um Corinthians x Palmeiras e olha que existe muito mais história nesse confronto do que nas partidas do futebol americano. Isso acontece a meu ver, em grande parte, pelo fato de que não respeitamos o tamanho do adversário. Nós procuramos defeitos em tudo que não nos pertence e nunca idolatramos alguém só por aquilo que esse alguém tem de bom. Quem sabe mudamos isso um dia? Garanto que teríamos muito menos confusão e muito mais alegrias como brasileiro do que temos hoje, sem falso populismo, até porque infelizmente só os políticos são impunes nesse país. Eles nunca são cobrados e são sempre premiados.

Eu torço para o dia em que uma final de campeonato brasileiro de futebol ou de qualquer outro esporte tenha o mesmo peso que tem a final da NFL e seu SuperBowl





Penny Lane – The Beatles

28 01 2010

assim como a flor precisa da abelha, a abelha precisa da flor

Ainda pensando em Forrest Gump, no que escrevi no último texto, eu retomo um antigo post meu o Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Quero retomar essa ideia relacionando isso com a responsabilidade dos nossos atos. Se da outra vez eu falava de um coração amargurado (o meu), hoje eu quero voltar ao tema pensando na responsabilidade dos atos.

Talvez a música que mais próximo se aproxime do que eu quero falar seja Penny Lane, principalmente nesse desenho animado que eu uso como referência (clique para ver). Nessa história os rapazes de Liverpool falam de situações comuns, de pessoas comuns de sua vida. Acontece que como pode ser facilmente visto no desenho, essas pessoas comuns possuem comportamentos comuns que interferem na vida de outras pessoas.

Até ai nada novo, eu escrevi exatamente isso no texto passado. O que muda aqui é a responsabilidade. Pensando em Forrest, ele de certa forma fez uso de seu jeito simplório (me falaram abobalhado, mas não penso dessa forma) e marcou todo mundo que passou por sua vida de uma forma positiva, só com existência em primeira instância e companhia em segundo estágio.

Vendo essas coisas me lembro também de um ditado batido, fazer o bem sem olhar a quem. Acho que ele faz sentido quando visto sob o olhar de quem lidera algo. Quando você faz algo e percebe que alguém fica feliz por suas ações, você sente uma leveza. Esse talvez seja o pagamento por fazer algo de bom. Ninguém é bom por ser, mas sim porque o prazer que se recebe por um ato bom é uma sensação maior do que a ofertada.

Nós costumamos cativar pessoas esperando esse tipo de sensação. É um mimo num aniversário, um jantar especial ou simplesmente um bom dia sorrindo. Ações comuns que fazemos para de certa forma não passarmos despercebidos. Eu atuo como professor, confesso que gosto quando percebo que uma ação minha faz diferença em algum aluno. Tenho a impressão de ter feito a coisa certa e uma sensação de dever cumprido.

O problema é que não somos como o Forrest, nem todas as nossas ações são positivas. Vale voltar ao desenho, o desejo do Paul por fama cria certa confusão. Pequenas ações cotidianas nossas possuem efeito parecido. É uma frase mal colocada, um olhar desviado que fazem alguém se sentir mal.

Claro que preciso entender que isso é fruto do fato da nossa espécie ser sociável. Cada pessoa reage de forma diferente ao que se apresenta aos seus olhos. Mas tomar certo cuidado com a forma como se age deveria ser a tônica de todos, e não o oposto como geralmente ocorre. Esse movimento de perceber até onde nossas ações afetam os outros e pesar os efeitos de cada ato ainda é pouco comum. Vemos isso profissionalmente, mas e nas relações interpessoais?

Nesse ponto, algo que muito me chateia é perceber como pessoas que nitidamente se amam se machucam tanto. É comum ver como pessoas extremamente próximas perdem seu auto controle e partem deliberadamente para a agressão ao outro. Quem ama é justamente quem mais fere. E a ferida acaba sendo mais profunda porque nunca esperamos esse tipo de ação, além do agressor conhecer com bastante propriedade os nossos pontos mais frágeis e dolorosos.

Nessas ações, invariavelmente após os momentos de raiva doentia, tanto agredido quanto agressor sentem a dor do ato. O efeito nunca fica apenas numa pessoa. Por mais que um dos lados afirme que não sente nada, nunca vi um caso onde isso realmente tenha acontecido. Por vezes os lados chegam a um meio termo e a boa convivência volta, mas algumas feridas infelizmente não se fecham nunca.