Penny Lane – The Beatles

28 01 2010

assim como a flor precisa da abelha, a abelha precisa da flor

Ainda pensando em Forrest Gump, no que escrevi no último texto, eu retomo um antigo post meu o Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Quero retomar essa ideia relacionando isso com a responsabilidade dos nossos atos. Se da outra vez eu falava de um coração amargurado (o meu), hoje eu quero voltar ao tema pensando na responsabilidade dos atos.

Talvez a música que mais próximo se aproxime do que eu quero falar seja Penny Lane, principalmente nesse desenho animado que eu uso como referência (clique para ver). Nessa história os rapazes de Liverpool falam de situações comuns, de pessoas comuns de sua vida. Acontece que como pode ser facilmente visto no desenho, essas pessoas comuns possuem comportamentos comuns que interferem na vida de outras pessoas.

Até ai nada novo, eu escrevi exatamente isso no texto passado. O que muda aqui é a responsabilidade. Pensando em Forrest, ele de certa forma fez uso de seu jeito simplório (me falaram abobalhado, mas não penso dessa forma) e marcou todo mundo que passou por sua vida de uma forma positiva, só com existência em primeira instância e companhia em segundo estágio.

Vendo essas coisas me lembro também de um ditado batido, fazer o bem sem olhar a quem. Acho que ele faz sentido quando visto sob o olhar de quem lidera algo. Quando você faz algo e percebe que alguém fica feliz por suas ações, você sente uma leveza. Esse talvez seja o pagamento por fazer algo de bom. Ninguém é bom por ser, mas sim porque o prazer que se recebe por um ato bom é uma sensação maior do que a ofertada.

Nós costumamos cativar pessoas esperando esse tipo de sensação. É um mimo num aniversário, um jantar especial ou simplesmente um bom dia sorrindo. Ações comuns que fazemos para de certa forma não passarmos despercebidos. Eu atuo como professor, confesso que gosto quando percebo que uma ação minha faz diferença em algum aluno. Tenho a impressão de ter feito a coisa certa e uma sensação de dever cumprido.

O problema é que não somos como o Forrest, nem todas as nossas ações são positivas. Vale voltar ao desenho, o desejo do Paul por fama cria certa confusão. Pequenas ações cotidianas nossas possuem efeito parecido. É uma frase mal colocada, um olhar desviado que fazem alguém se sentir mal.

Claro que preciso entender que isso é fruto do fato da nossa espécie ser sociável. Cada pessoa reage de forma diferente ao que se apresenta aos seus olhos. Mas tomar certo cuidado com a forma como se age deveria ser a tônica de todos, e não o oposto como geralmente ocorre. Esse movimento de perceber até onde nossas ações afetam os outros e pesar os efeitos de cada ato ainda é pouco comum. Vemos isso profissionalmente, mas e nas relações interpessoais?

Nesse ponto, algo que muito me chateia é perceber como pessoas que nitidamente se amam se machucam tanto. É comum ver como pessoas extremamente próximas perdem seu auto controle e partem deliberadamente para a agressão ao outro. Quem ama é justamente quem mais fere. E a ferida acaba sendo mais profunda porque nunca esperamos esse tipo de ação, além do agressor conhecer com bastante propriedade os nossos pontos mais frágeis e dolorosos.

Nessas ações, invariavelmente após os momentos de raiva doentia, tanto agredido quanto agressor sentem a dor do ato. O efeito nunca fica apenas numa pessoa. Por mais que um dos lados afirme que não sente nada, nunca vi um caso onde isso realmente tenha acontecido. Por vezes os lados chegam a um meio termo e a boa convivência volta, mas algumas feridas infelizmente não se fecham nunca.

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What If – Coldplay

24 01 2010

E se eu tivesse tido coragem de falar o que sentia? O que ela teria dito? Nunca mais vou saber...

Eu tinha prometido parar de utilizar Watchmen como referência. Porém, uma conversa que tive ontem me fez mudar de ideia. Um longo papo no MSN onde alguns porquês vieram a baila sem que eu pudesse responder, apenas pensar como poderia ser um mundo alternativo, onde aquelas perguntas pudessem ser a realidade vivída.

Como o mundo de Watchmen, onde pequenas coisas causariam uma imensa mudança na história americana, o que aconteceria em nossa realidade com pequenas mudanças em pontos chave? Se você não tivesse ido naquela festa, se ela não tivesse atendido o telefone, se tivesse aceitado aquela proposta de emprego?

Tem uma música do Coldplay que brinca um pouco com isso. What If (clique aqui para ver um clipe). Vale a pena ver um trecho da letra traduzida logo abaixo

E se não houvesse nenhuma mentira

Nada errado, nada certo

E se não houvesse tempo

Nenhuma razão ou rima

E se você decidir

Que você não me quer ao seu lado?

Que você não me quer na sua vida?

É bem essa a linha de pensamento. O que aconteceria se pequenas coisas mudassem? Eu fiquei os dias de ontem e hoje pensando nisso. Lembrei de momentos cruciais da minha existência, das dúvidas que eu tive e de como essas dúvidas me machucaram. Do efeito que cada escolha teve em mim. Lembrei de cada noite que passei em claro tentando decidir o que escolher. Também me veio a cabeça o quanto eu tentei descobrir o que cada uma das minhas escolhas me levaria a fazer e ser.

Lembro também de umas revistas que eu lia quando moleque. As da Marvel Comics, hoje leio mais as da Vertigo e da DC, vez ou outra compro algo da Marvel, confesso que a morte do Capitão América, duas equipes de Vingadores e a invasão dos Skrulls foram séries meio sem graça. Mas voltando a essas histórias. Era comum surgirem vez ou outra histórias com o título o que aconteceria se… Nessas histórias, os roteiristas escolhiam momentos importantes da cronologia de alguns personagens e mudavam fatos, como a morte de alguém, um casamento, a vitória ou derrota numa disputa, encontrar ou não determinado artefato. A partir dessa premissa uma história era escrita dizendo o que aconteceria na cronologia do personagem com aquela simples alteração.

Quem nunca pensou assim? Quem nunca se questionou se fez a melhor escolha? Quem não gostaria de ter mudado uma decisão imaginando que face ao que ocorreu em sua vida após aquela escolha, a outra alternativa com certeza seria melhor. É claro que tudo isso é apenas mais uma forma que a gente cria pra tentar se reconfortar em situações adversas.

Mesmo sabendo que é puro exercício maluco. Eu queria sim mudar algumas coisas que eu fiz. Ou melhor, eu gostaria que fosse possível analisar de forma correta até onde cada linha de decisão nos levaria no futuro. Por outro lado. Muitas vezes me pergunto se vale a pena esperar o futuro, a dúvida, por mais ridículo que possa parecer, é um dos motivos que me mantém vivo. Essa esperança no desconhecido e a frágil crença de que talvez as escolhas que eu faça hoje possam criar para mim em algum momento um futuro agradável. Assim, toda vez que eu me pergunto se valeu a pena não ter encerrado minha vida ainda. A dúvida me mantém.

E você? Como reage as escolhas? Tem alguma que gostaria de mudar? Gostaria de saber até onde outra linha te levaria? Conte pra gente.





Long Long Journey – Enya

21 01 2010

Hora de parar de chorar e tentar mudar esse mundo que eu odeio

Para encerrar as minhas impresses sobre Watchmen, vale a pena falar do meu herói favorito na história. Nite Owl, na pele de Dan Dreiberg, é o personagem que mais me agrada, principalmente pela fragilidade. Confesso que fiquei pensando no que escrever sobre o personagem, em que música utilizar. Acabei optando por uma música da Enya Long Long Journey (clique para ouvir). Ando bastante triste e queria também demonstrar isso, até porque o personagem tem uma tristeza parecida com a minha.

Dan Dreiberg herdou uma fortuna de seus pais e usou seu conhecimento para criar um maquinário baseado nas corujas para combater o crime. Com a proibição ele abandonou a vida heróica e pela forma como se apresenta, abandonou a própria vida. Não se matou, mas estagnou, seu único compromisso era o de visitar o primeiro Nite Owl uma vez por semana.

Muitas vezes penso que minha vida travou em alguns pontos como o de Dan Dreiberg. Na verdade a vida de todo mundo trava em alguns pontos, mas aqui estou para escrever de semelhanças minhas. Eu também sou fanático por corujas. No tempo da faculdade era notório o fascínio que esses animais de sistema sensorial fantástico despertavam (e despertam) em mim. Sou talvez mais tímido do que o Nite Owl e também alguém que tem um gosto latente pela ciência e de certa forma se refugia em alguns tipos de conhecimento.

Isso me ligou bastante ao personagem, tanto no filme quanto na primeira vez que li a história na minha adolescência, época em que minha adoração pelas corujas era mais evidente (não maior). O jeito triste e resignado, a necessidade de sempre agradar ao próximo de forma quase subserviente e a falta de grandes sonhos são outras características marcantes do personagem que talvez eu tenha também.

O fato mais interessante é que Dan Dreiberg só se sentia realizado vestindo uniforme e saindo a caça de criminosos. Era seu momento. As vezes penso que tenho que encontrar o meu momento. Conheço e vejo muita gente assim. Gente que como eu vive, faz as coisas que tem que fazer, mas nunca encontra esse momento, essa fagulha que faz com que tudo pareça interessante mesmo que o mundo esteja acabando diante dos seus olhos.

Aliás, essa busca por prazer é a grande busca humana. Encontrar aquilo que nos faça realmente felizes, aquilo que nos mantém vivos além de todas as conquistas. Pode ser ver o sol nascer, ter um filho, casar-se, ter um grande amor, fazer uma viagem. Cada um tem a sua motivação, por mais simples que possa parecer aos olhos de outrem, cada um sabe o que sente.

Este é, inclusive, um ponto que merece uma breve discussão. Nessa semana ouvi uma pessoa me dizer que tenho medo e sou mimado. Palavras ditas numa conversa em que eu disse de que forma encaro a vida. Pra mim ela não é realmente tudo isso. De início confesso que entrou por um ouvido e saiu pelo outro. Depois resolvi realmente pensar sobre o assunto (até por isso atrasei este texto) e tirei algumas conclusões. Discordo totalmente do mimado, o medroso aceito sob alguns aspectos.

Eu tenho medo sim, muito medo de assumir algumas coisas que deveria assumir. Deveria sim deixar mais claro aquilo que penso. Devo ir atrás dos meus sonhos, por mais absurdos que eles sejam. Eu acho mesmo esse nosso planeta podre, acho sim que nós seres humanos não valemos nada e o que tenho feito pra mudar isso? Pouco, muito pouco.

Eu dou aulas, ensino jovens, mas será que estou fazendo isso direito? Será que o que eu transmito a esses jovens os faz pessoas melhores? Provavelmente as aulas sirvam mais ao meu bolso do que a uma real mudança no lugar onde eu vivo. Fora do ambiente de trabalho, vivo, vejo e convivo com gente extremamente medíocre. A maioria das pessoas querem apenas o seu bem estar. Reclamam do que lhes faz mal, mas esquecem que seus atos acabam prejudicando também os outros.

Eu confesso tenho medo dessa gente. Tenho muito medo também de muita gente que trabalha comigo. Tenho paúra da grande maioria das pessoas e sou obrigado ainda a assumir que por vezes tenho medo de perder algumas pessoas que eu sei que nada valem. Pessoas que ligam pra você apenas quando é necessário, quando o calo aperta, mas quando você precisa de um sorriso que seja, está pedindo demais. Pessoas assim, aliás somos todos nós. A humanidade é assim. Eu não consigo me acostumar com isso. Sei que por vezes devo ser assim, mas isso me incomoda e muito.

Por isso, a tal bronca talvez consiga algum efeito e eu mude. Vá atrás do sonho máximo que é viver como se deve. Tentar transformar esse mundo cão nessa viagem longa, muito longa. Eu sei que vou morrer, mas que morra fazendo algo que eu realmente acredite. Que eu faça isso até cansar e quando cansar pare de reclamar da possibilidade da morte. Aliás morrer tentando criar um lugar em que eu acredite não será má ideia.

Que todos sejamos como Nite Owl, encontremos nosso caminho e sigamos por ele até o fim, de forma honesta e verdade com a única pessoa que importa. Nós mesmo.





Time – Pink Floyd

24 11 2009

Quase perdi a hora certa de dar flores a quem merece...

Eu e o tempo, dois eternos inimigos, na verdade eu diria que eu sou o inimigo dele que não está nem ai pra mim. A música Time do Pink Floyd traz uma letra que traduz de forma bastante interessante o que eu quero falar sobre o tempo. Hoje quero brincar com algumas alegorias malucas em minha cabeça, idéias que surgiram de pequenas histórias que quero contar.

Primeiro devo deixar claro que quero novamente falar do tal instante decisivo em nossas vidas. Tudo tem um momento exato e eu como sempre sei que não tenho tato suficiente para perceber esses momentos e muito menos sei como agir na grande maioria deles. Provavelmente eu vá ouvir que grande parte da população mundial também se sente assim em relação ao que acontece em suas vidas. Confesso que não duvido disso, apenas uso isso como forma de garantir uma maneira agradável de expressar o que eu penso.

A primeira alegoria divertida vai para um fato ocorrido hoje (ontem afinal já é meia noite). Eu sou um cara que sempre adorou enviar flores, gosto mesmo da sensação que isso causa em algumas pessoas e também encaro como uma forma de dizer o quanto o carinho e a delicadeza dessas pessoas me encantam, a ponto de me sentir tentado a deixar um ser belo (quase tão quanto quem recebe as flores) e carinhosamente frágil aos cuidados de alguém. É algo que só faço com quem acho especial.

Mas voltando a história. Hoje voltei a fazer isso. Da maneira mais estapafúrdia e ridícula que se pode fazer isso, mas fiz. Tinha suas flores plantadas, tinha alguém para quem eu queria dar as flores e, de alguma forma consegui fazer isso. Atribuo o consegui mais ao tempo certo, o instante decisivo do que a forma como fiz. Se dependesse da forma como fiz as flores estariam mortas. Aliás, espero que a pessoa que as recebeu entenda que foi um gesto de carinho e não um livrar-se de algo. Coisa de homem tímido.

Esse foi um instante decisivo bom. Divertido até certo ponto, confesso que adormeci com um sorriso no rosto em meu almoço por ter feito isso. Afinal, quem levou as flores gostou, e elas sobreviveram sob os cuidados de alguém que eu acho especial. Tudo no tempo certo. Tempo certo que também se torna o cerne de uma segunda alegoria maluca. Terminei a leitura de um livro que mexeu bastante comigo. Mexeu a ponto de eu querer falar muito dele, algo que começarei hoje, porque tem tudo a ver com essa minha relação com o tempo. Tanto pelo fato de ter pego o livro no momento certo (acho que se tivesse lido anos antes não teria chegado a algumas conclusões e se deixasse para ler daqui a alguns anos, talvez nunca tivesse a chance de ler).

Para quem não leu, eu recomendo fortemente o livro Uma Longa Queda de Nick Hornby. A história dos quatro quase suicidas que se encontram no momento fatal na noite do ano novo realmente me comoveu e me fez pensar. Não estou aqui nem cogitando a hipótese de acreditar em forças divinas, deuses e anjos que possam vir salvar almas perdidas perto de se entregar ao medo. Não estou aqui também pra falar da luta pela vida. Apenas a idéia do tempo decisivo me interessa nesse instante. Próximos posts sobre cada um dos personagens principais virão a seguir.

O que vale ressaltar, e com grande importância pra mim. É que se todos não tivessem chegado no instante em que chegaram, a história (deliciosa de se ler, por sinal), não teria ocorrido, os 4 teriam se jogado e mesmo sem a real vontade de se matar, teríamos 4 corpos a mais no necrotério de Londres, nada que realmente fosse fazer diferença.

A verdadeira diferença surgiu do acaso e da sorte. Do aproveitamento do instante decisivo em que as decisões foram tomadas. Cada um podia decidir o que fazer e as decisões de um influenciaram os outros. Ai surge outro conceito temporal maluco. A reação em cadeia. Se um dos quatro tivesse se jogado, com certeza a história seria muito diferente. Cada um influenciou os outros e foi influenciado. Cada ação gerou diversas outras que no caso da trama, acabaram servindo de desculpa forte o suficiente para se evitar a morte. Não sei se funcionariam com um cara como eu, mas com certeza me fizeram pensar.

Aliás, o que faria você dar um passo atrás numa decisão forte como essa? Suicídio será um tema posterior, mas vale a pena já começar a coletar informações, o que faz você acreditar que vale a pena viver?





The Long And Winding Road – The Beatles

15 11 2009
foto7mini

a beleza das estradas sinuosas está nas coisas que se escondem em cada curva

Fecho hoje o tema das saudades. A última delas nem é tão saudade assim, é mais uma sensação pessoal de orgulho e dever cumprido. Quem nunca se sentiu a pior das pessoas por não ter conseguido levar adiante uma história importante em sua vida? Quem nunca se culpou e acreditou que cometeu todos os erros do mundo, fazendo com que toda a culpa realmente residisse em suas costas?

Eu vivi isso por um longo tempo. Achei-me incapaz de acertar. Diziam-me que o tempo cura tudo. Confesso que não me curou. A cura veio de outras fontes, bem menos nobres e muito mais interessantes. A verdadeira cereja do bolo, entretanto, veio de outro local. Surgiu da percepção real de que sou importante, quando o calo aperta, a coisa complica, é meu telefone que toca, mesmo com certo receio, é meu auxílio que é solicitado.

Percebo as vezes um leve mal estar em me procurar. Sinto o peso, como se fosse sempre a última opção. Ai me vem a cabeça uma canção dos Beatles. The Long and Winding Road, o caminho até mim se tornou uma estrada longa e sinuosa, dolorida, mas necessária em alguns momentos.

Uma lida rápida pode parecer que eu esteja saboreando algum tipo torpe de vingança. Nada a ver com isso. Até tenho sim meus senãos com algumas histórias, entretanto, hoje o que mais quero é escrever outras. Meu último post deixa isso bem claro, aliás, o último post tornou-se quase um mantra. O que vale ressaltar aqui, é que sim, me sinto bem em perceber que não errei. E principalmente, me sinto ótimo em saber que eu perdi bastante, mas honestamente teve gente que perdeu mais do que eu.

Reconhecer que tenho algum tipo de valor está fazendo um bem danado pro minha auto-estima falida. Eu sempre assumi que sou muito bom em algumas coisas e que sou péssimo em diversas outras. No geral o peso das diversas outras é maior do que as algumas coisas. Típico de quem não tem muito amor próprio.

Talvez semana que vem eu volte em textos novamente mais gerais, com mais opiniões minhas sobre o mundo, temas realmente substanciais e fora desse meu universinho podre e depressivo. Até porque pouca gente leu ou comentou o que escrevi. Mas tenho que admitir que precisava desabafar ou então ruiria de vez. Assim, se quiser, deixe ai um comentário, dê uma sugestão de tema que eu prometo ler e responder já nessa semana que se inicia.





O Parque da Juraci – Genival Lacerda e Zeca Baleiro

12 07 2009
Só é possível que você sente numa dessas cadeiras na beira da praia porque alguém as fez e as colocou lá.

Só é possível que você sente numa dessas cadeiras na beira da praia porque alguém as fez e as colocou lá.

Na quinta eu falei da relação causa e efeito nos relacionamentos, mas ela atinge todos os pontos da nossa vida. Por mais que eu deseje isso (tenho que admitir), não dá pra viver isolado do mundo ou mesmo independente das outras pessoas.

Um exemplo disso é a música que eu escolhi para este texto. Adoro Zeca Baleiro e ouvindo uns CDs antigos encontrei essa música gravada junto com o Genival Lacerda. O clipe encontrado no youtube (clique aqui para ver) para o Parque de Juraci também é bastante divertido. Até porque não dá pra levar a sério nem fugir do riso em qualquer situação que o Genival Lacerda apareça. Até o hábito que ele traz em suas músicas de trabalhar com sentido duplo aparece, onde a frase Juraci que parque é confundida com Jurasic Park. Confesso que gostei da tirada dos autores do clipe.

Mas voltando ao que interessa. Na música, o Zeca fala que recebeu um convite para visitar um parque com a Juraci, mas ao chegar lá o parque já não existe, foi substituído por um restaurante por quilo. Ele descreve a história demonstrando as sensações que tomam conta do cantor. Primeiro a alegria eufórica pelo convite e depois a raiva e ira ao perceber-se sem o parque e de certa forma enganado.

Quantas vezes isso não acontece diariamente conosco? Você planeja algo nos mínimos detalhes, deixa tudo bem claro, porém, devido a outras pessoas seu planejamento vai por água abaixo. Por mais óbvio que alguns comportamentos possam parecer, nunca podemos prever o que o outro fará em determinada situação.

É comum no trabalho você seguir seu ritmo e se ver parado, pois depende do serviço do outro que ainda não fez a sua parte. Você se arruma pra sair e vai ao ponto de ônibus num dia chuvoso e um motorista passa numa poça te sujando inteiro no dia de uma entrevista de emprego. Coisas assim, bem lei de Murphy acontecem aos montes.

Talvez eu pareça um tanto misantropo, aliás, talvez eu até seja mesmo. Mas confesso que muitas vezes gostaria de depender menos do outro. Gostaria que as minhas ações fossem mais responsáveis pelo que sou e pelo que produzo do que as ações dos outros. Entretanto, sei que isso não passa de um sonho irreal e distante. Não existe independência social, até o mais isolado dos ermitões sofrerá as ações de pessoas que ele nem ao menos sabe que existem.

Confesso que algumas vezes essa dependência me dá medo. Gostaria sim de poder depender mais de mim em diversas situações. Gostaria de controlar mais partes de todos os processos que fazem parte da minha vida. Pelo menos em alguns aspectos. Assim como em muitos casos também gostaria de não intervir tanto na vida do outro.

Sei que muito da minha atividade profissional é feita para o outro. Sem a resposta do outro não vale a pena escrever, fotografar, dar aulas. Aliás, dar aulas talvez seja uma das ações que mais influencia na vida de outras pessoas. Eu sei disso e nem é esse o ponto que me preocupa. Nessa linha, o que me preocupa é algumas vezes encontrar pessoas que observam você como um guia a ser seguido.

São pessoas que atuam de forma completamente oposta ao que eu penso. São pessoas que deixam tudo na mão do outro e assumem isso. Suas idéias nunca são exatamente suas, nem as vontades. São pessoas que precisam de líderes sempre e infelizmente gente que é manipulada e parece gostar disso. Gente que não percebe que pode sim mostrar quem é e a que veio.

Provavelmente a situação correta seja o meio termo, nem sentir o incômodo que eu sinto nessa dependência e muito menos não perceber que se pode interagir sem aceitar tudo pronto. Sei também que atuamos de forma diferente em cada situação. Se quiser, conte uma situação em que se sente incomodado com a dependência do outro para algo em sua vida, ou então uma situação em que adora isso.





O Homem dos Olhos de Raio X – Lenine

9 07 2009
Tudo aquilo que fazemos espelha nos que são mais próximos a nós

Tudo aquilo que fazemos espelha nos que são mais próximos a nós

Dentre todas as formas de influência das ações, talvez a mais simples e visível seja a que é vista nos relacionamentos. Como uma pessoa apaixonada age, como uma pessoa por quem se apaixona age, como cada um reage ao outro. De certa forma retomo aqui algumas idéias e até uma frase que já usei antes, só que num momento de ira. “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”, frase de Antoine de Saint Exupery num livro que eu confesso que odeio, O pequeno príncipe.

Devo admitir entretanto que a frase é ótima, traz um peso bastante forte a influência que causamos uns aos outros. Aliás dá um certo tom ao peso que devemos todos carregar por sermos responsáveis por todas as nossas ações com as pessoas que nos cercam.

Para falar disso demorei um pouco na escolha da música. Acabei parando no cantor e compositor pernambucano Lenine. Gosto muito do som dele, músicas divertidas, com uma levada interessante sem nunca perder a característica de sua terra, o cara abre a boca e você sabe que ele veio do Nordeste. De sua imensa lista de músicas uma conta uma história que tem tudo a ver com o que eu quero dizer. O homem dos olhos de raio x (clique aqui para ver o clipe da música), fala de como um homem ficou fragilizado ao sentir-se apaixonado por uma mulher. Mostra que todas as ações da amada geram reações fortes no cantor.

Isso conseguimos ver em qualquer relacionamento. O grau de envolvimento gera ações e reações constantes, o que um faz interfere no comportamento do outro de forma positiva ou negativa. Tem gente que leva na boa essa situação, tem gente que se sente amedrontado e tem gente que adora controlar o outro com suas reações.

Particularmente me preocupam as pessoas que se divertem manipulando aqueles que se interessam por elas. Pra mim são pessoas tão frágeis de caráter que nem mereciam ser amadas. Vejo como pessoas que fazem qualquer coisa para reafirmar a si mesmas que são amadas. Por outro lado, quem não percebe esse tipo de atitude também está sendo frágil e bobo. Tem tanta falta de amor próprio como quem controla e precisa aprender a observar o que acontece a seu redor.

É claro que todos temos nossos momentos de fraqueza. Nesses momentos é que costumamos ter as atitudes mais infames tanto conosco quanto com o outro. O que deveríamos fazer é nos policiar para evitar tais movimentos.

Entretanto, nem tudo o que ocorre nos relacionamentos gira em torno de manipulação emocional barata. Quando no flerte, buscamos quaisquer sinais de aceite da outra parte. Durante o relacionamento, os sinais de confirmação funcionam como gasolina para que o relacionamento continue fluindo e para que as ações realizadas continuem seguindo a mesma linha.

Um olhar atravessado, uma mudança no tom de voz, um telefonema não retornado podem servir de sinal de alerta. Muitas vezes esse alerta vem como sinal de desespero, precedido da frase: “O que eu fiz de errado agora?” Muitas vezes, entretanto, nada aconteceu de errado, apenas um mal dia, ou, num caso pior, o relacionamento ruiu porque tinha que ruir.

Esse ruir, entretanto, muitas vezes machuca mais do que deveria, gera uma certa dependência da relação e é nesse ponto em que ocorrem as manipulações que tento combater aqui. O choro público, uma declaração mais forte, promessas vazias acabam inclusive destruindo o que restou de positivo de um relacionamento. Terminar e aceitar isso de cabeça erguida talvez seja a melhor forma de se retomar uma história no futuro, quando os movimentos de um voltarem a modificar positivamente os movimentos do outro e não passarem a gerar movimentos antagônicos, a presença de um faz o outro se levantar e ir embora. O nome de um gera mal estar se pronunciado próximo do outro e assim vai. Para se manter como num estágio equilibrado, não adianta um apenas estar apaixonado como na música do Lenine, mas sim os dois devem saber o que sentem e se respeitar acima de tudo